PanoraMix #20

A vigésima edição da PanoraMix não poderia estar mais eclética. De Marx a Selena Gomez, todos têm algum papel na revolução que estamos vivendo. E o Spock já sabia de tudo. Não deixe de ler.

Depois me conta o que você achou.

Abs,
Paco Torras


Abundância, Marx e um pouco de fé

sociedade | economia

Já comentei aqui que mais do que o desaparecimento do papel moeda, substituído por formas de pagamentos digitais, nossa sociedade pode também estar caminhando para um modelo onde não haverá dinheiro. Uma sociedade onde todos os bens e necessidades materiais são tão abundantes que talento e inteligência serão mais valorizados do que qualquer outro tipo de riqueza.

Também conhecido como pós-escassez, é um modelo econômico no qual a maioria dos bens e serviços essenciais, e até alguns supérfluos, podem ser produzidos por máquinas e robôs, com mínima intervenção humana, e assim serem oferecidos de forma muito barata ou até gratuitamente. Claro que uma economia baseada em produtos digitais e não físicos, já é um grande passo nessa direção.

Olhando para o passado, alguns economistas consideram esse modelo econômico como o pós-capitalismo idealizado inicialmente por Karl Marx em  Grundrisse, antes dele escrever “O Capital”.
Olhando para o futuro e sem um viés ideológico expressivo, autores de ficção vislumbram a sociedade pós-escassez em diversos livros, séries e filmes nos quais questões como fome e propriedade deixaram de ser problemas e perderam a relevância.

Uma das mais populares referências culturais à pós-escassez vem da série Jornada na Estrelas onde no episódio “Primeiro Contato” o capitão Piccard explica o modelo econômico do século XXIV a um humano terráqueo do século XX.

Autores de ficção, em geral, são aqueles que melhor preveem o futuro mesmo sem querer. Com pouco ou nenhum compromisso com a realidade, são livres nas suas viagens no tempo e muitas vezes acertam mais do que erram. De Julio Verne a Asimov, eles vêm levantando possibilidades que algumas vezes são tão sérias que viram livros.

Um exemplo é “Trekonomics: The Economics of Star Trek” do francês Manu Saadia que trata exatamente da sociedade pós-escassez apresentada como ficção em Jornada nas Estrelas. Para aqueles que estão perdendo a fé no futuro da nossa sociedade, e que não são poucos, pode ser que seja uma boa leitura.


Local globalizado

negócios

Desquebre
Outro dia fiz um post sobre uma experiência pessoal na hora de consertar minha lavadora de roupas. Leia aqui. O acontecido mostra não só como o poder está mudando de mãos, como os monopólios de conhecimento estão ruindo e como a colaboração livre e gratuita pode fazer a vida de todos mais barata e assim sobrar dinheiro, enquanto ele existe, para outras coisas.

Um dos comentários que recebi citou uma startup paulistana cujo modelo resume bem esse momento.

Desquebre foi criada por dois engenheiros cansados ficar na mão de técnicos para consertos de eletrodomésticos que às vezes podem ser perfeitamente executados por nós mesmos. A plataforma gratuita oferece dicas e orientações especificas para resolver o problema apresentado e, caso não seja possível, indica um especialista selecionado que poderá resolvê-lo. A Desquebre fica com 13% do que o técnico cobrar e por enquanto só atende a Grande São Paulo.

A proposta da Desquebre cobre eletrodomésticos como fogões, lavadoras e geladeiras que por enquanto exigem a presença física de técnicos para consertá-los, mas imagine quando esse tipo de aparelho for conectado à internet e assim o problema possa ser diagnosticado e resolvido remotamente? Esse técnico vai poder consertar sua lavadora de qualquer lugar do mundo. Usando a Desquebre.

Open Desk
Um exemplo bacana dessa globalização de serviços locais vem da Open Desk que da sua sede em Londres está mudando a maneira que móveis são produzidos e transportados no mundo todo.

A empresa contrata designers para desenharem móveis de escritório que podem ser fabricados em qualquer lugar do mundo utilizando máquinas tipo CNC, um pouco diferentes daquelas que comumente encontramos em marcenarias, mas que estão ficando cada vez mais acessíveis para pequenas e médias indústrias.

Neste caso as CNCs são máquinas de corte de madeira programáveis por computador. Na Open Desk o cliente escolhe o móvel no site da empresa e solicita uma cotação de uma marcenaria local, perto dele, que irá fazer o download dos desenhos, programar a máquina e executar as peças. Tudo sob demanda.

Dessa forma a Open Desk cria um mercado global para designers, os fabricantes ganham mais pedidos e o cliente tem acesso a produtos de design sem o sobrepreço da exclusividade e sem comprar um produto de varejo. A sociedade ganha uma forma de produção ecológica, local e sem o custo ambiental de um frete distante.
Locais e globais entregando produtos e serviços reais, Desquebre e Open Desk são mais dois exemplos daquilo que entendo ser o melhor dos mundos: on e offline unidos entregando mais do que fariam separados.


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Fazemos encontros semanais ou mensais para discutir como a transformação digital está impactando negócios e sociedade.
Fale conosco: panoramix@panora.com.br


NOVIDADE

PanoraMix Temático

A partir dessa semana, sempre às quintas-feiras, irei enviar uma edição especial temática da PanoraMix recuperando notas e análises dessas últimas vinte edições da minha newsletter.

Serão os assuntos que mais tenho tratado e que cobrem uma gama ampla das mudanças que temos assistido na nossa sociedade. A primeira edição temática, dia 13/7, será sobre Moda e Comida.


Uns mordem e assopram. Selena só morde.

mídia | negócios

Meus leitores já sabem que a mídia como conhecemos, TV, rádio, jornais e revistas, está com os dias contados. Os motivos desse movimento são vários e se confirmam a cada dia.

Mas ao mesmo tempo que os “novos” distribuidores de conteúdo dominam implacavelmente o mercado – basicamente Google e Facebook, além de Twitter, Instagram e outras redes sociais – sabem que sem produção de conteúdo de qualidade a sobrevivência deles também estará comprometida.

Por isso, enquanto mordem enormes nacos das verbas publicitárias, também entendem que não podem matar a galinha que põe os ovos. Vejam só:

Google e Facebook faturam mais em propaganda do que todos os jornais, revistas e rádios do mundo, somados.
Axios mostra que os US$ 81bi que o Google e os US$ 36bi que o Facebook têm apenas de receitas com publicidade somam US$ 117bi, valor ligeiramente maior do que a verba publicitária de todos os jornais TVs e rádios do mundo somados ou US$ 16 por habitante da Terra.

Para piorar…
Além de perderem verba publicitária para as gigantes da tecnologia, a mídia tradicional vem enfrentando uma concorrência totalmente inesperada: Celebridades.

A cantora teen Selena Gomez, por exemplo, cobra R$ 1.8 milhão por post patrocinado no Instagram. Com 123 milhões de seguidores, ela é considerada a rainha do Insta.

A BBC fez uma lista mostrando quanto cobram as 10 principais celebridades no Instagram. Dinheiro que até outro dia estava nas páginas de papel de jornais e revistas.

Jornais contra atacam
O Globo publica hoje matéria contando que dois mil jornais americanos, através da News Media Alliance, estão pedindo autorização da comissão anti-truste do senado para juntos poderem negociar alguma forma de remuneração pelo conteúdo produzido por eles e distribuido por Google e Facebook.

O presidente da associação diz literalmente que a sobrevivência do jornalismo depende dessa negociação coletiva.

Em 2014 o jornal espanhol El Pais conseguiu na justiça que o Google encerrasse seu serviço Google News alegando questões de direitos autorias pelo conteúdo oferecido sem remuneração.

Dois movimentos do Facebook atacam diretamente pirataria, TVs a cabo e streaming
Numa parceria com a Fox, a rede social vai transmitir para os EUA jogos da Champions League, principal competição de clubes de futebol do mundo.

Com um golpe o Facebook atinge tanto o objetivo de se posicionar como uma plataforma de vídeos como o de atacar as diversas páginas piratas que transmitem esportes nas suas páginas. Para a Fox o benefício é atingir uma audiência que não ligaria a TV para assistir uma partida além de poder transmitir os jogos que não tem condições pela restrição na quantidade de canais de TV.

Além disso, e entrando na seara de HBO, Amazon e Netflix, o Facebook negocia com Hollywood investir na produção de séries de TV. Com foco no público de 13 a 34 anos, a rede está disposta a colocar US$ 3mi por episódio e compartilhar com os estúdios seus dados de audiência. Informação que vale tanto como petróleo hoje.

Google doa dinheiro para veículos automatizarem a produção de conteúdo  
Você já leu no Panora sobre o fundo de ₡ 150 milhões que o Google criou em 2015 para ajudar jornais na migração do analógico para o digital.

Dentro dessa inciativa, a empresa vai agora doar US$ 805.000 para que uma agência de notícias inglesa possa automatizar a redação de 30.000 matérias locais por mês.

A ideia é integrar bases públicas de dados aos softwares de escrita e inteligência artificial para que juntos possam transformar informações em textos jornalísticos sob curadoria e supervisão de cinco jornalistas especializados.

O projeto chamado de Radar – Reporters And Data And Robots –  visa produzir uma quantidade de conteúdo local que seria impossível de outra forma. E quanto mais conteúdo de qualidade, melhor para veículos. e para o Google.


IPPAWARDS 2017

fotografia

Semana passada falei bastantes de como o iPhone mudou muita coisa no nosso dia a dia. Uma delas foi a fotografia. Nunca se fotografou tanto. Só esse anos serão 1.2 trilhões de fotos digitais, 85% delas tiradas por um celular.

Por isso, desde 2008 existe o prêmio IPPAWARDSque premia as melhores fotos feitas com um aparelho da Apple. Este ano o grande vencedor foi Sebastiano Tomada do Brooklin, NY, com a foto abaixo.


Na categoria Retratos o vencedor foi Gabriel Ribeiro, um brasileiro de 17 anos do Mato Grosso do Sul.

Veja todas as fotos vencedoras aqui. Só tem fotão.

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