PanoraMix #42 | Negócios via Whatsapp

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Quentinhas e empregos por Whatsapp e seu primo chinês

tecnologia | negócios

Falamos muito aqui de como o acesso à internet e a todo o conhecimento disponível na rede pode mudar vidas. Repito também que esse acesso, ampliado pelo smartphone, gera uma quantidade enorme de oportunidades. Ter um smartphone na mão hoje representa muito, mas muito mais do que ter um computador em cima da mesa alguns anos atrás.

Usar um computador exigia habilidades e conhecimentos comparativamente bem mais difíceis de adquirir do que os necessários para usar um smartphone, além do custo mais alto. Quem já deu “aula de computador” lembra de usar o jogo de paciência para ensinar e praticar o uso do mouse. Hoje o mouse é o dedo que a gente sabe usar muito bem.

Mas digressiono. A soma do acesso à internet com a onipresença e facilidade de uso do smartphone, principalmente na faixa mais pobre da população, pode mudar vidas como nos dois exemplos a seguir que usam outro onipresente, o Whatsapp, como ferramenta de trabalho.

Quentinhas por Whatsapp

Perto da minha casa tem uma senhora que desde sempre vende quentinhas na rua e por isso deve ter uma clientela fiel. Pois agora nas férias escolares ela trouxe o neto para ajudar.

O garoto passa o tempo com a cara colada no smartphone recebendo mensagens, informando os pratos e preços do dia e anotando pedidos. Quando junta um volume deles, pega a máquina de cartão e sai para fazer as entregas enquanto a avó continua vendendo na esquina. Não sei se há uma taxa de entrega, faria sentido.

Você deve ter lido reportagens sobre como o mercado de quentinhas cresceu no último ano. Tanto vendedores como consumidores adotaram esse tipo de negócio como resposta à crise, e no caso da minha vizinha ambos estão se aproveitando de um aplicativo gratuito para vender mais enquanto melhoram o serviço. É uma tecnologia de comunicação gerando renda para quem mais precisa.

Empregos por Whatsapp

Outro exemplo do Whatsapp como plataforma de negócio social gerando dinheiro e renda vem de dois empreendedores de São Paulo. Eles criaram a Kunla – uma abreviação da palavra kunlabori, que significa colaborar em esperanto. A Kunla é uma agência de recrutamento que contrata e treina mulheres com filhos pequenos, moradoras de comunidades carentes, para encontrarem perto de onde moram os candidatos buscados pelas empresas clientes da startup.

Uma consultora da Kunla cadastra nas comunidades mães interessadas em serem agentes recrutadoras que passam a receber diariamente os anúncios de vagas por Whatsapp. As posições são sempre para a região onde moram para evitar deslocamentos e os custos relacionados. A partir daí elas começam a buscar candidatos, fotografam e mandam os CVs para análise na Kunla, também por Whatsapp, e recebem R$ 150,00 por cada candidato contratado (dos R$ 250,00 que a Kunla cobra das empresas).

A iniciativa já têm cerca de 700 mães cadastradas, mais de 200 vagas oferecidas e recentemente foi selecionada para aceleração na Estação Hack, a novíssima aceleradora do Facebook, em São Paulo.

Como mostra a matéria do Na Prática, “Os sócios sempre são questionados do por que escolheram mães como alvo do negócio social. Não é difícil deduzir que uma mulher sem acesso a uma creche tem que ficar em casa para cuidar das crianças acaba se tornando financeiramente dependente de alguém. “Quando isso acontece, vimos que é a qualquer custo. Não importa ao que ela ou a criança serão submetidas”.

Dois exemplos que refletem esse potencial de oportunidades criado pelas novas tecnologias. Caminhos que pouco provavelmente tinham sido previstos quando o Whatsapp foi criado e a prova de que fácil e barato acesso à tecnologia e à internet são cada vez mais fundamentais para o crescimento individual e do país e não devem nunca ser tratados como algo não essencial.

Whatsapp da China

O equivalente do Whatsapp na China, que é um mundo paralelo em matéria de tamanho de mercado e consequentemente de empresas, é o WeChat. Ele domina o mercado de mensagens instantâneas por lá e vai muito além em matéria de serviços, mostrando todo o potencial de monetização de ferramentas e apps gratuitos. Vejam só:

Carteira de Identidade e Motorista: 2018 verá um novo esquema de identificação digital em toda a China. As carteiras de identidade serão acessíveis através de um mini programa dentro do WeChat. Certas cidades da China, como a Shenzhen, aceitam as versões digitais das licenças de motorista armazenadas no WeChat desde 2016.

Cartões de crédito / débito: Conecte seus cartões de crédito ou débito ao WeChat e o Alipay (plataforma de pagamentos do Alibaba), depois guarde-os em uma gaveta qualquer. Você não vai precisar deles no dia-a-dia na China. Todos os pagamentos serão feitos pelo WeChat.

Cartões de fidelidade: os cartões de fidelidade física estão se tornando uma relíquia na China. Os clientes podem armazenar e usar pontos de fidelidade pela conta oficial do WeChat de uma marca.

Dinheiro: Quem precisa de dinheiro vivo? Os pagamentos móveis agora representam mais de 2/3 de todas as transações em lojas de conveniência chinesas. E o WeChat tem uma plataforma só para isso.

Recibos: Comprovantes digitais legalmente válidas através do WeChat são bastante comuns, particularmente nas cadeias de restaurantes.

Cartões de visita: indo para um evento na China? É melhor você ter o código QR do WeChat pronto, você precisará dele tanto quanto do seu cartão de apresentação profissional.
Resumindo: sua carteira com todo o seu dinheiro, cartões e documentos em breve vai migrar para um app. Acostume-se com isso.

Cash is king. É mesmo?

dinheiro

Falando em dinheiro vivo, ou na sua morte, como já vimos que está acontecendo em países como Suécia e Noruega, movimentos em direção a uma economia cada vez mais digital, um ambiente de pagamentos cada vez mais baseado em transferências eletrônicas e não em troca de notas e moedas já está acontecendo em comércios locais.

Matéria no NYT mostra como uma série de pequenos negócios, cafeterias, restaurantes e e lanchonetes na região de Midtown em Nova York deixaram e aceitar pagamentos em dinheiro vivo, num movimento que está se espalhando pela cidade mais cosmopolita do mundo.

Além da segurança de não ter dinheiro vivo na casa e assim evitar roubos, nos EUA o tempo de um pagamento por cartão é menor – transações até 25 dólares não precisam de autenticação – e o processo posterior menos trabalhoso do que lidar com notas de dinheiro. O que se busca aqui é também eficiência de processos repetitivos e otimização do tempo dos trabalhadores. O custo cobrado pelo cartão é compensado em horas de trabalho que efetivamente produzam valor.

Além da otimização de tempo e processos, o aumento dos pagamentos digitais, em um processo mais lento, também pode causar uma diminuição do poder de algumas moedas fortes como o dólar e o euro, pois transações digitais podem acontecer em qualquer moeda, até nas criptomoedas como o tão falado Bitcoin. Por que ter uma nota de dólar no bolso se posso ter todas as moedas num cartão ou no meu smartphone?

Mas como a matéria mostra, a combinação com o consumidor ainda passa por ajustes. Muitos ficam surpresos pelo estabelecimento não aceitar dinheiro, outros já acham super normal. É aquele limbo de que tanto falo. Esse limbo ainda está longe da Europa onde cash ainda é rei, como mostra o mapa abaixo (dados de 2016).

Por questões sociais, culturais, históricas, tributárias e regulatórias o desaparecimento do dinheiro vivo está muito longe. Apesar das evidentes vantagens dos pagamentos digitais, os obstáculos são enormes, principalmente sobre como incluir os desbancarizados nessa equação. Mas não podemos fechar os olhos para o caminho que estamos tomando nessa direção.

Viabilizando frota elétrica no Brasil

energia | transportes

Os desafios para viabilização de uma frota relevante de carros elétricos no Brasil são muitos. Carga tributária elevada, energia cara – no Paraguai é 7x mais barata – álcool combustível polui menos do que gasolina o que diminui o apelo ecológico pela eletricidade, interesses de montadoras e plantadores de cana de açúcar e desinteresse político são apenas algumas deles. Mas isso não quer dizer que esse movimento global não está acontecendo por aqui.

Recarga na Dutra

Uma parceria da BMW com a portuguesa EDP está criando uma rede de postos de recarga ao longo da Rodovia Presidente Dutra com o objetivo de possibilitar a viagem num carro elétrico entre as duas maiores cidades do país sem medo de ficar parado no meio do caminho. Os primeiros pontos serão instalados em postos de gasolina da rede Ipiranga e irão permitir uma recarga de 80% em cerca de 20 minutos.

Redução de impostos

Num movimento surpreendente para um governo que tem se preocupado mais na sua sobrevivência no curto prazo do que em projetos de longo prazo para o país, o presidente pretende editar uma medida provisória para incentivar a produção de carros híbridos e elétricos no Brasil reduzindo o IPI de 25% para 7%.

Isso pode baratear os preços dos veículos elétricos por aqui – o pequeno BMW i3 custa R$ 160 mil – e com os lançamentos do e-Golf da Volkswagen e do Chevrolet Bolt (o segundo elétrico mais vendido dos EUA em 2017) pelo menos dobrar a quantidade de veículos elétricos e híbridos emplacados por aqui ano passado que somaram pouco mais de 1.800 unidades.

Assinatura mais barata do que o produto

negócios | entretenimento

Você lê bastante por aqui sobre serviços de assinatura, aqueles que por um preço fixo o cliente recebe regularmente um produto (com os clubes de livros de papel) ou tem direito de usar um serviço quase sem limite (como os clubes de e-books). No primeiro caso a demanda certa viabiliza um planejamento de custos melhor e assim o lucro da empresa. No segundo, o custo marginal do produto digital é tão diluído que praticamente desaparece. Mas há assinaturas mensais que custam tanto quanto um único produto em si. Como pode?

A Moviepass é uma empresa americana que através de um app e um cartão de débito próprio, oferece sessões de cinema ilimitadas por apenas US$ 9,95 por mês quando o valor médio de uma entrada de cinema por lá é de aproximadamente US$ 9. Mas ao contrário das assinaturas de livros de papel, ela paga o preço integral da entrada ao exibidor e absorve o prejuízo desde o segundo uso do assinante. De novo: como é possível montar um negócio assim?

A história é longa, vale ler aqui, mas, resumindo, a Moviepass tem hoje um milhão de assinantes e recebeu US 60 milhões de aporte porque não pretende ganhar dinheiro com assinaturas, mas vendendo aquilo que é considerado o novo petróleo: informação.

Com a indústria do cinema em declínio, os executivos da MoviePass entendem que as informações e hábitos colhidos dos seus clientes podem ajudar estúdios e distribuidores na criação de produtos e serviços que atendam a esse novo consumidor que tem preferido assistir filmes através de streaming, onde estiver, na hora que quiser, e assim reverter esse quadro. Claro que no dia que seus clientes também gerarem um volume considerável de compras, ela poderá negociar com esses mesmos grupos um preço melhor para as entradas que vende. Mas isso é outro assunto.

Da mesma forma que o dinheiro vivo está longe de desaparecer, a experiência da tela grande também não vai ser abandonada tão cedo. Por isso mesmo surgem essas iniciativas que pretendem acrescentar uma camada extra de inteligência a um negócio tão old-fashioned mas ainda desejado como o cinema, que, por incrível que pareça, ainda solicita a presença do consumidor num determinado local num horário específico apenas para ver um filme 😊.

Nós em mil anos

ciência

Sei que o tempo parece passar cada vez mais rápido, ainda assim, 1.000 anos é muita coisa. Mas nós, sapiens, estamos aqui já há 350 mil anos, e por isso já dá para prever um pouco da nossa evolução no próximo milênio. É o que o vídeo abaixo mostra. Não seremos como o Steve Austin, mas estaremos bem perto disso.

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