PanoraMix#39 | Jornalismo, IA x Advogados, Pílula com chip, Religião digital

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Festival 3i e o novo jornalismo

mídia | negócios | tecnologia

Semana passada, curioso que sou, fui assistir ao Festival 3i de Jornalismo (inovador, inspirador e independente). Organizado por oito novos veículos nascidos digitais – Agência PúblicaNexoPonteLupaBrioRepórter BrasilNova Escola e Jota – com o apoio do Google News Lab pretendia discutir questões que rondam quem está montando novas iniciativas jornalísticas. Esperava encontrar lá novas visões, iniciativas, modelos e gente que buscassem salvar o jornalismo do poço onde ele se deixou meter.

Com raras exceções, o que encontrei foram exatamente os motivos que o estão levando a tal situação: ranço, raiva, ativismo político e ideologia. Muita gente nova com muito mais do mesmo e muito pouco de novo. Não acredito que sejam essas pessoas na plateia e no palco que irão levar o jornalismo a um novo patamar de confiança, qualidade e, consequentemente, faturamento.

Nessa nova era do jornalismo que o festival pretendeu representar, Google e Facebook são, sempre junto com a Globo, os grandes vilões a serem derrotados. Aprendi também que muitos veículos dessa nova mídia devem a sua sobrevivência ao mesmo capital privado, muitas vezes estrangeiro, que no fundo detestam. Vi também muito jornalista que não sabe falar português e não conhece o básico de como funcionam as plataformas – Facebook e Google – que usa para distribuir seu conteúdo.

Exceções para mim foram a lucidez do Nexo com seu jornalismo de contexto que não conta clique, mas assinaturas e o Facebook explicando que como seu negócio depende da qualidade do que é publicado, tem sim o dever de reduzir o alcance de determinadas publicações que buscam apenas o clique fácil para vender tráfego aos anunciantes, o famoso click-bait. Teve jornalista achando isso um absurdo, chamando de censura, e teve regulador chamando de modulação. Eu chamo de sobrevivência. O Google, cuja receita vem do clique, faz isso no seu AdWords desde sempre.

Eu esperava mais discussões sobre modelos de negócios, plataformas e tecnologias digitais que venham a viabilizar o novo jornalismo e encontrei mesas e presenças que pareceram ter sido criadas apenas para consolidar o posicionamento político-ideológico dos participantes.

Se por um lado não foi uma boa experiência para um outsider, por outro confirmei in loco que, com poucas exceções, novos e velhos jornalistas ainda não perceberam que é a qualidade da informação e não o posicionamento ideológico ou o ativismo político-social que vai fazer deslanchar o necessário jornalismo inovador, inspirador e independente.

E que se depender da pesquisa feita pelo Atlas da Notícia analisada pelo Observatório da Imprensa, estamos caminhando para um cenário de jornais sem jornalismo e jornalistas sem jornais.

Mas enquanto nossos jornalistas discutem ideologia e se vitimizam, outros fazem dinheiro.

The New York Times
Apesar de ter perdido 20% da receita de propaganda impressa no trimestre em relação ao ano passado, o The New York Times teve um aumento geral de 6% no seu faturamento graças ao aumento das assinaturas e da propaganda digital. O curioso é que 49.000 das 154.000 novas assinaturas vêm das verticais de palavras cruzadas e de receitas culinárias. Mais de 30%. As ações do jornal são as que têm melhor performance do segmento com alta esse ano de 34%. A Poynter tem mais detalhes.

The Guardian
Enquanto alguns dos nossos novos veículos digitais acreditam no click-bait como ferramenta de faturamento, o tradicional jornal inglês The Guardian confirma que o caminho é outro. Desde fevereiro a publicação fatura mais com a qualidade do seu conteúdo e a consequente confiança de seus leitores que contratam assinaturas e fazem doações do que com publicidade. Um detalhe gigante: o Guardian não tem paywall…

Num esforço que reúne diversos departamentos – editorial, produto, marketing, comercial, TI e UX – o jornal tem agora padrões de consumo e informações que irão ajudar a manter e conquistar novos assinantes com criatividade e jornalismo de verdade. O Digiday tem mais detalhes sobre como o Guardian vem conseguindo crescer sem paywall nem mimimi.

The Washington Post 
E enquanto aqui discutimos ativismo no jornalismo e o NYT e Guardian ganham dinheiro, o Washington Post criou uma plataforma de publicação que além de resolver seus próprios problemas, virou um negócio que está ajudando outros jornais na transição imparável para o digital.

Desde 2014, apenas um ano depois de ter sido comprado por Jeff Bezos, o WP criou uma operação chamada Arc Publishing que comercializa como serviço sua plataforma de publicação. O negócio oferece a terceiros as ferramentas desenvolvidas para editores e jornalistas do jornal da capital americana. Além disso, o sistema garante ao leitor uma experiência fluida independente de dispositivo, num modelo parecido com o que a WordPress faz para publicações como o Panora. A Fast Company conta que negócio é esse e como a Amazon também consegue ter uma parte da operação.

Três exemplos de como o negócio dos jornais mudou. Só não vê, e muda junto, quem não quer.

Medicamento em pílula com chip

tecnologia | medicina

Pela primeira vez a FDA, órgão regulador da indústria farmacêutica americana equivalente à nossa ANVISA, aprovou a comercialização de um medicamento em forma de pílula equipada com um chip rastreável. O medicamento é destinado ao tratamento de transtorno bipolar, esquizofrenia e depressão severa, além de outros transtornos de origem mental.

A pílula digital se comunica com um sensor adesivo colado no peito do paciente e este se conecta por Bluetooth a um app no seu smartphone. Dessa forma o paciente pode permitir que informações sobre quando a pílula é ingerida seja compartilhada com o médico e outras quatro pessoas.

Claro que o medicamento levantou questões de privacidade e de viabilidade que não existiam até então. Mas com falhas na medicação sendo responsáveis por $100 bilhões de dólares anuais em custos hospitalares apenas nos EUA, talvez esse tipo de medicamento, pelo menos para alguns tratamentos, se torne padrão na medicina. O NYT tem mais detalhes.

Advogados x Inteligência Artificial

tecnologia | sociedade | trabalho | educação

Você já sabe que nossas universidades despejam 90.000 bacharéis em direito todo ano no mercado (são dez bacharéis por hora), certo? Já parece demais mesmo sem saber que em alguns casos, no sentido jurídico do termo, computadores são melhores do que bacharéis humanos quando se trata de interpretar a lei.

Criada por estudantes de direito de Cambridge, a plataforma de inteligência artificial CaseCrunch obteve 86% de precisão contra 66% dos humanos sobre centenas de casos de venda incorreta de seguro de proteção de pagamento, e deveriam prever se o provedor financeiro de justiça permitiria uma reclamação. Claro que ainda é cedo para dizer que teremos máquinas atuando em tribunais, mas se eu fosse estudante de direito…

Nós + Ele

tecnologia | religião

Depois de criar algumas tecnologias usadas em veículos autônomos, Anthony Levandowsky entende que está na hora da inteligência artificial assumir a direção de crenças e religiões.

Chamada de Way Of The Future, a nova igreja criada por Levandowsky pretende angariar recursos para desenvolver hardware e software de um deus baseado em IA que será, obviamente, bilhões de vezes mais inteligente do que um ser humano e, portanto, capaz de ajudar-nos de forma muito mais eficaz nas nossas demandas. Uma Siri mais evoluída, talvez.

Acompanhando as notícias desse mundo onde estamos vivendo, você acha mesmo isso um absurdo? Leia a entrevista com Anthony Levandowsky e veja como ele faz mais sentido do que alguns líderes religiosos atuais. O que, convenhamos, não é nada difícil.

O melhor amigo do jornal

humor | ou não

Já que começamos falando do futuro dos jornais, o Porta dos Fundos tem uma visão bem mais prática dessas assinaturas que são o santo graal do jornalismo.

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