PanoraMix #11

Essa semana na PanoraMix#11:

O outro Musk.
Educar pra quê?
Compre Baton…
Fast fashion, tecnologia e liquidações.
Fracasso não se esconde.
Não leitores, mas comentadores.
Ricardo Bofill.

Depois me conta o que você achou.

Abs,
Paco Torras


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Educar para o novo trabalho, mas que trabalho?

trabalho | educação

“Um quarto dos adultos não adquiriram em leitura ou matemática competências básicas para inserção qualificada num mercado de trabalho cada vez mais globalizado e impactado por novas tecnologias. ”

É assim que começa a coluna do Antônio Góis no O Globo na semana passada.

Agora leia esse trecho da coluna do Pedro Doria no Estadão, também da semana passada.

“Um dos efeitos imediatos da revolução digital é que todos, de alguma forma, nos tornamos reféns do mesmo transtorno [a expectativa de que tudo seja respondido rápido]. E isso atrapalha nossa capacidade de trabalhar bem. ”

Somando as duas a gente constata que trabalhar está cada vez mais difícil, seja pela falta de capacitação, seja pelas constantes interrupções ao longo do dia. Hoje somos menos eficientes no trabalho do que vinte anos atrás.

Especialistas sugerem que a solução é trabalhar menos e ser mais focado na atividade ou problema a ser resolvido. Especialização e eficiência exatamente como as dos robôs que estão dominando indústrias e serviços e reduzindo postos de trabalho. Então por que se preparar para um “mercado de trabalho cada vez mais globalizado e impactado por novas tecnologias.”?

Sentiu o drama?


Compre Baton

propaganda | TV | personalização

Esquece tudo o que você sabe sobre anúncios personalizados. Esquece aqueles banners sobre Paris em todos os sites que você visita só porque mês passado pesquisou a idade da Torre Eiffel. Esquece também aqueles anúncios de TV das Casas Bahia que oferecem o mesmo produto para todos que estão vendo TV, independentemente de qualquer perfil ou preferência. Mais fácil: esquece a propaganda como você conhece.

Com a evolução da TV para o modelo de streaming via web, onde os canais são como sites de internet, migram para a sala de casa os modelos de publicidade que nasceram e cresceram na internet anabolizados por tecnologias de inteligência artificial, big data, etc. Web e TV estão criando juntas outro tipo de propaganda, uma que aparece na tela da TV e te chama pelo nome, quase como um telemarketing.

Hoje, conhecer profunda e individualmente o seu público não é só viável como é fundamental para empresas e anunciantes. O Channel 4 da Sky inglesa levou essa ideia ao extremo e está oferecendo a alguns anunciantes do seu serviço de streaming a possibilidade de personalizar a narração e as imagens dos seus anúncios em vídeo com o nome do assinante. A TV da sua sala vai mostrar na tela a imagem do chocolate e você vai ouvir: – Paco, compre Baton…

A Sky possui tecnologia própria que usa todos os tipos de dados – desde localização até a renda, status familiar, hábitos de consumo e de estilo de vida, como ter gato ou cachorro, para criar um perfil detalhado de cada família de assinantes. Usando isso, os anunciantes podem escolher segmentar públicos-alvo específicos, o que significa que você poderá ver peças publicitárias totalmente diferentes das mostradas para seus vizinhos.

Na sua TV exatamente como na sua internet. Você nem vai notar a diferença.


QUER LEVAR ESSE CONTEÚDO PARA SER DISCUTIDO EM SEU GRUPO OU EMPRESA?

Fazemos encontros semanais ou mensais para discutir como a transformação digital está impactando negócios e sociedade.
Fale comigo: paco@panora.com.br


Fast-fashion, tecnologia e o fim das liquidações

varejo | personalização | consumo

Em muitos países a tradição das liquidações sazonais movem o comércio, especialmente o de vestuário. Liquidar estoques de peças fora de moda sempre gerou bons negócios para compradores e vendedores. Mas isso, como muito do varejo como conhecemos, está se tornando passado.

Se os consumidores já não se sentem mais tão atraídos pelos descontos oferecidos (entre 40% e 50% menores do que no passado), a indústria também alterou profundamente seus processos de manufatura e hoje produz on-demand em grande escala. Quase não há mais estoques e esse custo, que onerava os preços finais, praticamente desapareceu, tornando similares os preços de produtos da estação ou fora delas.
O consumidor não precisa mais esperar as liquidações para comprar barato.

Zara, H&M, Primark e Uniqlo são as líderes nesse novo mercado de moda barata e atual que ganhou o nome de fast-fashion. O El Pais explica o que está acontecendo na Espanha com o fim das famosas rebajas.

A tecnologia tem um enorme papel na viabilização desse fenômeno, permitindo análises e projeções de demandas e ordens de compra em tempo real, sem intervenção humana e assim garantindo que quase tudo que é fabricado, será vendido.

A Amazon já deu um pulo na frente e patenteou um processo de fabricação de roupas sob demanda que corta e costura cada peça de acordo com as medidas do comprador depois que ele faz o pedido. Já há aplicativos que usando a câmera do celular tiram as medidas do corpo do cliente com alguma precisão.

Peças únicas em escala industrial, pedidas com um clique e entregues grátis na sua casa em poucos dias. Pra quê liquidação?


Irmão de peixe

comida | consumo | fazendas urbanas

Quando alguém com o sobrenome é Musk inicia um negócio, espera-se sempre algo no mínimo inovador.

Kimbal é irmão do Elon e tem uma cadeia de restaurantes, The Kitchen, onde promove uma alimentação natural longe do sistema industrializado, servindo “comida de verdade” produzida por fazendas americanas. Mas como os Musks não se contentam em ter só um negócio e nunca muito comuns, Kimbal tem outra iniciativa também na área de comida natural, mas longe das fazendas.

A Square Roots é uma aceleradora de fazendas urbanas localizada no Brooklin, em Nova York. Ela possui dez containers estacionados no pátio de uma antiga fábrica de amônia da Pfizer. Aqui vale um parêntese: nesse local há outras quarenta startups na área de alimentação, o que mostra bem a revolução que está acontecendo na produção de alimentos longe do campo.


Cada container da Square Roots tem um empresário responsável, selecionado entre 500 interessados, e está equipado com sensores, iluminação, climatização e sistemas de irrigação para produzir vegetais e temperos que serão consumidos por vizinhos e restaurantes da cidade.
Cada um custa US$ 85.000 e a tecnologia embarcada permite um controle tão fino das condições climáticas no seu interior que é possível reproduzir sabores de produtos de qualquer região e estação do mundo. “Se o melhor manjericão que você comeu foi na Itália no verão de 2006, é possível recriá-lo aqui. ” explica Tobias Peggs, CEO da empresa.

Se você curte o assunto, vale a pena lera a matéria da Backchannel que explica como esse Musk pode vir a nos alimentar enquanto seu irmão nos leva ao espaço.


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Museu do fracasso

inovação | ou não

Inovar é para os fortes. Mas até os fortes cometem gafes tão grandes que merecem ser lembradas para sempre.

Pensando assim, um sueco criou em Helsingborg o Museu do Fracasso reunindo diversas inovações que de tão ruins, sem sentido ou sem noção mesmo, mostram como no afã de estar um passo à frente da concorrência, grandes marcas como Bic, Nokia e Coca-Cola deram vários passos para trás.

A Quartz conta mais e mostra bizarrices como uma lasanha congelada da Colgate, sério.


Ler para poder comentar

mídia | comportamento

Que com a internet e as redes sociais a quantidade de leitores de notícias aumentou enormemente, ninguém discute, mas com eles vieram os não-leitores.

Não-leitores são aqueles que leem apenas a chamada, a manchete, acham que já entenderam tudo e que estão aptos até a comentar a notícia.

É o que mais tem, mas se depender da NRK, a emissora pública de rádio e TV da Noruega, brigas e conflitos infundados entre não leitores vão diminuir.

Para poder comentar as notícias, o leitor deverá responder três perguntas tipo múltipla escolha sobre o conteúdo apresentado.

Claro que o objetivo é garantir que os comentadores não restrinjam a leitura apenas à chamada e assim melhorem o nível dos comentários, principalmente em questões mais polêmicas.

Em tempos de polarizações globais, parece um caminho sensato para garantir um convívio mais harmonioso entre seres humanos. Pelo menos na Suécia.


Brutalismo e santuário nos Pirineus

arquitetura

Não sou particularmente fã do trabalho de Ricardo Bofill, mas não posso negar seu valor e sua influência na arquitetura, principalmente durante o período dos anos 70 e 80.

Dono de um estilo próprio que pode ir do brutalismo ao pós-moderno, sua obra mais emblemática talvez seja  edifício Walden-7, num subúrbio de Barcelona onde ao lado ele tem sua casa e escritório construídos sobre uma antiga fábrica de cimento, numa transformação de uso magnífica, como vocês podem ver abaixo.


Mas minha obra favorita do Bofill é outra restauração, a do Santuário de Meritxell em Andorra, onde já estive inúmeras vezes e não canso de voltar.

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