PanoraMix#04

Você vai ler nessa edição:

Ensinar programação sem computadores | Bons negócios que mudam o mundo | Os novos jeans | Educação movida a dinheiro e egos | Tudo pelo clique. Ou não | Os novos junkies.

Depois me conta o que você achou e quais assuntos gostaria de ver abordados aqui.

Abs,
Paco Torras


PROGRAMAÇÃO SEM COMPUTADORES PARA CRIANÇAS

Educação | Low-tech

Quem acompanha o Panora sabe do meu interesse por educação e de como acredito que é urgente uma remodelação completa na forma e no conteúdo adotados nas escolas privadas e públicas em todos os níveis por aqui.

Leia aqui tudo o que já publiquei sobre educação no Panora. Não é pouca coisa.

Por isso vi como um sopro de otimismo o anúncio do prefeito de São Paulo dizendo que vai oferecer aulas de programação para estudantes do primeiro grau. Essa importante iniciativa não visa somente tentar iniciar as crianças numa área onde a mão de obra é escassa, onde há crescente demanda e é agnóstica quanto à sua localização. Entende-se que aprender a lógica de programação ajuda a pensar de forma mais estruturada e assim a resolver problemas e construir hipóteses mais facilmente em qualquer área. Não só na tecnologia.

Mas meu entusiasmo arrefeceu um pouco quando vi que o projeto começa comprando computadores, tablets e impressoras 3D para 242 escolas, quando os melhores exemplos de iniciativas desse tipo mostram que estudantes da educação básica não precisam de computadores para aprender a lógica e começar a programar. Um dos exemplos, como sempre, vem da Finlândia, onde a apresentação dos conceitos básicos necessários para iniciar as crianças nessa área passa longe de máquinas e estão integrados em atividades do dia a dia delas. A The Atlantic conta essa história. Tomara que o Dória leia.


SMART JEANS

Wearables | Google | Levi’s

Wearables, ou dispositivos vestíveis, é aquele produto onde só algumas vezes on e off line se encontram e produzem algo que é mais do que a soma das partes. É também a área onde empresas centenárias como Levi’s, Montblanc e TAG Heuer se sentem compelidas a investir para estarem atualizadas, menos com seus públicos, que na minha opinião não demandam tanto isso delas, mais como posicionamento de marca. É também onde essas empresas se encontram com gigantes da tecnologia que não têm nem dez anos no mercado.

Já faz algum tempo que o Google criou o Projeto Jacquard, uma plataforma de tecidos inteligentes que recentemente foi usada pela Levi’s para criar uma jaqueta jeans com funcionalidades de toque nas mangas, seria uma smart jacket, e virtualmente impossível de ser diferenciada de qualquer outra dumb jacket que a empresa vem produzindo há décadas. Ela foi apresentada pelas empresas semana passada no SXSW e dois vídeos aqui e aqui mostram como ela é fabricada e usada.

Mas legal mesmo vai ser quando essa tecnologia puder ser integrada num tecido que está sendo considerado como o algodão do futuro, uma seda feita de teia de aranha.


NEGÓCIOS SOCIAIS SÃO CADA VEZ MAIS BONS NEGÓCIOS

Empreendedorismo Social | Comida | IoT

Outro assunto favorito no Panora são os Negócios Sociais, aqueles que resolvem um problema com alto impacto social, beneficiando muita gente, sem fazer caridade e dando lucro. Essa área de negócios vem crescendo bastante e sendo vista como uma ótima opção para empreendedores e investidores. O momento também é de mudança na percepção de empresários e cidadãos de que é feio ganhar dinheiro dessa forma. Feio é deixar de fazer o que é certo e honesto.

Leia aqui meu artigo sobre como Negócios Sociais dão dinheiro e podem mudar o mundo. Há vários exemplos bacanas em áreas como saúde e finanças.

Uma das pessoas que está mudando o mundo é a mineira Mariana Vasconcellos, já falamos dela aqui, que está ganhando prêmios e dinheiro com um grande sonho: resolver a fome do mundo ajudando pequenos e médios produtores a cultivar mais e de forma mais sustentável. O Google e a NASA adoram ela. Conheça a Mariana, seu sonho e suas realizações na reportagem da Época e inspire-se a ganhar dinheiro fazendo o bem..


EDUCAÇÃO TAMBÉM

Educação | Investimentos

O mercado da educação no Brasil está quente.

  • Um fundo de investimentos brasileiro comprou essa semana fatias de duas importantes escolas de ensino fundamental e médio no Rio, a Escola Parque, e em SP, a Escola da Vila.
  • Ano passado a Kroton e a Estácio se fundiram e criaram o maior grupo educacional do Brasil avaliado em R$ 28 bilhões. A operação ainda precisa do aval do CADE.
  • Em 2015 outro fundo de investimentos assumiu o controle da Abril Educação e criou a Somos, que é a maior empresa de educação básica e pré-universitária do Brasil.

Mas nem sempre foi assim por aqui. O Descomplica, nosso maior site de ensino on-line, incrivelmente não tem nenhum investidor institucional brasileiro.

Aquela educação com escolas e universidades criadas e geridas por gerações de famílias como a Veiga de Almeida, Gama Filho e Candido Mendes, não existe mais. Educação se tornou um alvo de grandes investidores não só porque é um grande negócio, mas pelo enorme papel transformador que esse negócio pode ter. E como não existe grande investidor sem um grande ego, todos querem ter o melhor dos dois mundos: retorno e realização pessoal.

Bill Gates e os fundadores do Google, entre outras figuras do mesmo porte, investiram na Kahn Academy, uma das mais conhecidas startups de ensino on-line. Mark Zuckerberg e Andreessen Horowitz lideraram um aporte de US$ 100 milhões na Alt School, rede de escolas de ensino fundamental. Elon Musk criou a Ad Astra, uma escola para os seus cinco filhos e os filhos de funcionários da Tesla, e o nosso Jorge Paulo Lemann montou o fundo Gera Venture para investir apenas em negócios de educação.

Esperemos que além de ampliar o acesso ao ensino e dar retorno financeiro e de imagem aos investidores, essa onda também crie oportunidades para a adoção de um ensino mais alinhado com as novas necessidades de uma sociedade que muda todo dia.


Bots via texto – usei essa expressão na semana passada e não deixei claro o que é. Então vamos lá: Bot é a redução de robot, robô em inglês. Segundo a Wikipedia, bot “é uma aplicação de software concebido para simular ações humanas repetidas vezes de maneira padrão, da mesma forma como faria um robô”.

Um bot via texto é um chatbot, robô capaz de “conversar” com humanos usando mensagens de texto em aplicativos como Messenger e Whatsapp. Faz isso enquanto por trás pesquisa enormes bancos de dados para ser capaz de exibir corretamente as informações para a quais foi programado. Bots em geral também “aprendem” e ficam “mais inteligentes” quanto mais interagem com pessoas ou outros bots.

Está claro? Não? Me pergunte mais.


A ENCRUZILHADA DA PROPAGANDA ON-LINE

Propaganda | Ad-networks  

Duas notícias apontando para caminhos opostos refletem bem esse limbo no qual a propaganda e veículos de mídia on e off-line se encontram e os desafios que têm.
A Adidas decidiu que vai sair da TV e focar sua propaganda no on-line, atrás do engajamento e da interatividade com seus consumidores que não encontra no off-line, e com isso quadriplicar seu faturamento em e-commerce até 2020. O CEO da empresa explica a estratégia aqui.

Mas as flores do on-line às vezes têm espinhos.

O braço no Reino Unido da francesa Havas, maior conglomerado de agências de publicidade do mundo, anunciou que vai suspender temporariamente o investimento de seus clientes no Google e no Youtube. A razão principal é que alguns anúncios estão sendo veiculados, e consequentemente financiando, ao lado de vídeos e sites que promovem terrorismo, discursos de ódio, antissemitismo e racismo. Agora coloque essa questão na Smart TV que temos na sala da casa rodando vídeos da internet para entender o tamanho do problema.

O fato é que agências sempre fecharam os olhos ao pouco controle que têm na distribuição de anúncios via ad-networks desde que o ROI fosse interessante, e essas redes de propaganda pouco se preocupam onde as peças são exibidas desde que o click aconteça. Até agora foi ganha-ganha.

Dois movimentos bastante radicais que mostram como o crescimento do online pode ser ao mesmo tempo atraente e arriscado. E que sem um movimento sério e comprometido dos distribuidores de conteúdo e propaganda (principalmente Google e Facebook) e das agências de publicidade (principalmente as dos grandes anunciantes) no sentido de qualificarem melhor os veículos, pode levar no mínimo a uma desaceleração de todo o movimento em direção ao digital que estamos vendo. Tem até quem ganhe como isso no curto prazo, mas no longo prazo todos acabam perdendo.

Hoje mesmo o Google já se manifestou dizendo que vai contratar gente para controlar e tornar mais rígidas as políticas de distribuição de propaganda através de suas ferramentas e dominios.


OS NOVOS JUNKIES

Comportamento | Saúde | Smartphones

Mesmo com a legalização da maconha em muitos estados americanos, os adolescentes por lá estão consumindo cada vez menos drogas, inclusive as legais como o álcool. Uma corrente de especialistas está começando a achar que não são as campanhas contra as drogas que estão surtindo efeito. Os jovens parecem só estar trocando de vício: drogas e cigarros pelo estímulo constante do smartphone. O NYT conta em detalhes esse comportamento ainda a ser confirmado.

A correlação entre smartphones e drogas ainda é uma teoria que precisa ser estudada mais a fundo, mas lembra outro fenômeno que aconteceu aqui no Brasil mais de uma década atrás: Notou-se uma queda no consumo formiga de cimento, aquele saco que o cara compra para fazer uma obrinha no final de semana em casa, e descobriu-se que o motivo era que o consumidor preferia colocar créditos no celular pré-pago. Não é um vício, mas é igualmente uma opção entre produtos que não pareciam nem de longe concorrentes.

Mas o fato é que se antigamente a gente não tirava o ouvido do celular, hoje a gente não consegue tirar os olhos dele. O vício é legítimo, independente de outros vícios e atinge jovens e adultos da mesma forma.
Para o psicólogo Adam Alter, autor do livro “Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Keeping Us Hooked” vício é aquilo que fazemos e nos dá prazer imediato, que nos prejudica no longo prazo, mas que continuamos a fazer mesmo assim. Tem definição melhor para como usamos nossos smartphones?

Leia a entrevista completa com o psicólogo e veja como a teoria de trocar drogas por minutos no celular parece fazer muito sentido.


A NOSSA TECNOLOGIA A GENTE INVENTA

Arquitetura

Perdi a conta de quantas vezes visitei obras e edifícios de Gaudí em Barcelona. Já pulei muro, já aproveitei porta aberta e já me escondi de vigias para poder ver de perto e por dentro o que o arquiteto catalão construiu. Cansei de visitar o Park Guell, a Sagrada Família e a Pedrera, de graça e praticamente sozinho na Barcelona pré-olímpica. Hoje, se você não comprar ingresso com antecedência, pagando caro, e fazendo fila, esquece. Éramos uns privilegiados.

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Semana passada falei da Zaha Hadid, cujas obras só são viáveis por causa dos novos softwares, processos, sistemas e materiais construtivos. Com Gaudí foi a mesma coisa, só que ele mesmo criava técnicas de visualizar e analisar as estruturas que desenhava no papel.

Soluções rudimentares, mas muito eficientes, que são apresentadas na exposição que abriu no MAM, no Rio sobre as obrad o catalão. Ela mostra como processos empíricos e artesanais podem trazer resultados tão espetaculares quanto os que dependem de modernas tecnologias. O Washington Fajardo escreveu um texto bacana sobre as formas criadas por Gaudí e que você vai poder ver na exposição.

GAUDÍ: BARCELONA, 1900

Onde: MAM – Av. Infante Dom Henrique 85, Aterro (3883-5600). Quando: Até 30/4. Ter. a sex., das 12h às 18h; sáb., dom. e feriados, das 11h às 18h. Quanto: R$ 14. Classificação: Livre.


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Quais assuntos você gostaria de ver aqui? Mande um email para panoramix@panora.com.br com suas sugestões.

Leia as ediçoes anteriores da Panoramix clicando aqui.

Abraço,
Paco Torras

2 comentários sobre “PanoraMix#04

  1. Pingback: PanoraMix #05 | Paco Torras | PANORA

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