PanoraMix #19 – Paco Torras

Dez anos do lançamento do iPhone não poderia deixar de ser protagonista da PanoraMix#19:

As plataformas de negócio que ele viabilizou.
Mas o iPod veio antes.
Sete empresas que deram muito certo.
App cidadão.
Infra quase grátis.
Tipo Amazon mobile.


iPhone, 10 anos

tech | mídia | app

Lembro perfeitamente a primeira vez que botei a mão num iPhone. Tomava um café lendo e-mails no meu Blackberry quando do lado sentou um cara com seu iPhone estalando de novo. Peguei, olhei, curti, o Steve Jobs era bom vendedor, mas o teclado e o trackpad com clique do meu BB ainda me pareciam imbatíveis.

Corta para 2010. Trocando de operadora ganhei um belo desconto num iPhone 4 e com dor no coração aposentei o Blackberry. A dor durou cinco minutos, em seis eu já tinha certeza que até então, nos últimos três anos, eu vivia na idade da pedra.

O que me conforta é que não fui o único que inicialmente desdenhou do aparelho da Apple. Gente com muito mais gabarito e conhecimento do mercado do que eu, como o presidente da Microsoft na época, pensou igual. A diferença é que eles tinham seus interesses e hoje vemos que suas opiniões foram muito mais um wishful thinking do que uma análise séria do novo concorrente.

Hoje, muito mais do que um aparelho, o iPhone é uma plataforma de negócios responsável por 63% da receita da maior empresa do mundo. Não é um exagero dizer que o iPhone mudou o mundo como a imprensa e a luz elétrica.

A revolução dos smartphones iniciada pela criação da Apple causou profundos impactos na fotografia, trabalho, desenvolvimento de software, consumo de mídia e de chicletes. A Recode mostra tudo isso em uma ótima e matéria.

Mesmo tendo vendido mais de 1 bilhão de iPhones, e talvez por isso mesmo, a Apple entende que o futuro pode não ser assim tão brilhante como foi o passado para se aparelho. Pensando que é melhor que ela mesma canibalize seus produtos antes que outras tomem seu lugar, a empresa da maçã já planeja para 2020 o lançamento de outro dispositivo que irá substituir o iPhone. O novo iPhone não ficará na sua mão, mas no seu rosto. Serão óculos de realidade aumentada. A Business Insider baseia esse caminho em função das aquisições de empresas feitas recentemente pela Apple.


Antes do iPhone, a música

música | itunes

Antes de recriar a indústria dos celulares, a Apple já tinha virado do avesso a indústria da música com o iTunes, onde o cliente compra a música que quiser, sem precisar comprar o álbum todo, e o iPod, tocador portátil onde cabem todas as faixas que alguém pode querer escutar. Esse modelo comercial simplesmente “acabou” com a venda de CDs e criou um mercado dominado pela distribuição digital, leia-se Apple e Google. Mas isso de comprar música já é passado, passado que muito artista tem saudade.

Hoje o modelo dominante é o streaming com assinatura: por um preço fixo mensal, o cliente tem acesso, mas não posse, a milhões de músicas e pode escutá-las em qualquer dispositivo, iPod, smartphone, computador, TV, PS3….

Com a ascensão desse modelo veio junto uma nova forma de remuneração de músicos e compositores que deixaram de receber por venda ou download e passaram a receber por execução. Acontece que, enquanto o acesso à música foi enormemente ampliado, a remuneração unitária foi enormemente reduzida.

Modelo all-you-can-listen com preço baixo, aliado à cada vez mais congestionada e cara distribuição digital de música e a uma certa falta de transparência por parte de distribuidores dominantes como Deezer e Spotify, mostram que essa nova indústria da música ainda tem muito a evoluir para atender aos interesses de um número maior de stakeholdersO Globo publicou uma ótima matéria sobre como anda o mercado de streaming no Brasil e como o rádio, apesar de decadente, gerou 34 vezes mais arrecadação de dinheiro do que o streaming em 2016.

Aliás, o Walkman da Sony fez 38 anos semana passada e é considerado o real pioneiro da mudança da forma como consumimos música. Usava fita K-7. Não sabe do que estou falando? A Wikipedia explica.

musica gratisE se você se interessa pelo mercado da música digital e não leu “Como a música ficou grátis” de Stephen Witt, não sabe o que está perdendo.


O negócio das plataformas

negócios

Impensáveis antes da onipresença dos smartphones ou pensáveis, mas com um tamanho muito menor do que têm hoje, seis das dez maiores empresas do mundo se diferenciam do modelo tradicional de empresa por não oferecerem exatamente um produto – carros, TVs, quartos de hotel, limpeza – mas se colocarem como plataformas de interação – distribuição, comércio, informação, comunicação… – entre empresas e usuário e, principalmente entre usuários e usuários. Esse artigo na Proxxima detalha um pouco mais esse movimento e mostra de onde vem a receita dessas novas empresas.

Sete que deram certo
Semana passada falei de sete empresas que faliram pois, apesar de fazerem sentido, nasceram antes do seu tempo.

Hoje trago o exemplo oposto, sete empresas que somadas somam incríveis US$ 3.6 trilhões em valor de mercado. As americanas Apple, Alphabet, Microsoft, Amazon e Facebook e as chinesas Tencent e Alibaba formam esse exclusivo grupo de empresas que deram muito certo e cresceram 40% no último ano.

Detalhe: a mais antiga delas é a Microsoft, fundada em 1975. Você já tinha nascido?


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Fale conosco: panoramix@panora.com.br


App cidadão

apps | cidades

Parte fundamental dos ecossistemas ao redor dos smartphones e primeira interface entre usuário e serviços, além de gerar uma receita absurda, os aplicativos que temos nas mãos ampliam o poder de consumidores – podemos comparar preços dentro da loja antes de comprar – e também de cidadãos. Um exemplo é o Street Bump, aplicativo que capta sacolejos violentos dos seu smartphone quando você está num veículo e guarda as coordenadas de GPS nesses momentos. Se ele percebe que há muitos sacolejos numa mesma posição, é sinal de que ali há um desnível no asfalto que precisa ser consertado.
Ok, já sei que isso nunca funcionaria nas ruas das grandes cidades brasileiras, mas em Boston funciona e é um exemplo dessa mudança no eixo do poder que tanto falamos aqui.

O pesquisador de Harvard Edward Glaeser desenvolve estudos que aplicam dados colhidos por aplicativos na melhoria da qualidade de vida das cidades usando muita big data. Leia a entrevista dele para a Época aqui.


Uso aumenta, custo cai

infra | negócios

Lembro muito bem nos meus primeiros anos participando da economia digital de ter que estimar com alguma precisão o custo de processamento, trafego e armazenamento de dados na precificação dos serviços que eu vendia. Era caro.

Os smartphones nas mãos de 2.3 bilhões de pessoas foram responsáveis pela disseminação da necessidade desse tipo de infraestrutura de dados que gerou um aumento na oferta de serviços e consequentemente a queda no preço deles.
Hoje, com exceções muito específicas, pequenas e médias empresas colocam esse custo dentro de outros com maior peso.

O gráfico da PwC abaixo mostra que esses custos têm uma forte tendência a zerarem. Prova disso são ofertas tipo freemium como Dropbox e Google Drive que só cobram por armazenamento depois que o cliente ultrapassa um limite de uso. Com software também acontece o mesmo, o MS Office, que era caríssimo para o usuário comum, hoje é oferecido gratuitamente numa versão básica. Isso só é possível por que os custos de processamento, trafego e armazenamento de dados não valem praticamente mais nada. Empresas que prestam esses serviços ganham pouco de muitos usuários, o contrário do passado recente.


Amazon, mas nem tanto

negócios | mobile

Antes dos smartphones transformarem o conceito de mobilidade para o que conhecemos hoje, iniciativas que agora podem acontecer no mundo digital não tinham outra opção a não ser o mundo real.

Bibliotecas montadas sobre rodas são das mais antigas formas de distribuição de livros e conhecimento e tradição na Europa e EUA até hoje.
Esse pequeno vídeo mostra algumas das mais antigas e bacanas bookmobiles.

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