SMS: dois bilhões de celulares em silêncio

Esse é um extrato do livro Mobile Marketing – SMS como ferramenta de marketing, escrito em 2005 e do qual sou co-autor e que fala de como a escrita mudou depois que os celulares e smartphones tomaram conta da sociedade.

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SMS: dois bilhões de celulares em silêncio

Claro que o SMS não seria isso tudo se não possuísse algumas características importantes que juntas faltam em outros meios de comunicação. Sua própria popularidade é um aspecto importante, já que a grande maioria dos quase dois bilhões de celulares no mundo são capazes de receber e enviar mensagens. Mas outros pontos também colaboram muito:

 

■ PREÇO: enviar uma mensagem de texto é muito mais barato do que fazer uma chamada de voz;

■ COMODIDADE: Apesar de não possuir a melhor usabilidade, um SMS pode ser escrito muito rápido com a ajuda de facilitadores de escrita existentes em qualquer celular. Além disso, textos padronizados e números de celulares podem ser memorizados no aparelho para facilitar ainda mais seu uso.

■ PRIVACIDADE: Conversas de voz não são apropriadas em determinados locais, enquanto via SMS mantém-se um diálogo particular sem incomodar ninguém.

■ IMEDIATISMO: As mensagens são entregues no aparelho do destinatário em questão de segundos e é falta de educação não respondê-las em mais de 10 minutos.

 

No princípio, quando o SMS foi adotado como meio de comunicação entre os jovens, ficou evidente que se por um lado a questão do custo tinha sido superada, a vontade de se comunicar ficava restrita aos 160 caracteres máximos de cada mensagem. A solução foi simples e de alguma forma relacionada à questão espaço x tempo.

Quando a juventude adotou o SMS, ela já tinha longa experiência com os chats ou salas de bate-papo na Internet. Para essas conversas tinha criado uma linguagem abreviada que permitia teclar muito mais rápido e portanto participar mais ativamente das conversas. Era uma questão de aproveitar melhor o tempo. A adoção da mesma linguagem abreviada para o SMS foi natural. A diferença básica é que o objetivo de abreviar as palavras é para economizar espaço. Uma mensagem que para alguns pode parecer escrita por um extra-terrestre, para os iniciados é praticamente seu idioma nativo, veja alguns exemplos:

 

T LG + TRD (Te ligo mais tarde)

FTA HJ CS DO JOAO (Festa hoje na casa do João) CHR DOM EM CS (Churrasco Domingo em casa) T NO CNM (Estou no Cinema)

 

Além de viabilizar a conversa, a abreviação de palavras de uma forma pouco usual também individualiza ainda mais o jovem. Ele se sente dono não só do meio de comunicação como também da linguagem usada. Linguagem essa que vai contra os princípios inicias da comunicação via telefone, um aparelho que foi inventado para conversas verbais e que hoje é usado para comunicação visual.

Quando as operadoras perceberam que suas redes estavam sendo utilizadas de uma forma imprevista, o SMS já era uma realidade como canal de comunicação jovem. Não demorou muito para que os profissionais de marketing dessas operadoras identificassem oportunidades de criação de produtos e serviços para esse público. Jogos, logos, ringtones e serviços de comunidades e grupos via SMS criados para a turma jovem são até hoje carros-chefes das ofertas e foram feitos para reforçar as características pessoais dos donos dos aparelhos.

Uma segunda parte dessa revolução silenciosa ainda está acontecendo mas começou de forma mais lenta pouco depois da primeira onda.

As gerações consideradas mais velhas tendem a ser quando não avessas, pelo menos mais lentas a adotar novas tecnologias. Aconteceu com o rádio que era a “caixa do diabo”, com o vídeo cassete impossível de programar e com a Internet tão complicada e lenta.

Com o telefone celular, o apelo prático da comunicação a qualquer hora de qualquer lugar, ajudou muito sua adoção. Mesmo no começo quando os aparelhos eram como tijolos no tamanho e no peso, sua utilidade era evidente. Quando se tornaram menores e com comandos mais simples, foram definitivamente adotados por todas as faixas etárias e mesmo pelos mais refratários à tecnologia. Com o SMS aconteceu o mesmo. Quando serviços como receber mensagens de texto com informações sobre o tempo e o tráfego no celular passaram a ser pela primeira vez oferecidos pelas operadoras, foram imediatamente aceitos. Rapidamente o SMS passou a ser usado ativa e passivamente por praticamente todo o espectro de usuários com as mais diversas ofertas de serviços e informações.

Todo esse tráfego espontâneo dessas mensagens curtas com os mais diversos conteúdos em volumes gigantescos circulando por todo o mundo indiferente à distâncias ou operadoras, acabou sendo percebido por alguns poucos como algo mais do que um simples correio sem fio e sem papel. O fenômeno do SMS tinha todas as características do surgimento de uma nova ferramenta de marketing.

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