PanoraMix Especial | Comportamento e Sociedade

Serão nossos comportamentos que mudam a sociedade ou são as mudanças que a tecnologia viabiliza para a sociedade que mudam nossos comportamentos e atitudes.

Um pouco de cada um, como você vai ver nessa compilação do que já publiquei sobre comportamento e sociedade.

Abs,
Paco Torras


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Os novos junkies

Mesmo com a legalização da maconha em muitos estados americanos, os adolescentes por lá estão consumindo cada vez menos drogas, inclusive as legais como o álcool. Uma corrente de especialistas está começando a achar que não são as campanhas contra as drogas que estão surtindo efeito. Os jovens parecem só estar trocando de vício: drogas e cigarros pelo estímulo constante do smartphone.

NYT conta em detalhes esse comportamento ainda a ser confirmado.

A correlação entre smartphones e drogas ainda é uma teoria que precisa ser estudada mais a fundo, mas lembra outro fenômeno que aconteceu aqui no Brasil mais de uma década atrás: Notou-se uma queda no consumo formiga de cimento, aquele saco que o cara compra para fazer uma obrinha no final de semana em casa, e descobriu-se que o motivo era que o consumidor preferia colocar créditos no celular pré-pago. Não é um vício, mas é igualmente uma opção entre produtos que não pareciam nem de longe concorrentes.

Mas o fato é que se antigamente a gente não tirava o ouvido do celular, hoje a gente não consegue tirar os olhos dele. O vício é legítimo, independente de outros vícios e atinge jovens e adultos da mesma forma.

Para o psicólogo Adam Alter, autor do livro “Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Keeping Us Hooked” vício é aquilo que fazemos e nos dá prazer imediato, que nos prejudica no longo prazo, mas que continuamos a fazer mesmo assim. Tem definição melhor para como usamos nossos smartphones?
Leia a entrevista completa com o psicólogo e veja como a teoria de trocar drogas por minutos no celular parece fazer muito sentido.

Tomada de poder sem golpe

Duas iniciativas brasileiras no sentido de tornar governantes e legisladores mais transparentes e consequentemente menos poderosos, nem que seja na marra, confirmam que estamos num caminho sem volta.

O site Datapedia se propõe a coletar, organizar, traduzir e disseminar dados públicos de todo o Brasil. Informações econômicas, geográficas e sociais são apresentadas para cada município brasileiro numa interface limpa a direta, com gráficos de tempo de acordo com os dados disponíveis. Faça sua pesquisa aqui. Além disso, os idealizadores também oferecem serviços de análise de dados, palestras e oficinas que ajudam cidadãos e gestores públicos a entender e agir sobre suas cidades.

Rosie
Viabilizado por uma vaquinha que arrecadou R$ 80.000, o robô Rosie verifica se os reembolsos de despesas lançadas pelos deputados federais são consistentes com a realidade e aponta casos nos quais isso parece não acontecer. Sempre utilizando dados públicos, a ferramenta cruza informações diversas atrás de irregularidades. O trabalho para ensinar as máquinas a identificar possíveis inconsistências é feito principalmente por sete especialistas que contam com ajuda de mais de 180 voluntários pelo mundo.

Com uma nota fiscal do almoço de um deputado, o sistema verifica se o restaurante realmente existe e pode verificar, por exemplo, se é de algum parente dele. Pelo menos 629 casos foram flagrados utilizando a tecnologia do Rosie pela Operação Serenata de Amor – não me perguntem de onde veio esse nome – e R$ 378.000 contestados.

Quem precisa de neurônios?

Depois de criar PayPal, Tesla, Solar City, Space X e Hyperloop, entre outras empresas revolucionárias, o sul-africano Elon Musk acaba de lançar-se mais um desafio: fazer um upgrade do nosso cérebro conectando-o a um computador.

Neuralink pretende viabilizar o implante de eletrodos no cérebro – coisa que hoje só é feita como última opção devido ao risco e complexidade da operação – tornando-o capaz de aumentar o nível cognitivo e assim nos tornar mais competitivos frente à inteligência artificial que vai assumir várias funções hoje exclusivas de nós, humanos.

Resumindo: precisaremos nos conectar a computadores para aumentar a competitividade frente a esses mesmos computadores. A The Verge tem mais detalhes, que não são muitos.

Entre o anel e a luva, fique com os dois

Menos arriscados e obviamente menos megalomaníacos, são os implantes que uma empresa sueca está oferecendo desde 2015 aos seus funcionários. Com um chip implantado na mão, eles poderão abrir portas e usar serviços que de outra maneira precisariam de um obsoleto crachá.
Claro que em breve o chip vai poder fazer pagamentos, medir funções corporais e se comunicar com outras máquinas mais elaboradas do que fechaduras e fotocopiadoras. À nossa revelia. Veja como funciona e o que os funcionários pensam disso, nesse vídeo aqui.

A nova política

Um dos links mais clicados na PanoraMix#07 fala da mudança no eixo do poder que a tecnologia tem viabilizado. Logo em seguida, na mesma edição, falo de iniciativas privadas que tornam entes públicos mais transparentes e consequentemente menos poderosos. A Folha de sábado traz uma matéria que vai no mesmo caminho e mostra como está mais fácil unir pessoas com ideias e projetos em comum para construir opções políticas e tentar levar nossa política e nossas políticas econômicas e sociais a um patamar mais evoluído e alinhado com as necessidades e demandas de uma população com muito mais acesso à informação.

Agora!, Livres, Meu Rio, Acredito!, Novo e MBL são apenas alguns desses novos grupos que captam seguidores e disseminam suas propostas utilizando intensamente plataformas digitais como aplicativos, sites, IMs e smartphones, enquanto a velha política ainda se baseia em minutos de TV para divulgar ideias que cada vez mais parecem tão antigas quando os meios utilizados para divulgá-las.

Leia aqui a matéria da Folha de São Paulo de domingo e a coluna de ontem do Ronaldo Lemos tratando exatamente do mesmo assunto no mesmo jornal.

Uma constituição para homens e máquinas

Falando em poder e tecnologia, um dos grandes desafios que nossos empresários terão para modernizar o país será fazer os legisladores entenderem como encontrar o equilíbrio entre regulação e evolução tecnológica.

Desde o Uber, que vem sofrendo restrições e banimentos em diversos países, até novas formas de produzir alimentos em laboratórios, novos entendimentos sobre leis trabalhistas, concessões estatais e direitos civis vêm se tornando fundamentais para não desestimular avanços, não só tecnológicos, mas sociais, ambientais e econômicos.

A última questão nesse sentido foi levantada pela Amazon e se refere aos arquivos de áudio gravados por um dos seus assistentes pessoais por voz, Alexa. A questão é: o que uma máquina “fala” ou “escuta” pode/deve ser protegido pelas mesmas leis e confidencialidade de um ser humano?

Tudo começou com um pedido da justiça americana para que a Amazon liberasse os áudios gravados por um dispositivo Echo de um cliente envolvido, o usuário e o aparelho, num caso de assassinato em 2015. Parece que o Echo escutou o que não deveria.

No caso, argumentaram os advogados da Amazon, as decisões da plataforma sobre quais informações fornecer nos resultados de busca solicitados pelo usuário são “opinião constitucionalmente protegida” e, portanto, têm direito a “plena proteção constitucional”, exatamente como os humanos. Alguns advogados concordam nisso.

A justiça terá um longo caminho no sentido de esclarecer de forma justa esses tipos de questões que se tornarão cada vez mais comuns, pertinentes e relevantes para pessoas, máquinas e empresas.


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Uma barreira a menos

Sou daqueles que acredita que muito em breve não será mais por não entender outros idiomas que iremos brigar. Diversas iniciativas em softwares e hardwares que viabilizam traduções instantâneas em voz, texto ou imagens mostram que saber um segundo idioma é importante, mas vai deixar de ser imprescindível.

ili é um pequeno dispositivo que traduz em até 0.2 segundos frases entre japonês, chinês e inglês, sendo ideal para viajantes. Veja o ili em ação aqui.

Tão útil quanto para viajantes, gratuito e já disponível em qualquer smartphone há algum tempo, o Google Translate, além de traduzir voz, é capaz de traduzir textos presentes em imagens. Basta apontar a câmera do celular para uma placa na rua para ver o que ela diz em um dos 27 idiomas disponíveis. Assista aqui um vídeo da ferramenta traduzindo a letra de uma música que todos conhecemos e aqui outro, explicando como o Translate funciona.

A última adição nessa área vem de uma das mais antigas ferramentas de comunicação on-line. O Skype agora pode traduzir conversas de voz entre dez idiomas em tempo real. Veja aqui um vídeo com estudantes conversando em dois idiomas diferentes.

Outra iniciativa, que além de traduzir muda a vida das pessoas, é o Hand Talk. Aplicativo desenvolvido em Alagoas que traduz textos, sons e imagens para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), permitindo a comunicação com deficientes auditivos.  “Através de uma biblioteca de animação, programada por um conjunto de mais de 300 palavras, o Hand Talk converte dados de texto, som e imagem que são mostrados pelo Hugo em Libras”. Hugo é o boneco que se faz de interlocutor entre o Hand Talk e os deficientes auditivos usuários da tecnologia.

Ainda falta muito para que traduções instantâneas feitas por máquinas sejam aceitas em transações legais e negociações empresariais ou diplomáticas, mas iniciativas como essas acima têm um enorme potencial de viabilizar e agilizar atividades colaborativas e educacionais. E de evitar alguns conflitos.

Ler para poder comentar

Que com a internet e as redes sociais a quantidade de leitores de notícias aumentou enormemente, ninguém discute, mas com eles vieram os não-leitores.
Não-leitores são aqueles que leem apenas a chamada, a manchete, acham que já entenderam tudo e que estão aptos até a comentar a notícia.

É o que mais tem, mas se depender da NRK, a emissora pública de rádio e TV da Noruega, brigas e conflitos infundados entre não leitores vão diminuir.

Para poder comentar as notícias, o leitor deverá responder três perguntas tipo múltipla escolha sobre o conteúdo apresentado.

Claro que o objetivo é garantir que os comentadores não restrinjam a leitura apenas à chamada e assim melhorem o nível dos comentários, principalmente em questões mais polêmicas.
Em tempos de polarizações globais, parece um caminho sensato para garantir um convívio mais harmonioso entre seres humanos. Pelo menos na Noruega.

Eremitas urbanos

O sucesso da Netflix apenas reforça um comportamento social que vem se intensificando. Em uma sociedade onde quase tudo pode ser entregue em casa, surge a classe dos eremitas urbanos, aqueles que nunca saem de casa para nada, tudo vai até eles. Leia essa reportagem e veja se você se identifica.
O fenômeno da concentração urbana é tão grande que 50% da população mundial já vive em apenas 1% do território terrestre.

Esse movimento é não só uma enorme oportunidade para negócios em diversas áreas, entregas, energia, alimentação, transporte…, mas principalmente um enorme desafio para urbanistas, legisladores e administradores públicos que terão que encontrar soluções de infraestrutura para atender essa população urbana crescente.

Veja aqui tudo o que já publiquei sobre os impactos do crescimento urbano na nossa sociedade.

Mobile first mesmo

Parece até incoerente, mas ao mesmo tempo que cresce a quantidade de eremitas urbanos, cresce também a quantidade de acessos de serviços pelo smartphone, um dispositivo intrinsicamente móvel.

No Brasil, o acesso móvel já é o principal canal de uso dos serviços bancários. Em 2016, o mobile banking respondeu por 21,9 bilhões de transações, o que equivale a 34% do total. O crescimento registrado pelo canal móvel, em números absolutos, foi de 96% sobre o ano anterior.

Para quem, como eu, que um dia já quebrou a cabeça pensando em formas de driblar o medo dos consumidores em usar cartão de crédito online, essa notícia parece até fake news.

E como você já sabe, se os consumidores estão no mobile, é para lá que os anunciantes vãoUm estudo publicado pelo IAB – Interactive Advertising Bureau – mostrou que ano passado os investimentos em propaganda digital ultrapassaram pela primeira vez a verba publicitária destinada à TV. Para completar o cenário, foi o primeiro ano que o mobile superou o desktop no destino desse dinheiro.

Daí a gente pode dizer que nossa sociedade que vive cada vez mais concentrada está sempre conectada através de dispositivos móveis e gerando enorme quantidade de dados mesmo quando trancada dentro de suas conchas urbanas.

Carros e cidades vão deixar de ser inimigos

Você já leu no Panora que ter um carro vai ser como ter um barco ou um cavalo, deixar de ser uma necessidade e passar a ser um hobby. Isso acontece porque o compartilhamento de veículos em grande escala ao lado dos veículos autônomos e elétricos, irá transformar não só como utilizamos os carros, mas também como planejamos cidades e até países. Mas vamos por partes.

Todas as grandes montadoras de veículos já possuem um pé em algum serviço de compartilhamento, seja como acionista, seja com sua própria operação. O objetivo é claro: deixar de vender carros para vender soluções em mobilidade.

Todas as montadoras e muitas empresas de tecnologia já possuem protótipos funcionais de carros autônomos rodando por aí e já existem até serviços de carros sem motoristas em operação. Todas as montadoras também estão investindo pesado na viabilização de veículos elétricos em massa.

Veículos compartilhados, elétricos e autônomos parecem ser por enquanto o santo graal do futuro próximo da indústria automotiva.

Como você também já leu por aqui, informação é o novo petróleo, e nada faz mais sentido do que juntar a enorme quantidade de dados gerados por esse novo sistema de transportes para melhorar o próprio sistema de transporte público e assim as cidades como um todo.

Uber ajudando no planejamento urbano
Definitivamente a Uber não é exatamente amada pela maioria dos governantes simplesmente porque subtrai uma parcela do poder que eles têm sobre o sistema de transportes público. Sabendo disso, a empresa recentemente criou um banco de dados aberto aos municípios para ajudá-los a entender melhor como se dão os deslocamentos de seus passageiros pela cidade.

Uber Movement não é uma unanimidade entre planejadores urbanos, há várias informações sensíveis ao negócio que não são oferecidas, mas é sem dúvida um primeiro passo no sentido de integrar novos e antigos sistemas para atualizar os serviços de transporte público nos centros urbanos.

Há também o caso de uma pequena cidade do Canadá que entendeu ser a Uber a melhor solução para todo o seu transporte público e está subsidiando corridas contratadas pelo app ao invés de criar um sistema próprio. Leia mais sobre essa experiência no NYT.

Carros compartilhados barateando imóveis
Não precisa ser urbanista para ver que o aumento de carros compartilhados em detrimento do veículo próprio irá diminuir a demanda por vagas de estacionamento (estudos apontam que cada carro compartilhado retira até 28 carros das ruas). Essa tendência consequentemente irá permitir o aumento da área “construível” (que antes tinha que ficar livre para estacionamentos) e assim diminuir o valor do metro quadrado, pelo aumento da oferta, principalmente dos imóveis urbanos.

Carros compartilhados influenciando o desenho de ruas, praças e cidades é apenas mais um impacto desse tipo de serviço na nossa sociedade. A Curbed tem uma longa matéria sobre isso.

Índia elétrica
Outra tendência que irá mudar para sempre as nossas cidades será a do aumento de carros elétricos. Vários países já oferecem incentivos na compra de veículos elétricos, mas recentemente a Índia estabeleceu uma meta ousada: fazer com que até 2030 todos os carros rodando no país sejam movidos a eletricidade.

Ao contrário da Noruega, que estabeleceu uma meta parecida embora seja exportadora de petróleo, a Índia gasta anualmente US$ 150 bilhões importando petróleo. O objetivo é economizar US$ 60 bilhões e reduzir em 37% a poluição nas grandes cidades indianas.

Claro que essa decisão causou enorme impacto na indústria do petróleo, a Índia é o terceiro maior importador do mundo, e foi precedida de complexos cálculos que não podem ser simplesmente replicados em outros países pois a viabilidade da substituição de gasolina por eletricidade ainda não é totalmente óbvia. A Quartz explica o projeto e as diferenças da Índia para outros países.

Política, dinheiro e poder na nova economia

Achei que a leitura de um artigo meu de 2015 seria oportuna para o momento que estamos passando. É sobre como a transformação digital pode mudar tudo na política e na relação dos cidadãos com o poder.

“Se há alguém que se sente muito prejudicado pelos impactos da Nova Economia é aquele governo que não cumpre o seu papel de líder incentivador, que deixa de perceber e atender ao novo cidadão e que prefere negar a inovação e manter feudos e concessões por razões políticas.

Sem conseguir acompanhar as necessidades da nova sociedade e entendendo que a nova economia reduz a arrecadação de impostos, quando na verdade acontece o contrário, e consequentemente seu poder, legisladores muitas vezes escolhem proibi-la de existir ou funcionar a se apropriar dela e amplificar seus benefícios. Isso não acontece por desconhecimento sobre como funcionam os novos negócios, mas por puro medo de perder” ……continue lendo.

O futuro acelerado, agora

Tem muita gente boa pensando sobre o assunto que orienta tudo o que publico nessa newsletter e no panora.com.br: Como os avanços na tecnologia afetam o dia a dia dos negócios e da sociedade.

Sempre falo também que essas mudanças estão acontecendo à revelia de governos e grandes conglomerados – ambos estão tendo que se adaptar à força. Mas e se a sociedade não estiver pronta para absorver tudo ao mesmo tempo agora?

Não será a primeira vez que pessoas e empresas têm medo de grandes novidades. Luz elétrica, telescópios, trens, carros e TVs, apenas para citar alguns exemplos, foram num primeiro momento rejeitados, temidos até.

Hoje vivemos situações parecidas, mas com um agravante: elas não acontecem mais a cada década, mas a cada mês. Será que a gente consegue absorver, encampar e adotar tudo isso, e rápido?

A Inteligência Artifical, que já é comum sem que a gente perceba em ferramentas de atendimento, tradutores de idiomas e em sistemas de recomendação, é um exemplo de que humanos somos muito bons em nos adaptar naturalmente quando o futuro chega sem avisar. Aquele futuro que a gente imaginou, assistimos nos filmes e lemos nos livros, mas que não esperávamos poder ver e tocar. A capacidade de olhar para frente, para além dos próximos minutos, é o que nos difere dos outros animais. Ainda que inconscientemente.

Um artigo recente no NYT aprofunda esse tema e mostra que sim, que fomos feitos para viver o futuro, seja ele projetado, seja ele agora. E isso não é um hábito, é função do nosso cérebro. Não deixe de ler.

E se você gosta mesmo do assunto evolução e ainda não leu “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade” de Yuval Harari, não sabe o que está perdendo.

Aceleracionismo
Autores, em geral, são aqueles que melhor preveem o futuro mesmo sem querer. Com pouco ou nenhum compromisso com a realidade, são livres nas suas viagens no tempo e muitas vezes acertam mais do que erram.

Roger Zelazny foi um autor de ficção científica dos anos sessenta que em um de seus livros classificou um grupo de revolucionários que queriam levar a sociedade a um nível mais alto através da adoção pesada da tecnologia como “Aceleracionistas”.

O termo cai como uma luva para o momento atual quando vemos o mundo nesse passo acelerado de mudanças políticas, tecnológicas, de comunicação, comércio, trabalho, dinheiro e poder. Basicamente aceleracionistas entendem que devemos parar de acreditar que a evolução econômica e tecnológica pode ser controlada, e isso vai ao encontro com o que coloquei aqui acima em relação ao cérebro humano.

The Guardian tem uma matéria longa detalhando o movimento, seus líderes e detratores, colocando que no fundo somos todos aceleracionistas e justificando Karl Marx como o primeiro aceleracionista da história,

Lavou, tá novo. Versão online

Mas se o seu problema não é lidar com o futuro, mas com o passado, até nisso a tecnologia pode te ajudar.

Dois desenvolvedores suecos criaram o Deseat.me, um site que oferece a possibilidade de apagar completamente sua existência na web. Um suicídio online do qual você pode ressuscitar novo, limpo e fresco. Ou quase.

Depois de fazer login, o sistema mostra uma lista de serviços nos quais você tem conta com um link para deletar cada uma delas.

Se você está de saco cheio do estresse das redes sociais e dos inúmeros e inúteis serviços online que uma vez se inscreveu e nunca mais usou, o Deseat.me parece uma boa ideia. Lavou, tá novo.

Política, redes, avaliação e recomendação

Um artigo no site do Estudar na Prática fala de um grupo de brasileiros, ex-alunos de Harvard, que pretende renovar a política no Brasil começando por apoiar 30 candidaturas nas eleições de 2018.

O “Acredito” tem como objetivo “quebrar o monopólio de alguns sobrenomes no congresso e reaproximar a política da sociedade” e entende que é por meio da política a melhor forma de transformar o país.

O movimento pretende criar e distribuir conteúdo didático sobre política e temas nacionais, organizar eventos e debates nas cinco regiões do país e identificar novas lideranças com potencial de transformação política e apoiá-las.

Esse é apenas mais um exemplo de como a internet é capaz de criar redes de voluntários com objetivos em comum, a Wikipedia é seu exemplo mais conhecido, para mudar o mundo. Atitude virtualmente impossível anos atrás, o que viabilizou a existência desses grupos que agora estão sendo combatidos com o apoio da tecnologia.

Se você ainda não entendeu que o poder está mudando de mãos, leia esse meu artigo.

O IBOPE comprova o poder da internet e das redes sociais na política em pesquisa divulgada recentemente. Ela mostra que 56% dos entrevistados consideram que os dois meios terão algum grau de influência na escolha para presidente em 2018. Para 36% as redes terão muita influência.

A rede ganha de amigos, mídia e família que sempre apareceram na frente em pesquisas semelhantes. Mostra também que para 62% dos eleitores, celebridades e artistas não influenciam o voto em quase nada. O Estadão analisa o resultado e mostra que a construção de identidades online vai ser fundamental para qualquer candidato ano que vem.

Biohacking para pagamentos

Na PanoraMix #07 falei de uma empresa sueca que oferece aos seus funcionários a opção de implantarem um chip na mão e com isso terem acesso mais fácil a áreas e serviços dentro da companhia. No mesmo país uma ferrovia está há um mês aceitando pagamento de passagens através da leitura de chips subcutâneos.

matéria da Business Insider não esclarece se pode ser o mesmo chip dos funcionários da outra empresa, mas a iniciativa deixa evidente que, pelo menos por lá o biohacking já é uma realidade.

O melhor amigo do idoso pode ser um carro

O envelhecimento da sociedade não é só assunto por aqui com a necessária reforma da previdência. Nos EUA a população acima de 65 anos deve dobrar nas próximas décadas trazendo questões e necessidades diferentes da aposentadoria, e veículos autônomos podem ter um papel importante na manutenção da qualidade de vida dos idosos. A Co.Design levanta três possibilidades de como isso pode acontecer: Mentoria Mobile, Assistente Médico e Casa Móvel.

Impossível não vislumbrar uma enorme quantidade de oportunidades de novos negócios que a dobradinha idosos+veículos autônomos podem criar no futuro.

App cidadão

Parte fundamental dos ecossistemas ao redor dos smartphones e primeira interface entre usuário e serviços, além de gerar uma receita absurda, os aplicativos que temos nas mãos ampliam o poder de consumidores – podemos comparar preços dentro da loja antes de comprar – e também de cidadãos.

Um exemplo é o Street Bump, aplicativo que capta sacolejos violentos dos seu smartphone quando você está num veículo e guarda as coordenadas de GPS nesses momentos. Se ele percebe que há muitos sacolejos numa mesma posição, é sinal de que ali há um desnível no asfalto que precisa ser consertado.

Ok, já sei que isso nunca funcionaria nas ruas das grandes cidades brasileiras, mas em Boston funciona e é um exemplo dessa mudança no eixo do poder que tanto falamos aqui.

O pesquisador de Harvard Edward Glaeser desenvolve estudos que aplicam dados colhidos por aplicativos na melhoria da qualidade de vida das cidades usando muita big data. Leia a entrevista dele para a Época aqui.

Meus dados, suas regras. Ou não

O pai da Internet publicou recentemente uma carta aberta em comemoração dos 28 anos da world wide web. Nela ele levanta três preocupações que viu crescer no último ano e propõe ações para corrigi-las:

  • Perdemos controle das nossas informações pessoais.
  • Está fácil distribuir desinformação na rede.
  • Propaganda política precisa ser mais transparente.

Mas tem gente acha muita ingenuidade dele propor mudanças enquanto os órgãos reguladores da internet, que ele dirige, forem custeados por empresas como Google e Facebook que vivem de colher e compartilhar informações sobre nós, usuários de seus serviços.
Leia o ponto de vista de Aral Balkan sobre a carta de Tim Berners-Lee e comente o que você acha.


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