PanoraMix #17

PanoraMix, há dezessete semanas melhor do que qualquer newsfeed.

Estamos prontos para tudo isso?
Futurismo e Aceleracionismo.
Lavou, tá novo. Versão online.
Política, redes, avaliação e recomendação.
Facebook vendendo assinaturas de jornais.
3x Amazon.
Comida 2.0

Depois me conta o que você achou.

Abs,
Paco Torras


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O futuro acelerado, agora

futurismo | ciência

Tem muita gente boa pensando sobre o assunto que orienta tudo o que publico nessa newsletter e no panora.com.br: Como os avanços na tecnologia afetam o dia a dia dos negócios e da sociedade.

Sempre falo também que essas mudanças estão acontecendo à revelia de governos e grandes conglomerados – ambos estão tendo que se adaptar à força. Mas e se a sociedade não estiver pronta para absorver tudo ao mesmo tempo agora?

Não será a primeira vez que pessoas e empresas têm medo de grandes novidades. Luz elétrica, telescópios, trens, carros e TVs, apenas para citar alguns exemplos, foram num primeiro momento rejeitados, temidos até.

Hoje vivemos situações parecidas, mas com um agravante: elas não acontecem mais a cada década, mas a cada mês. Será que a gente consegue absorver, encampar e adotar tudo isso, e rápido?

A Inteligência Artifical, que já é comum sem que a gente perceba em ferramentas de atendimento, tradutores de idiomas e em sistemas de recomendação, é um exemplo de que humanos somos muito bons em nos adaptar naturalmente quando o futuro chega sem avisar. Aquele futuro que a gente imaginou, assistimos nos filmes e lemos nos livros, mas que não esperávamos poder ver e tocar. A capacidade de olhar para frente, para além dos próximos minutos, é o que nos difere dos outros animais. Ainda que inconscientemente.

Um artigo recente no NYT aprofunda esse tema e mostra que sim, que fomos feitos para viver o futuro, seja ele projetado, seja ele agora. E isso não é um hábito, é função do nosso cérebro. Não deixe de ler.

E se você gosta mesmo do assunto evolução e ainda não leu “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade” de Yuval Harari, não sabe o que está perdendo.

Aceleracionismo
Autores, em geral, são aqueles que melhor preveem o futuro mesmo sem querer. Com pouco ou nenhum compromisso com a realidade, são livres nas suas viagens no tempo e muitas vezes acertam mais do que erram.

Roger Zelazny foi um autor de ficção científica dos anos sessenta que em um de seus livros classificou um grupo de revolucionários que queriam levar a sociedade a um nível mais alto através da adoção pesada da tecnologia como “Aceleracionistas”.

O termo cai como uma luva para o momento atual quando vemos o mundo nesse passo acelerado de mudanças políticas, tecnológicas, de comunicação, comércio, trabalho, dinheiro e poder. Basicamente aceleracionistas entendem que devemos parar de acreditar que a evolução econômica e tecnológica pode ser controlada, e isso vai ao encontro com o que coloquei aqui acima em relação ao cérebro humano.

O The Guardian tem uma matéria longa detalhando o movimento, seus líderes e detratores, colocando que no fundo somos todos aceleracionistas e justificando Karl Marx como o primeiro aceleracionista da história.


Lavou, tá novo. Versão online

privacidade

Mas se o seu problema não é lidar com o futuro, mas com o passado, até nisso a tecnologia pode te ajudar.

Dois desenvolvedores suecos criaram o Deseat.me, um site que oferece a possibilidade de apagar completamente sua existência na web. Um suicídio online do qual você pode ressuscitar novo, limpo e fresco. Ou quase.

Depois de fazer login, o sistema mostra uma lista de serviços nos quais você tem conta com um link para deletar cada uma delas.

Se você está de saco cheio do estresse das redes sociais e dos inúmeros e inúteis serviços online que uma vez se inscreveu e nunca mais usou, o Deseat.me parece uma boa ideia. Lavou, tá novo.


Política, redes, avaliação e recomendação

cidadania | poder

Um artigo no site do Estudar na Prática fala de um grupo de brasileiros, ex-alunos de Harvard, que pretende renovar a política no Brasil começando por apoiar 30 candidaturas nas eleições de 2018.

O “Acredito” tem como objetivo “quebrar o monopólio de alguns sobrenomes no congresso e reaproximar a política da sociedade” e entende que é por meio da política a melhor forma de transformar o país.

O movimento pretende criar e distribuir conteúdo didático sobre política e temas nacionais, organizar eventos e debates nas cinco regiões do país e identificar novas lideranças com potencial de transformação política e apoiá-las.

Esse é apenas mais um exemplo de como a internet é capaz de criar redes de voluntários com objetivos em comum, a Wikipedia é seu exemplo mais conhecido, para mudar o mundo. Atitude virtualmente impossível anos atrás, o que viabilizou a existência desses grupos que agora estão sendo combatidos com o apoio da tecnologia.

Se você ainda não entendeu que o poder está mudando de mãos, leia esse meu artigo.

O IBOPE comprova o poder da internet e das redes sociais na política em pesquisa divulgada recentemente. Ela mostra que 56% dos entrevistados consideram que os dois meios terão algum grau de influência na escolha para presidente em 2018. Para 36% as redes terão muita influência.
A rede ganha de amigos, mídia e família que sempre apareceram na frente em pesquisas semelhantes. Mostra também que para 62% dos eleitores, celebridades e artistas não influenciam o voto em quase nada. O Estadão analisa o resultado e mostra que a construção de identidades online vai ser fundamental para qualquer candidato ano que vem.


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Fale conosco: panoramix@panora.com.br


Facebook vendendo assinaturas de jornal

mídia

Já falamos aqui do conflito entre produtores de conteúdo e redes sociais, que não produzem nada, mas distribuem como ninguém. Produção e distribuição de conteúdo pela primeira vez estão em mãos diferentes com o segundo tendo também assumido o controle de grande parte da verba publicitária que ainda financia o primeiro que agora depende cada vez mais de assinaturas para pagar as contas.

Vendo alguns publishers importantes deixando sua plataforma, o Facebook pretende agora oferecer-lhes a possibilidade de vender assinaturas, digitais ou de papel, através do seu app que está em bilhões de celulares pelo mundo.

A proposta que tem mais possibilidades de ser implementada é parecida com o que a maioria dos veículos aplica hoje, com uma quantidade máxima de notícias de graça e a cobrança de assinatura quando o leitor exceder esse limite. A ideia é que isso tudo possa acontecer dentro do app do Facebook. Mas modelos tipo Netflix onde o leitor tem acesso a diversos veículos pagando uma única assinatura também estão na mesa.

O Digiday tem mais detalhes, mas não tem resposta para minha pergunta: isso não deixaria os veículos ainda mais dependentes do Facebook como já aconteceu com o Google?


3xAmazon

amazon

Vocês não acharam que eu passaria essa edição sem falar do maior negócio da semana passada, não é?

  1. Amazon e Whole Foods

Num movimento que só surpreende quem ainda se surpreende com a forma de agir da Amazon, semana passada ela comprou por US$ 13,7 bilhões a cadeia de supermercados Whole Foods, conhecida pela oferta diferenciada de alimentos naturais, frescos e saudáveis com 460 lojas nos EUA, Canadá e Reino Unido.

A Amazon não esconde de ninguém que o varejo físico é a próxima área que ela pretende revolucionar, e como a compra de alimentos responde por 20% das despesas do americano médio, dificilmente faria sentido não entrar nesse mercado e deixá-lo para a concorrência. Por isso as ações das quatro principais cadeias varejistas americanas, Kroger, Target, Costco, e Walmart despencaram após o anúncio da aquisição. Exatamente as que vêm investindo bastante no online e no O2O como falamos semana passada aqui.

Comprar a Whole Foods foi o caminho natural para a Amazon depois de quebrar a cabeça e o bolso com o serviço Amazon Fresh, que entrega produtos frescos para clientes Prime.

O varejo americano não é para amadores e o negócio ainda é muito recente, portanto qualquer análise será rasa e precipitada, mas em alguns pontos os especialistas parecem concordar:

  • Amazon ganha 460 laboratórios para interagir fisicamente com seus clientes. Hoje ela tem dez lojas próprias de livros e aparelhos eletrônicos,
  • Grande varejo tradicional deve analisar o que a Amazon fez com livros e livrarias e repensar suas estratégias de médio prazo,
  • Faz sentido que a Whole Foods se torne uma “Amazon Food Services” em modelo idêntico ao que hoje aplica na sua loja online com produtos próprios e de terceiros vendidos e entregues pela Amazon,
  • Será mais um serviço para captar e manter clientes Prime que gastam quase o dobro na Amazon do que os não-Prime.

Há inúmeras análises sobre o negócio. Clique aqui e escolha a sua.

  1. Amazon Lending

Atuando como um banco, mas com riscos bem menores, a empresa empresta dinheiro a seus parceiros comerciais e desconta o pagamento dos repasses que faz periodicamente de acordo com as vendas de cada um.

Possuindo todo o histórico de vendas do parceiro, a Amazon conhece não só seu fluxo de caixa como os momentos nos quais ele pode precisar de um apoio financeiro para compra de estoque ou ampliação do negócio.

O serviço Amazon Lending já emprestou mais de US$ 3bi a 20.000 pequenos negócios desde 2011, sendo US$ 1bi apenas em 2016.

Mais um exemplo de que a tradicional divisão entre campos de atuação de empresas está desaparecendo. Desnecessário dizer que tem muito banco com inveja.

  1. Patente anti-showrooming

Num movimento que pode parecer contraditório com comprar uma rede de varejo offline, a Amazon solicitou a patente de um sistema que pretende impedir ou controlar quando os clientes fazem comparação de preços online de dentro de uma loja física.

Identificando pelo tráfego Wi-Fi quando o cliente faz a comparação de determinado item, o sistema permite que o varejista offline ofereça um cupom de desconto ou que venda pelo menor preço online encontrado pelo comprador.

Não fica clara qual é exatamente a real intenção com essa patente, até obtê-la apenas para que ninguém mais possa tentar impedir showrooming é possível, o que fica claro é que Bezos e sua empresa olham um horizonte que está muito além dos do homo sapiens regularis.


Jabá

comida

Hoje uso esse último espaço para mostrar meu lado escritor gastronômico.

Desde 2006 publico textos, receitas, críticas, degustações e bobagens sobre gastronomia no Bistrô Carioca, um dos primeiros blogs de gastronomia do Rio.

Um dos textos de 2008 foi sobre o conceito de web 2.0 aplicado ao negócio da comida. Já falava de personalização, recomendação e compartilhamento como se fosse hoje.

 

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