PanoraMix #24 – A tecnologia resolve os conflitos que ela cria.

A PanoraMix #24 mostra duas iniciativas que confirmam a mudança no eixo do poder, que a tecnologia pode resolver os conflitos que ela cria, que inimigos estão se unindo sem fazer cartel e que livros constroem belíssimas catedrais.


O eixo do poder

sociedade | poder | tecnologia

Por aqui falo muito sobre como o eixo do poder vem tendendo cada vez mais para o cidadão. Como ele vem ganhando voz, acesso e controle sobre o Estado e as grandes empresas. Não só o eixo está mudando, também a distância ao poder, uma das principais métricas de desenvolvimento de um país, vem se reduzindo.

Anos atrás traduzi para o português o que foi escolhido como o melhor livro de marketing da Espanha em 2004. Ele tem um capítulo inteiro sobre como a distância do poder influencia os negócios. Se você se interessa pelo assunto, pode encontrar o livro aqui.

Poderosos e suas posições já não são mais totalmente inatingíveis. As redes sociais têm um importante papel nisso, mas sua fragmentação na maioria das vezes acaba diluindo um pensamento que de fato é coletivo, em milhões de textões, memes e Emojis.
Pensando nessa fragmentação e na dificuldade de agregar opiniões, três americanos criaram o Po.lis, aplicativo onde usuários de um produto, clientes de uma empresa ou moradores de um bairro podem comentar livremente suas opiniões sobre determinado assunto e receber votos nesses comentários enquanto um sistema de inteligência artificial organiza ideias e resultados para que seja possível extrair um significado útil do debate.

Parece até os trending topics de uma rede social, mas não é. A Gazeta do Povo publicou uma interessante entrevista com um dos fundadores do Po.lis que vale a leitura.

Telefone vermelho
Outro exemplo de como a tecnologia diminui a distância ao poder vem de um hotel em Nova York que instalou uma cabine telefônica vermelha para que qualquer pessoa possa ligar para um deputado ou senador.

O hotel The Standard criou o “Ring your Rep” – Ligue para seu Representante – iniciativa que encoraja o ativismo produtivo em forma de contato, troca de ideias e cobrança entre eleitores e políticos. No telefone da cabine instalada no lobby do hotel, o cidadão digita um CEP, escolhe o deputado ou senador da região e a ligação é feita automática e gratuitamente. Hóspedes podem fazer o mesmo diretamente dos seus quartos. O serviço oferece ainda um guia de conversação para aqueles mais tímidos.

O meio é irrelevante, o importante é que hoje sua voz é cada vez mais ouvida, entendida e amplificada. Seja por um app ou uma antiga cabine telefônica.


Quatro máquinas e uma favela

tecnologia | trabalho

Quatro vídeos mostram como máquinas e robôs vêm automatizando tudo, desde a venda de produtos frescos até exames de laboratório.

A gente já sabe que há computadores redigindo notícias tão bem quanto jornalistas profissionais que é até difícil de diferenciar. Mas redigir é diferente de escrever, pelo menos no caso dos calígrafos. Mas até esses, profissionais com técnica apurada treinada por anos, estão perdendo espaço para as máquinas.

Um vendedor de ostras na França passou a oferecer seu produto fresquíssimo numa vending machine 24hs por dia. O custo da máquina é o mesmo do de um funcionário que trabalha só 8 horas por dia. Os clientes parecem satisfeitos em poder comprar ostras no meio da noite se bater aquele desejo.

Que a grande maioria dos exames de laboratório já são feitos por máquinas a gente as sabia, mas um robô que colhe sangue?


Robôs só substituem trabalhadores quando a mão de obra for mais cara do que a máquina. Cara no sentido amplo do termo, incluindo custos trabalhistas, sociais, produtividade, qualidade e disponibilidade.

Na indústria têxtil até agora apenas algumas áreas são dominadas pelas máquinas, a parte de costura ainda utiliza muita mão de obra, principalmente de mulheres em países subdesenvolvidos.

O que vai acontecer com essas trabalhadoras quando tecnologias como as da Sewbo puderem ser amplamente adotadas pela indústria têxtil? O Financial Times levanta essa questão no vídeo abaixo.


Claro que há tanta gente pensando em como como robôs podem assumir tudo quanto gente pensando em o que fazer com essa mão de obra que vai ser substituída por máquinas. Mas nós humanos ainda temos um coringa: robôs precisam de programadores, pelo menos por enquanto.

Quem quer ser uma programadora?

A Dharavi Diary é uma escola de tecnologia para meninas instalada na famosa favela de Dharavi em Mumbai, Índia, onde foi filmado o vencedor do Oscar “Quem quer ser um milionário? ”.

A iniciativa financiada por grandes empresas como Nvidia e Google, dá uma oportunidade às jovens do lugar de conhecerem uma realidade diferente da submissão cultural vivida por elas na Índia e prepará-las para esse novo mercado de trabalho longe de sweatshops. Vale a pena conhecer o projeto nessa matéria da Quartz.


QUER LEVAR ESSE CONTEÚDO PARA SER DISCUTIDO EM SUA EMPRESA OU GRUPO?

Fazemos encontros semanais ou mensais para discutir como a transformação digital está impactando negócios e sociedade.
Fale comigo: panoramix@panora.com.br


Inimigos parceiros

mídia | tecnologia | comunicação

Você imagina uma loja da Natura vendendo produtos do Boticário? Pois é o que está acontecendo nos EUA e na Europa – em breve por aqui – com operadoras de TV a cabo oferecendo assinaturas Netflix no seu pacote de canais.

Netflix no cabo
Inicialmente tradada como inimiga mortal, com centenas de ações na justiça, lobby e a mão pesada dos acordos regulatórios, a Netflix tornou-se parceira, mais uma opção, no lineup dos antigos serviços de TV a cabo. A Exame conta essa história sobre como adversários mortais estão criando uma oferta onde até o consumidor pode sair ganhando.
Melhor exemplo de que juntar-se ao inimigo se não puder vencê-lo, não há.

Menos TVs, mais audiência
Outra indústria que precisa pensar no futuro é a de aparelhos de TV. Com cada vez mais gente olhando para outras telas, os lares americanos têm cada vez menos TVs.
Mas, curiosamente, ao mesmo tempo a quantidade de pessoas assistindo programas de TV vem aumentando. É que elas assistem agora nos smartphones, tablets e computadores.

Mais uma prova de que conteúdo de qualidade é rei e independe do dispositivo.



Catedrais de livros

livros | arquitetura

A veneração pelo livro de papel viabilizou não só a distribuição do conhecimento, mas também a criação de verdadeiros templos chamados de bibliotecas.

Essa compilação da Designboom mostra algumas das mais belas igrejas de livros do mundo. Clique na imagem abaixo e confira.

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