PanoraMix Especial Negócios | 1

A primeira parte da PanoraMix Especial sobre  Negócios trata de música, cinema, educação, finanças e até socorro mecânico sempre sob a ótica de como essas áreas estão mudando na Nova Sociedade. Veja só o que separei para essa edição:

  • P2P ajudando a economia
  • O mundo move dinheiro
  • Negócios sociais são bons negócios
  • Uberizando tudo
  • Snapchat OPA
  • Bicho pegando o Spotify

Em uma próxima edição vou recuperar mais artigos e análises sobre negócios.

Abs,
Paco Torras


Se ficar o bicho pega o Spotify

O negócio da música foi um dos que mudou mais nos últimos anos e, depois do iTunes, é o Spotify que domina o mercado global de streaming.

Com 40 milhões de usuários pagantes, se tornou uma das principais fontes de receita das gravadoras. Mas isso não quer dizer que a empresa tenha lucro, pelo contrário, ainda depende do dinheiro cada vez mais caro dos investidores para se manter até um IPO que já foi adiado algumas vezes. A última rodada de investimento captou US$ 1 Bilhão em condições que não são exatamente amistosas, a BBC explica quais são.


Ofensa pública inicial do Snapchat

Você investiria US$ 3.4 bilhões por 15% de uma empresa sem ter direito a voto, sem poder participar das decisões? Talvez? OK. E se além disso essa empresa nunca tenha dado lucro e declare oficialmente que não sabe quando nem se um dia vai dar? Parece pegadinha, mas não é. O IPO do Snapchat estabeleceu um novo parâmetro para a abertura de capital de empresas de tecnologia nos EUA, oferecendo exatamente essas condições. E foi um sucesso.

Dirigida por um jovem de 26 anos que recusou a oferta US$ 3 bilhões do Facebook anos atrás quando tinha seis funcionários, hoje tem 2.000, a Snap não se posiciona como um app, mas como uma “empresa de câmeras”, tipo Nikon. No lançamento das suas ações o mercado a avaliou, nessas condições que citei acima, em US$ 28 bilhões. Alguns analistas levantam a irracionalidade do mercado aceitando os termos propostos e chegam a dizer que não dá para chamar de ação o papel vendido pela empresa nessas condições.

Mas o fato é muita gente ganhou muito dinheiro. No dia seguinte ao lançamento a ação já valia mais 44% do que seu preço inicial. A melhor história de quem ganhou é a de uma escola secundária que em 2012 investiu US$ 15.000 do seu fundo de investimentos – claro que a escola é no Silicon Valley – e viu esse dinheiro se transformar em US$ 24 milhões na semana passada. Como se fosse uma câmera com zoom de 1.600x.


Uberizando tudo

O modelo de negócio da Uber não é perfeito, mas desde o início vem influenciando e viabilizando iniciativas em várias áreas. Todos acham que podem adaptar o modelo a qualquer negócio. Esse fenômeno até ganhou um nome, Uberização, coisa que poucas empresas ou produtos conseguiram. Xerox e Gilette são só dois exemplos de marcas que viraram substantivos e até verbos.

A Uber da beleza foi criada pelo brasileiro fundador da Easy Taxi e quer fazer com manicures, massagistas, maquiadores e cabelereiros o mesmo que a Uber faz com carros e motoristas. O Singu é um app que agrega esses profissionais e permite que clientes os contratem diretamente pelo smartphone. Da mesma forma que a Uber, é a empresa que define o valor de cada serviço e fica com um percentual dele. Uma funcionalidade interessante é que o app calcula a melhor rota e meio de transporte para otimizar o tempo do profissional no caminho entre os clientes. Leia mais sobre o negócio aqui.

Já o Colmeia é um sistema que conecta alunos e professores para aulas particulares. Criado por estudantes da UnB em Brasília, o usuário seleciona a disciplina, verifica o currículo e as recomendações dos professores cadastrados e contrata as aulas. O app também define o preço da hora/aula e faz uma verificação acadêmica e pessoal de cada professor.

Mais perto e quem sabe até parceiro dos motoristas do aplicativo original, a Reboque.Me oferece um sistema para chamar ajuda quando seu carro precisa ser levado para a oficina. O aplicativo localiza  o guincho mais perto do usuário com problemas e disponibiliza em um mapa, na tela do smartphone, o trajeto e a localização exata do guincheiro até o cliente – tudo em tempo real.  Da mesma forma, é a empresa que define o preço, que neste caso tem por base o custo do diesel, e fica com um share do pagamento.

É fato que o modelo da Uber, apesar dos problemas que qualquer novo negócio enfrenta, faz sentido, mas não é a solução para tudo. Um repórter da Veja passou um mês como motorista do aplicativo e conta aqui sua experiência. Apesar do viés mais opinativo do que jornalístico, vale e leitura.


Negócios socias são cada vez mais bons negócios

Outro assunto favorito no Panora são os Negócios Sociais, aqueles que resolvem um problema com alto impacto social, beneficiando muita gente, sem fazer caridade e dando lucro. Essa área de negócios vem crescendo bastante e sendo vista como uma ótima opção para empreendedores e investidores. O momento também é de mudança na percepção de empresários e cidadãos de que é feio ganhar dinheiro dessa forma. Feio é deixar de fazer o que é certo e honesto.

Leia aqui meu artigo sobre como Negócios Sociais dão dinheiro e podem mudar o mundo. Há vários exemplos bacanas em áreas como saúde e finanças.

Uma das pessoas que está mudando o mundo é a mineira Mariana Vasconcellos, já falamos dela aqui, que está ganhando prêmios e dinheiro com um grande sonho: resolver a fome do mundo ajudando pequenos e médios produtores a cultivar mais e de forma mais sustentável. O Google e a NASA adoram ela. Conheça a Mariana, seu sonho e suas realizações na reportagem da Época e inspire-se a ganhar dinheiro fazendo o bem.


O mundo move dinheiro

Faz pouco tempo que mandar dinheiro para terceiros deixou de ser complexo. Para terceiros em outros países, ainda não. Mas a tecnologia está aí para resolver esse problema e se ela fizer isso sem curva de aprendizagem e barato, melhor ainda.

Utilizando o Messenger do Facebook a inglesa  TransferWise criou um bot que viabiliza a transferência internacional de fundos entre usuários pela mesma interface que usamos para nos comunicar com nossos amigos. Claro que a funcionalidade também serve para pagamentos de compras em páginas da rede o que abre uma série de possibilidades para empresas e negócios. Um sistema internacional de transferência de fundos embutido numa ferramenta de chat do dia a dia é aquele tipo de tecnologia transparente que o usuário nem percebe que está usando.

O Android Pay, sistema de pagamentos do Google ainda não disponível no Brasil, está indo na mesma direção, e através da interface mais do que manjada do Gmail para Android oferece agora a possibilidade do usuário enviar dinheiro como quem envia um email. E o melhor, de graça. O débitos e créditos são feitos nos cartões associados às contas.

Onde há dinheiro há sempre espaço para novas iniciativas que cobrem nichos, áreas que não interessam aos grandes bancos ou que podem ser tão facilmente desenvolvidas utilizando sistemas existentes, que são oportunidades que não podem ser deixadas na mesa. Veremos cada vez mais serviços como esses que tornam a vida mais segura, simples e barata.


Quer levar os Novos Negócios da Nova Economia para serem discutidos na sua escola, empresa ou grupo?

Fale comigo que montamos uma conversa dirigida sobre tudo o que vem mudando nessa área.
panoramix@panora.com.br


P2P ajuda a economia longe de bancos e governos

Como já mostramos algumas vezes no Panora, a tecnologia tem viabilizado uma enorme mudança na forma como investimos e usamos nosso dinheiro. Não só na área de pagamentos, mas também com os empréstimos, várias iniciativas longe dos bancos, com menor custo, maior rentabilidade e também maior risco, tem agradado investidores e empresas, são os empréstimos P2P ou empréstimo colaborativo.

O que há tempos é uma realidade lá fora, cresceu bastante por aqui por conta do alto custo do dinheiro oferecido pelos bancos. Empresas nacionais como a BrootaBiva Nexoos, conectam empresas e investidores utilizando fortemente a análise de dados para viabilizar investimentos que agradam as duas pontas. O O Globo fez uma ótima matéria que mostra como anda esse mercado por aqui.


Leão também morde Bitcoin

Criado em 2009 por um obscuro grupo chamado Satoshi Nakamoto, Bitcoin não é exatamente uma moeda digital embora se comporte como tal. É todo um sistema P2P de transações digitais, no qual uma das suas partes é a moeda Bitcoin. A outra parte é o Blockchain. Esse sistema funciona à margem do mundo bancário e de governos, sendo por isso mesmo independente de questões econômicas e políticas locais e uma opção para transações ilegais. Leia mais sobre essa moeda que já deixou de ser virtual aqui.

Não é porque se trata de um sistema descentralizado, que o nosso leão não vai querer dar sua mordida real no seu dinheirinho digital. A Receita Federal incluiu o Bitcoin nas instruções do Imposto de Renda de 2017, cujo prazo de entrega termina no próximo dia 28. E caso você não tenha declarado os ganhos com bitcoin nos últimos cinco anos, precisa pagar o imposto com multa e juros. Pois é.


On e off juntos na tela e no papel

Quem acompanha o Panora sabe que serviços de assinatura têm renascido no mundo digital e se tornado um tipo de modelo comercial adotado por diversos novos negócios digitais. A rainha dos serviços de assinatura é a Amazon, vamos falar  dela logo adiante, mas há iniciativas até para quem gosta de ira ao cinema [e que não demoniza quem é assinante de streaming como o francês da primeira nota].

Primepass é uma startup brasileira criada em 2016 que oferece, através de uma assinatura mensal com preço fixo, um serviço que permite aos cinéfilos assistir até um filme por dia durante um mês por um valor até 80% menor do que gastariam comprando ingressos de cinema. Através de um aplicativo com geolocalização, o usuário escolhe o filme e reserva a entrada. Claro que há restrições por área e quantidade que são muito bem explicadas nessa matéria do Nexo.

Amazon+El País
Já a Amazon, que também produz filmes e os oferece em seu serviço de streaming, fez uma parceria com um dos principais jornais do mundo para entregar jornal impresso comprado pelo seu site.

Desde o último dia 23 de abril, os assinantes do Amazon Prime Now  que moram nas regiões metropolitanas de Madrid e Barcelona podem comprar o jornal El País no site da varejista e recebê-lo em casa, em até uma hora, entregue grátis pela Amazon, pagando o mesmo preço da banca além da assinatura anual do Prime, claro. Leia a nota que o El País publicou sobre o novo serviço, em espanhol, aqui. Prevejo que bancas de jornais não vão gostar muito dessa novidade.

Essa é daquelas iniciativas que mais gosto, que unem on-line e off-line para criar algo maior do que apenas a soma dos dois. E quando isso acontece com um jornal de papel tão importante e tradicional como o El País, fica mais bonito ainda.

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