PanoraMix#12

 

Hoje a PanoraMix cobre alguns aspectos de um assunto só:

A simbiose entre anunciantes e consumidores e seus intermediários poderosos.

Depois me conta o que você achou.

Abs,
Paco Torras


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O petróleo da era digital são os dados. Os seus.

cinema | netflix | publicidade
Houve uma época em que quem mandava era quem possuía petróleo. O segundo na linha de poder era quem distribuía esse petróleo na forma de combustível aos consumidores. Mas embora o que mova o mundo ainda seja dinheiro, o combustível agora é outro, e é você que produz: dados.

Seja lendo notícias na internet, fazendo compras on-line, dando aquela corridinha de manhã ou apenas sentado no seu carro parado no trânsito, a ubiquidade dos smartphones conectados transformou qualquer atividade quotidiana em um poço sem fundo de produção de dados brutos, prontos para serem analisados, agrupados e transformados em informação útil. Tão útil que as cinco mais valiosas empresas do mundo – Google, Microsoft, Amazon, Facebook e Apple – lucraram juntas USD 25 bilhões só no primeiro trimestre desse ano.

Parte desse dinheiro vem da venda pura e simples de propaganda individualizada com base nos nossos hábitos e comportamento on-line. Outra parte vem do poder que possuir esses dados trazem. O Google, por exemplo, sabe o que procuramos on-line e isso pode mostrar tendências de consumo ainda impossíveis de serem detectadas off-line. Isso permite que a empresa largue na frente de qualquer outra em qualquer área e se proteja de novos inimigos. A Tesla vendeu esse ano apenas 25.000 veículos, mas possui dados de uso de todos eles – estima-se que um carro autônomo gere até 100 Gb de dados por segundo – e por isso já vale mais do que a GM que vendeu 2.3 milhões de carros no mesmo período. Muitas vezes essas empresas sabem o que vai acontecer com você ou o que você precisa, antes mesmo de você perceber.

A capacidade de coletar, analisar e qualificar rapidamente todos esses dados, e agir em cima das informações obtidas, mostra que além de quantidade, a qualidade dos dados únicos e agregados é o verdadeiro combustível que move a indústria digital. A The Economist fez um ótimo briefing sobre esse assunto que você pode ler em inglês aqui.

Concentração da verba publicitária
Essa troca de informações pessoais na forma de hábitos e comportamento online  por serviços gratuitos como os fornecidos pelo Facebook (Newsfeed, IM, etc.) e Google (Busca, Maps, Docs…), faz com que essas empresas sejam capazes de melhorar seus produtos e criar novos serviços e assim se tornarem ainda mais indispensáveis.

Se isso é bom e justo é uma longa discussão, mas os anunciantes gostam tanto de poder fazer propaganda cada vez mais dirigida que essas duas empresas concentram hoje 20% da verba publicitária mundial considerando todas as mídias, online e offline.

Sem intermediários
Já a Netflix adota o lema de Kotler “O mais importante é prever para onde vão os clientes e se postar bem na frente deles” para prestar um serviço que melhora a cada dia. Ela colhe e analisa com profundidade os hábitos de uso de cada assinante, tipos de dispositivos que usa, palavras de busca, horários etc. para a cada acesso poder sugerir novos conteúdos e, mais importante, poder criar séries e filmes mais de acordo com os interesses de seus clientes. A Folha conta isso em mais detalhes.

Não no meu jardim
A estratégia deu tão certo, os clientes da Netflix estão muito satisfeitos, que essa semana houve um desdobramento importante de um assunto que tratamos na PanoraMix#09.

A partir do próximo ano o Festival de Cinema Cannes vai proibir que produções não pensadas para o cinema, como as da Amazon e Netflix, entrem na sua competição. O diretor do festival entende que filmes só são filmes de verdade se forem projetados numa tela grande, no horário que o exibidor quiser, sem intervalos e pagando por cada vez que assistirmos.

Só lembrando que produções da Netflix já foram indicadas e ganharam alguns dos maiores prêmios do cinema como Oscars, Golden Globes e Emmys.


Eremitas Urbanos

sociedade | comportamento
O sucesso da Netflix apenas reforça um comportamento social que vem se intensificando. Em uma sociedade onde quase tudo pode ser entregue em casa, surge a classe dos eremitas urbanos, aqueles que nunca saem de casa para nada, tudo vai até eles. Leia essa reportagem e veja se você se identifica.

O fenômeno da concentração urbana é tão grande que 50% da população mundial já vive em apenas 1% do território terrestre.

Esse movimento é não só uma enorme oportunidade para negócios em diversas áreas, entregas, energia, alimentação, transporte…, mas principalmente um enorme desafio para urbanistas, legisladores e administradores públicos que terão que encontrar soluções de infraestrutura para atender essa população urbana crescente.

Veja aqui tudo o que já publicamos sobre os impactos do crescimento urbano na nossa sociedade.


Mobile first mesmo

mobile
Parece até incoerente, mas ao mesmo tempo que cresce a quantidade de eremitas urbanos, cresce também a quantidade de acessos de serviços pelo smartphone, um dispositivo intrinsicamente móvel.

No Brasil, o acesso móvel já é o principal canal de uso dos serviços bancários. Em 2016, o mobile banking respondeu por 21,9 bilhões de transações, o que equivale a 34% do total. O crescimento registrado pelo canal móvel, em números absolutos, foi de 96% sobre o ano anterior.

Para quem, como eu, que um dia já quebrou a cabeça pensando em formas de driblar o medo dos consumidores em usar cartão de crédito online, essa notícia parece até fake news.

E como você já sabe, se os consumidores estão no mobile, é para lá que os anunciantes vão. Um estudo publicado pelo IAB – Interactive Advertising Bureau – mostrou que ano passado os investimentos em propaganda digital ultrapassaram pela primeira vez a verba publicitária destinada à TV. Para completar o cenário, foi o primeiro ano que o mobile superou o desktop no destino desse dinheiro.

Daí a gente pode dizer que nossa sociedade que vive cada vez mais concentrada está sempre conectada através de dispositivos móveis e gerando enorme quantidade de dados mesmo quando trancada dentro de suas conchas urbanas.


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Quem precisa de smartphones?

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Mas se depender do presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, os dias de dispositivos como os smartphones estão contados. Principalmente dentro de casa onde tecnologias como realidade virtual vão dominar, junto com interfaces de voz, as formas de interatividade sejam lá com quem ou o que forem.

Ele cita como exemplo que, se depender do Facebook, você vai poder ter um par de óculos equipados com a tecnologia que está sendo desenvolvida, a mesma experiência de tela que tem hoje numa TV gigante ou na tela do seu pequeno smartphone. Desde que, é claro, tope dividir com a empresa seus hábitos de consumo.


QUER LEVAR ESSE CONTEÚDO PARA SER DISCUTIDO EM SUA EMPRESA OU GRUPO?

Fazemos encontros semanais ou mensais para discutir como a transformação digital está impactando negócios e sociedade. Fale conosco: panoramix@panora.com.br


Loop

sociedade | negócios
Aqui faço um loop para a primeira nota dessa edição, mostrando que ao longo de toda essa newsletter tratamos de praticamente um único assunto: a simbiose entre anunciantes e consumidores sendo intermediada por administradores de enormes bancos de dados pessoais alimentados voluntariamente em troca de serviços cada vez mais indispensáveis.

A verdade é que encontrar modelos comerciais viáveis numa economia digital onde não há mais um limite claro entre o que é produto e o que é serviço, não é uma tarefa fácil. Para quem vive de vender e comprar espaços publicitários, monetizar a cada vez menor atenção do consumidor num meio cada vez mais fragmentado tem se mostrado extremamente difícil. Manter e atualizar serviços (ou produtos, sei lá) na velocidade necessária para manter o interesse do consumidor custa caro.

Por essas e outras razões, esse modelo de troca de informações por acesso gratuito a alguma coisa tem tido algum sucesso e gerado muito dinheiro apesar dos questionamentos válidos quanto à privacidade e direito de uso dessas informações.

Essa é apenas mais das muitas etapas que deveremos vencer na migração para a economia digital. A minha dúvida mais profunda é se seremos nós a tomar essas decisões ou se seremos tão lentos que as máquinas até nisso irão tomar a dianteira.


A Nível de

música
Já que o assunto é troca, um dos maiores letristas brasileiros escreveu uma música resumindo bem esse tipo de relacionamento que na teoria é um ganha-ganha, mas que na prática pode ter muitas surpresas.

Um comentário sobre “PanoraMix#12

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