PanoraMix-#06

MÍDIA

Buzzfeed

O anúncio de um possível IPO do Buzzfeed ano que vem, foi apenas uma das notícias que confirma a completa mudança que veículos de mídia têm que passar para se adaptarem aos novos consumidores e às novas maneiras de consumir conteúdo.

Ao lado de outras iniciativas como a Vice e a Vox, os novos veículos têm em comum a agilidade de mudar de acordo com as mudanças na indústria e na tecnologia. O crescimento do consumo de vídeos on line, por exemplo, foi imediatamente percebido e absorvido por essas empresas, o que não acontece com a mídia tradicional, em geral lenta, quando não refratária a mudanças. O sucesso de canais de vídeo como Tasty, que spo existe em redes sociais, a criação de um enorme estúdio para produções próprias – que geram 1.2 bilhões de visualizações por mês –  e parcerias com grandes empresas como Disney e NBC mostram a relevância que o Buzzfeed conquistou depois de  ser considerado no seu início apenas um site de gatos fofos.

Folha de São Paulo

Outro anúncio, o da Folha de São Paulo e seu novo projeto editorial, confirma não só a necessidade de mudança como uma certa desorientação quanto ao direcionamento dessas mudanças e alguma insistência em mudar, mas não revolucionar.

Claro que nem todo mundo deve, pode ou consegue acompanhar as mudanças que estão acontecendo na mídia, mas pessoalmente esperava um projeto bem mais comprometido com a renovação pela importância que o jornal deu ao seu anúncio. Suspeito que um novo projeto deverá ser elaborado mais brevemente do que o jornal imagina.

Mediapart

Se os grandes veículos ainda não conseguem se renovar completamente, jornalistas que trabalharam nesses veículos por muito tempo, estão conseguindo. Kennedy Alencar conta aqui a história de um jornal eletrônico francês que com foco em informações relevantes em primeira mão (furos) e análises e opiniões fundamentadas e equilibradas, vêm conseguindo crescer e dar lucro com novas estratégias de conteúdo e preços. Uma das mais interessantes é o valor da assinatura mais baixo para quem tem menos de 25 anos. Com versões em francês, espanhol e inglês, o Mediapart tem como lema “Só nossos leitores podem nos comprar”.

No mesmo post há referência à 42, escola de programação em Paris que os leitores do Panora conhecem há muito tempo.

Verticalização

Uma das estratégias que vêm sendo utilizadas pela grande mídia é a segmentação, a especialização e curadoria de assuntos sob novas marcas dentro de um guarda-chuvas de qualidade e confiabilidade construído por décadas.

Entendendo que conteúdos genéricos e misturados, como na home dos grandes portais, já não atrai mais o leitor, veículos como NBC, NYT e Huffington Post estão criando ou incrementando verticais em assuntos como saúde, culinária, tecnologia e ciência para tentar não perder seus leitores para veículos menores e especializados.

Algoritmos na primeira página

Outra estratégia é deixar os algoritmos definirem o que mostrar aos leitores como radicalizou um jornal sueco para sobreviver.

A plataforma adotada para isso dentro do Schibsted é semelhante àquelas que a maioria dos jornalistas usa, mas com uma diferença principal: é ela, e não os editores, que cria a homepage do site. Depois que os jornalistas terminam de escrever uma história, eles definem um valor de “notícia” – uma variável de 1 a 5 – e um valor de “vida útil” – curta, média ou longa – e deixam o algoritmo fazer sua mágica montando e atualizado a homepage. O próximo passo é personalizar cada página ao leitor único que a está visualizando. Ou alguém acha que isso não vai acontecer?

UOL

Como tratamos semana passada, a propaganda online passa por um crise de confiabilidade e o UOL reagiu rápido a isso com uma carta aberta dizendo que é necessário repensar a publicidade na rede.
Mídia é um assunto recorrente no Pabnora. Leia aqui o que já publicamos sobre a nova mídia.


TRANSPORTE E ENERGIA

Produz petróleo, mas só vende elétricos

Enquanto você já sabe que a Finlândia é o modelo mundial em educação, outro país nórdico está se tornando o exemplo do que pode acontecer em matéria de transporte individual. De 1% da frota em 2012, a Noruega hoje tem 5% dos seus veículos movidos a eletricidade e as vendas de novos carros elétricos correspondem a 37% do total. Isso num país que é dos maiores produtores mundiais de petróleo.

Claro que esse movimento não acontece sem um forte incentivo do governo que oferece benefícios diretos como não pagar impostos, pedágios nem estacionamento aos carros elétricos. O objetivo é que em 2025 todos os carros rodando no país sejam elétricos. O Nexo conta essa história e mostra como ainda temos aqui um caminho, não tão longo quanto o da educação, para chegar no nível da Noruega em matéria de carros elétricos.

Enquanto isso, onde elétricos já fazem parte da paisagem, discute-se outra coisa. Discute-se como regular carros autônomos que são dez vezes mais seguros do que os conduzidos por seres humanos , mesmo aqueles sem nenhum ponto na carteira.

Autônomos, elétricos e inteligentes

O Tesla Model 3, elétrico que nos EUA vai custar módicos US$ 35.000, vem com um sistema de piloto automático que que graças ao aprendizado de sua inteligência artificial o fará 90% menos propenso a se envolver em um acidente fatal. Com oito câmeras, sensores de ultrassom, radar e um supercomputador, ele não só aprende com seu próprio uso, mas também com as experiências de todos os outros Teslas rodando nas ruas.

Não precisa ser gênio para ver o impacto disso não só nas indústrias do petróleo e automotiva, mas também na de seguros, embora alguns experts digam que carros totalmente autônomos estão ainda muito longe da realidade. Mas eu aprendi que a realidade é uma coisa que muda diariamente, e rápido.


VAREJO

Tal como a mídia, o varejo também vive num limbo entre o digital e o físico, não está sabendo adaptar-se ao novo consumidor e pagando caro por isso. A quantidade de lojas sendo fechadas nos EUA por grandes varejistas tradicionais não é pequena, veja o gráfico abaixo.

Alguns consideram que é a disrupção tecnológica, representada por empresas como a Amazon, a grande responsável por esse cenário, mas não é bem assim, já que apenas 8% do varejo americano é on-line. A crise parece muito mais uma falta de entendimento sobre as mudanças no mercado e no consumidor aliado à inércia inerente a grandes e tradicionais empresas.

Leia aqui meu artigo sobre o novo consumo

Mas se na direção do offline para o online o caminho parece difícil, o sentido contrário tem atraído algumas empresas que desejam usar seu conhecimento do consumidor para se aproximar ainda mais dele, aplicando no varejo de rua conceitos como recomendação e avaliação que formam a base de confiança do comércio eletrônico.

Um grande exemplo desse movimento vem da Amazon, que depois de vinte e dois anos vendendo livros on-line, está abrindo lojas físicas onde entre outros produtos só vende livros com avaliação acima de 4.5 sobre 5 e inclui nas prateleiras resenhas e comentários feitos online por seus consumidores. A Business Insider visitou um loja em Chicago e mostra aqui o que a Amazon faz que ninguém nunca fez.


“Essa é uma ideia bastante inovadora, mas receio que não podemos considerá-la, pois nunca foi feita antes.”


VERY SMART PHONES

Ninguém discute que os smartphones mudaram a comunicação, viabilizaram novos negócios e até nos transformaram em brilhantes fotógrafos, ou quase isso. Ter um pequeno computador na mão nos permite realizar uma série de coisas que até então só eram possíveis nos computadores de mesa. Mas isso começou a mudar semana passada, com o lançamento do Samsung Galaxy S8.

DeX Dock

Um dos acessórios oferecidos com o aparelho permite conectá-lo a um monitor e teclado transformando-o num computador como sempre conhecemos. O DeX Dock foi desenvolvido em parceria com a Microsoft e permite assim o uso de aplicações como como o Word, Excel e Powerpoint rodando Android numa tela grande. Veja aqui o vídeo demonstrativo.

Olo 3D

Outro uso para o poder de processamento dos aparelhos que todos hoje temos no bolso foi desenvolvido no sentido de ajudar a viabilizar uma profecia que dizia que um dia todos teríamos uma impressora 3D em casa.

A Olo é uma pequena, barata – custa US$99 – e burra impressora 3D que precisa do seu smartphone como cérebro controlador e como iluminação para poder imprimir pequenos objetos. Veja aqui como a Olo funciona.

Se você ainda não está convencido das possibilidades da impressão 3D, conheça aqui o jovem boliviano que imprimiu em casa a prótese para sua mão esquerda e assim ganhou uma qualidade de vida impensável poucos anos atrás.

Os exemplos acima têm ainda inúmeras limitações, mas mostram todo o potencial disponível em um pequeno aparelho que todos nós já sabemos usar e que não vai parar de evoluir. Acredito que veremos muitas outras iniciativas parecidas que irão valorizar, e tornar ainda mais viciantes, os smartphones.


1+1=5

Nada me dá mais prazer do que ver online e offline juntos criando produtos e soluções melhores do que são isoladamente. Melhor ainda quando a tecnologia passa desapercebida do usuário.

O melhor exemplo que vi disso ultimamente foi o Magic Calendar, um calendário de parede como aqueles de papel só que com uma tela de e-paper – como as dos Kindles e Kobos – que sincroniza com o Google Calendar disponível no seu smartphone. Isso não é offline no sentido estrito do termo, mas sim conceitualmente, o que é tão legal quanto.

O vídeo abaixo está em japonês, mas dá para entender exatamente como o calendário funciona.

 


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Abraço,
Paco Torras

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