PanoraMix #21

A PanoraMix #21 mostra que ensinar a pescar não faz mais sentido, que a evolução humana está difícil de acompanhar sem uma ajuda, que empresas estão montando escolas e que Abril e Buzzfeed escolheram bolsos diferentes para pagar as contas.


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Educação globalizada existe e é necessária

educação | trabalho

Estabelecer condições que incentivem a preparação dos jovens para as necessidades de uma sociedade digital é um dos grandes desafios que educadores e governos têm pela frente. Mas o fato é que já hoje há uma enorme demanda não atendida por profissionais da área tecnológica e isso começa a causar impactos negativos nas indústrias e negócios que com seus produtos e soluções estão criando o futuro. Por isso, grandes empresas que dependem de mão de obra tecnologicamente qualificada estão passando a tomar a liderança na capacitação de jovens para cobrirem suas necessidades.

Mela
Na Itália a Apple criou um curso gratuito que esse ano vai atender 400 alunos entre 18 e 30 anos com foco em desenvolvimento de software, criação de startups e projetos de apps para iOS, com ênfase em criatividade e colaboração. A demanda pelo curso é tão grande que haverá provas de acesso em Munique, Paris, Londres, Madri, Roma e Nápoles.

Developer Academy da Apple visa cobrir parcialmente um problema que a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) entende ser de extrema importância e urgência, pois a diferença na qualificação de mão de obra  é uma das principais causas de aumento de desigualdade entre países. Coreia do Sul, Polônia, Estônia, Japão e Nova Zelândia são os que têm se colocado na dianteira na preparação de profissionais para a economia digital e assim terão maiores oportunidades frente aos demais países. A BBC tem uma matéria com mais detalhes.

Code.org
Nos EUA, a ONG Code.org vai no mesmo sentido e além: advoga junto aos governos para que ciências da computação se tornem parte do currículo do ensino básico. A ONG também oferece aulas online de programação gratuitas, capacita professores e doa computadores para escolas. Financiada por grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício, a Code é criticada por tentar influenciar a alteração de currículos escolares em função dos interesses dessas empresas. A Folha publicou matéria contando como a Code.org nasceu e cresceu e como ela é vista por educadores e empresários.

Jobs
Uma das principais justificativas para o ensino de programação nas escolas não tem nada a ver com a indústria da tecnologia, pelo menos segundo Steve Jobs. Ele entende que a habilidade de programar ajuda no desenvolvimento de um raciocínio lógico com foco na solução de problemas, a trabalhar em grupo além de abrir oportunidade de trabalho. Em qualquer área.


Buzzfeed e Abril

negócios | mídia

“Agora, vamos fazer jornalismo para vender jornalismo e vender publicidade. Tem valor nas duas coisas. O leitor tem que entender. No fundo, ele sempre deu valor a isso. Só que ele ia na banca e comprava”. Essa é a declaração da diretora de relacionamento de mercado da Editora Abril para justificar o paywall que a empresa está aplicando em todas as suas publicações.

Com preços que variam entre R$ 10,90 e R$ 29,90 por mês, as assinaturas digitais da Abril vão complementar o modelo comercial assinaturas impressas+publicidade considerado derrotado pela internet.

O Brazil Journal conta essa história e o gráfico abaixo da revista Época, que não é da Abril, mostra que existe a confiança, mas também um enorme desafio.
Apostando num caminho diametralmente oposto, tudo grátis para o leitor com diversas linhas de receitas baseadas em publicidade, o Buzzfeed prepara seu IPO com uma avaliação inicial de US$ 1.7 bilhões.

O BuzzFeed é uma empresa de mídia digital com sede em Nova York que fornece notícias, fofocas, receitas de comida e quizzes com alto poder de engajamento e viralização. Estima-se que ano passado a empresa faturou US$ 250 milhões, US$ 40 milhões a mais do que a área digital do New York Times.

Os dois exemplos mostram como o jornalismo virou uma ciência, com vários cientistas testando fórmulas inéditas que viabilizem essa travessia do papel para o digital. Sem que ele, o jornalismo, morra no meio do rio.


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PanoraMix Especial | Educação

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O poder do dinheiro digital

consumo | negócios | dinheiro

A Visa, maior operadora mundial de cartões de crédito, criou um programa para tentar convencer restaurantes, cafés e food-trucks a não aceitarem mais pagamentos com dinheiro em espécie. A operadora vai doar US$ 10.000 a cada estabelecimento para ajudar no upgrade tecnológico necessário para aceitar pagamentos com dispositivos eletrônicos variados. A iniciativa parece fazer sentido uma vez que operadoras de cartão recebem uma taxa por cada transação efetuada nos seus sistemas.

Enquanto consultores dizem que essa taxa pode representar até 5% da receita de um pequeno negócio, a Visa diz que deixar de aceitar dinheiro vivo pode incrementar receitas além de reduzir custos de mão de obra e aumentar a segurança.

A The Economist fez um vídeo mostrando que uma sociedade sem dinheiro vivo não só é possível, como já existe. Na Suécia 80% dos pagamentos são digitais, o comércio não é obrigado a aceitar dinheiro e até sem-tetos podem receber por meio digital. Enquanto isso, na Alemanha a coisa é um pouco diferente. Veja o vídeo abaixo.


Ensinar a pescar prá quê?

comida

Se você leu a edição especial Moda e Comida da PanoraMix semana passada, viu que há diversas iniciativas no sentido de mudar completamente as formas como nossos alimentos são produzidos. Uma delas é a carne de laboratório indistinguível da carne de verdade. As motivações para a produção desse tipo de alimento podem ser desde o impacto na emissão de gás carbônico que gera o efeito estufa, até os maus tratos causados aos animais que fornecem carne.

Essa segunda linha de defesa da carne fake é a escolhida por Bruce Frederich, uma das maiores lideranças do PETA, e que hoje gere um fundo de US$ 25 milhões para investir em startups que produzem comida em laboratório. A Exame o entrevistou e entre outras informações ele diz que há projeções de que esse mercado vai representar um terço da venda de proteínas em 2054.

Mas a questão da proteína não se resume apenas à produção de carne animal, peixes também são fonte de proteína e objeto de grande evolução tecnológica na sua produção. Tão grande que hoje comemos mais peixe de fazendas pesqueiras do que pescados naturalmente. Além do mais, quilo por quilo, a produção de peixes precisa quinze vezes menos ração do que a de carne.

Quartz tem mais números sobre a produção e consumo desse alimento que pode se tornar a grande fonte de proteína para dar de comer aos quase 10 bilhões de habitantes da Terra em 2050.


Hooked

aplicativos

Um desafio ainda maior do que fazer o leitor pagar por conteúdo online, parece ser fazer jovens adultos lerem ficção por prazer.

Em 1984 uma pesquisa mostrou que 9% de jovens na faixa dos 17 anos nunca ou quase nunca lia por prazer. Em 2014 esse número pulou para 27%. Faz sentido quando vemos a quantidade enorme de distrações disponíveis online. Não dá tempo de ler.

Hooked é um aplicativo que tenta fazer os jovens retomarem o hábito da leitura adaptando o formato das histórias aos novos hábitos de consumo de conteúdo. Desenvolvido por um casal de programadores, o app apresenta histórias completas ou divididas em episódios com tempo máximo de leitura de cinco minutos e formatadas como uma troca de mensagens de texto entre as personagens.

Com 10 milhões de leitores, 300.000 histórias disponíveis e US$ 5 milhões em investimentos, o Hooked já esteve diversas vezes e primeiro lugar dos aplicativos mais populares e mostra que o modelo comercial nem sempre é o responsável por viabilizar um negócio.

Conheça a história de como o app foi criado na matéria da Big Think.


Sapiens

livros

“Nos últimos dois séculos, o ritmo das mudanças se tornou tão rápido que a ordem social adquiriu um caráter dinâmico e maleável. Agora existe em um estado de fluxo permanente. Quando falamos de revoluções modernas, tendemos a pensar em 1789 (a Revolução Francesa), 1848 (as revoluções liberais) ou 1917 (a Revolução Russa). Mas o fato é que, atualmente, todo ano é revolucionário. Hoje, até mesmo uma pessoa de 30 anos pode dizer honestamente a adolescentes incrédulos: “Quando eu era jovem, o mundo era completamente diferente”. A internet, por exemplo, só se disseminou no início dos anos 1990, há pouco mais de vinte anos. Hoje não podemos imaginar o mundo sem ela.”

O trecho acima é de “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade” de Yuval Noah Harari e mostra que quando nós aqui discutimos a revolução pela qual nossa sociedade está passando, estamos falando de uma parte ínfima de uma História que se desenrola cada vez mais rápido. Se você quer entender um pouco mais sobre como chegamos até aqui, recomendo o livro de Harari. Texto fluido, informações quando necessárias, sem muita cronologia e com uma visão holística do desenvolvimento da humanidade.

 

 


 

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