PanoraMix#32 | Uma nova fronteira para varejo e marcas

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Quem disse que o varejo nunca mais será como antes?

varejo | consumo

O varejo é talvez o ponto mais próximo de contato entre nós e as transformações digitais que estão acontecendo na nossa sociedade. Tem sido no dia a dia do consumo de produtos e serviços físicos e digitais que muitos novos negócios e modelos comerciais têm surgido para transformar o varejo como conhecemos.

Embora a velocidade dessas transformações seja alta, não é a primeira vez que o varejo se reinventa profundamente, e olhar para o passado pode nos dar uma boa ideia do que está por vir. É esse o assunto da matéria da The Atlantic sobre a história da Sears, varejista americano que completa agora 100 anos, e que foi responsável por transformações tão profundas no varejo que fica impossível não comparar ao que está acontecendo com a Amazon. As semelhanças são surpreendentes: ambas empresas começaram a vender por catálogo com apenas um produto, Amazon com livros, Sears com relógios. As duas, após anos vendendo pelo correio, abriram lojas físicas e num movimento natural passaram a complementar a oferta de produtos físicos – e digitais – com serviços como seguros e empréstimos.

Se você gosta do assunto, vale a leitura. O paralelo entre as duas empresas é impressionante. Só esperamos que o futuro da Amazon não seja igual ao presente da Sears.

Lutando contra um futuro igual ao da Sears, a Best Buy, outro enorme varejista americano com mais de 1.000 lojas e fundado em 1966, está tendo bons resultados com sua transformação que não é só digital. Busca por preços mais competitivos, atendimento especializado, corte de custos e showrooming para grandes marcas de eletrônicos fizeram suas ações subirem 50% no último ano enquanto grandes concorrentes fechavam as portas. A matéria do New York Times tem mais detalhes sobre essa transformação no varejo de eletrônicos.

Mas nenhum varejo muda sozinho, muda sempre com o consumidor que está cada vez mais impaciente e aceita esperar cada vez menos pelas suas compras online. (Se você leu o link acima, viu que uma das mudanças implementadas pela Best Buy foi para entregar compras mais rapidamente direto de uma loja e não de um armazém central).

Segundo pesquisa divulgada pela Quartz, em 2012 50% dos consumidores estavam dispostos a esperar até uma semana por suas compras online com frete grátis. Em 2016 esse número caiu para 33%. Na mesma matéria o Morgan Stanley suspeita que essa impaciência crescente se deva ao aumento de assinantes do Amazon Prime que oferece entrega em até dois dias aos seus membros.

E no que depender da Amazon, a pressão do consumidor não vai ser um problema. Depois da compra da Whole Foods, as possibilidades de atender melhor e mais rápido o consumidor se multiplicaram muito. Veja o vídeo abaixo e imagine se a Sears que você conheceu seria capaz de fazer algo assim.

Varejinho ultralocal

varejo

Pensando num consumidor ainda mais impaciente, que deseja ainda mais conveniência, foi que um empreendedor americano criou a Bodega, um varejo que se posiciona entre a loja da esquina e a compra online.

A empresa instala pequenos armários em portarias, academias de ginástica e escritórios onde seus clientes podem comprar artigos de uso frequente como material de limpeza e higiene e alguns alimentos. A abertura dos armários é feita por senha e os produtos que o cliente retira são monitorados por câmeras. Não há checkouts nem leitores de cartão. Câmeras monitoram o que é retirado da bodega e o pagamento é feito no aplicativo. Mais detalhes sobre a Bodega e porque ela envolve uma polêmica, na matéria do Tech Crunch.

Marcas, por que tê-las?

branding

O varejo emprega 10% da força de trabalho americana, mas criar uma marca de valor nessa área não é fácil. Segundo a consultoria Interbrands, entre as 100 mais valiosas marcas do mundo apenas duas são de varejo, Amazon Ebay. A mais valiosa é a Apple e as gigantes da tecnologia dominam os primeiros lugares.


Mas pode ser que numa economia onde a  inteligência artificial passe a tomar muitas decisões em nome dos consumidores, fique cada vez mais difícil para as marcas, principalmente as novas, atingirem o cliente.

Com assistentes pessoais e até eletrodomésticos, como geladeiras conectadas, tomando decisões de compra por nós, talvez vejamos a volta das amostras grátis e o aumento de ações de ativação offline para compensar a atuação dos algoritmos. Não é à toa que todas as grandes empresas de tecnologia estão investindo pesado em dispositivos de voz, são eles que irão fazer parte das nossas compras. Leia mais na matéria da Business Insider. E do jeito que a coisa vai, vão fazer essas compras na Amazon com entrega grátis em menos de um dia.

Para você ter uma ideia de como os algoritmos, se ainda não compram por nós, já anunciam para nós, a plataforma de inteligência artificial Watson da IBM cria ofertas de acordo com o clima. O sistema cruza a previsão do tempo com o portfólio de produtos e oferece ao comprador o produto certo para/na hora certa. O exemplo abaixo é de uma marca, mas poderia de um varejista online oferecendo diversas marcas diferentes. Imagine o poder que esse Watson pode ter.

O bonde que vamos perder

transportes | cidade | energia

Você lê bastante por aqui sobre carros elétricos que deixaram de ser uma promessa, passaram a ser uma tendência e hoje já são realidade em vários países. Mas enquanto lá fora países como França, Noruega e Índia e montadoras como Volkswagen Volvo já colocaram data para deixarem de vender e fabricar carros à combustão, por aqui o caminho vai ser mais longo. Não há política estatal clara sobre o tema e isso gera incerteza sobre a viabilidade desse tipo de veículo no Brasil.

Há também uma certa acomodação; enquanto nos EUA, Europa e Japão a Tesla criou sua própria rede de recarga, aqui as montadoras esperam que o governo o faça: “Lançar carro elétrico não depende só do desejo dos clientes. Tem que ter infraestrutura, ela precisa estar pronta”, afirma David Powels, que comanda a Volks no Brasil e na América do Sul.”

Além disso temos o álcool combustível, que é menos poluente do que a gasolina, e toda a cadeia de produção e interesses ao seu redor. O G1 tem uma matéria interessante sobre esse bonde que estamos perdendo. Minha sensação é que ao invés de importarmos carros elétricos, vamos importar velhas e desatualizadas fábricas de carros à combustão como já aconteceu nos anos 80.

Mas quem sabe a gente não comece pelos carros e sim pelos ônibus elétricos que estão ficando cada vez mais eficientes e baratos e não são movidos a álcool?

Um novo mundo

música

O mundo anda estranho. Cada vez mais dividido, belicoso e individualista, repetindo um comportamento da época da guerra fria, quando uma ameaça nuclear era iminente.

Mas, apesar de tudo, aquela era uma época mais romântica, menos dura e radical que a nossa. É isso que New Frontier do Donald Fagen – dos meus artistas favoritos – mostra nesse vídeo, onde um casal de jovens entra num abrigo nuclear não exatamente para se protegerem de um ataque. Assista até o final.

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