PanoraMix #03

Nesta semana a PanoraMix vai mostrar que livros e e-books são finalmente a mesma coisa. Satélites podem prever cotações de ações e salvar o varejo. Poker, medicina e inteligência artificial andam juntas e outras iniciativas que estão mudando nossa sociedade e talvez você não tenha percebido. Isso, e a Zaha Hadid. Depois me conta o que achou.

– por Paco Torras


VIRANDO A PÁGINA DEPOIS DE 14 ANOS

Ebook | Educação

 

Lembram que na semana passada falamos sobre nosso governo querendo tributar uma TV que nem existe ainda? Ao contrário da ANCINE, nosso STF parece ser um pouco mais lúcido, mas nem sempre, e deu uma demonstração de que entende que a tecnologia é aliada do crescimento, inclusive da arrecadação, e da difusão do conhecimento.
Num processo que começou QUATORZE anos atrás (o Kindle foi lançado há nove), o tribunal decidiu que o suporte não importa então e-books e e-readers têm a mesma imunidade tributária dos livros de papel.

Mesmo com justificativas que me parecem infantis como a do ministro Fux dizendo que “não é preciso matar árvores para garantir a liberdade de informação por meio da mídia”, é uma decisão que dá alguma segurança tributária para quem investe na área. Inúmeras pequenas editoras que publicam exclusivamente no formato digital estão celebrando.

A ministra Cármen Lúcia colocou bem no seu voto: “criar dificuldade financeira para as pessoas acessarem os livros eletrônicos e outras fontes de conhecimento é uma forma de censura”. Esperemos que esse ponto de vista se estenda às muitas outras áreas nas quais o excesso de impostos inviabiliza o acesso a informação e cultura. E que não demore mais quatorze anos.


SOL E CEL DISTRIBUINDO LIVROS

Ebook | Educação | Energia

 

Quem sabe agora isso comece a fazer sentido?

Como energia solar e rede de celulares podem transformar as bibliotecas


TRUMP, AD-BLOCKERS E ESTUDANTES AJUDANDO A MÍDIA TRADICIONAL

Mídia | Retargeting

 

Semana passada falamos aqui sobre os enormes desafios que imprensa e jornalistas, principalmente da mídia tradicional, têm pela frente para conseguirem participar desse já não tão novo momento digital. Mas, ao contrário da mídia, o leitor não é bobo e conhece muito bem onde e quando buscar informação séria, independente e com opinião, pelo menos nos EUA.

Graças também ao mais odiado presidente americano dos últimos tempos, pelo menos pela grande mídia, as assinaturas de jornais por lá estão crescendo como nunca, e não só para a grande mídia. Desde as últimas eleições, o New York Times tem visto um crescimento mensal de assinaturas on e offline de até 1.000%.

Outros grandes veículos também estão passando por essa bonança que, segundo analistas, não se deve só ao cenário político, há também um cansaço geral com a onipresença da propaganda on-line. O leitor está preferindo pagar um preço justo do que aturar o insuportável retargeting. Isso fica evidente quando se descobre que mais de 80 milhões de americanos usam ad-blockers, que custam às redes de propaganda cerca de US$ 10bi por ano de anúncios não exibidos. Dinheiro que parcialmente era dividido com os veículos.

O Techcrunch faz uma boa análise desse momento enquanto a gente aqui no Brasil espera que nossos grandes veículos percebam que o leitor não é bobo e está três passos à frente, mas sempre com um pé atrás, sobre o que lê nos jornais.

Mas o bom momento das assinaturas por lá, pelo menos para o NYT, não quer dizer que o jornal pode relaxar na captação de novos assinantes nem na formação de leitores. O principal jornal do país criou um programa de patrocínio de assinaturas para estudantes que já conseguiu 15.000 doadores, um deles doou US$ 1 milhão, e beneficia 1.3 milhão de estudantes. A Fortune conta mais dessa iniciativa.

Aliás, como sempre digo, basta aos jornais brasileiros copiarem o que o NYT e o Washington Post andam fazendo nos últimos anos, não só em matéria de produto, mas também no posicionamento editorial claro e transparente, para acelerarem suas iniciativas digitais. Não precisa reinventar a roda.


MINHAS INFORMAÇÕES, SUAS REGRAS. OU NÃO.

Internet | Privacidade

 

O pai da Internet publicou semana passada uma carta aberta em comemoração dos 28 anos da world wide web. Nela ele levanta três preocupações que viu crescer no último ano e propõe ações para corrigi-las:

  • Perdemos controle das nossas informações pessoais.
  • Está fácil distribuir desinformação na rede.
  • Propaganda política precisa ser mais transparente.

Mas tem gente acha muita ingenuidade dele propor mudanças enquanto os órgãos reguladores da internet, que ele dirige, forem custeados por empresas como Google e Facebook que vivem de colher e compartilhar informações sobre nós, usuários de seus serviços.

Leia o ponto de vista de Aral Balkan sobre a carta de Tim Berners-Lee e comente o que você acha.


SEU VIZINHO VAI PRODUZIR O QUE VOCÊ COME

Comida | Fazendas Urbanas

 

Embora muita gente acredite que quem vai alimentar o mundo é o campo, a verdade não é exatamente essa. Claro que o campo, com os enormes investimentos em tecnologia – de GPS a genética – vai ter um papel preponderante nas culturas extensivas como soja, trigo e milho, mas a nossa verdura, o nosso tempero do dia a dia, virá da cobertura de um prédio vizinho, virá de um galpão abandonado, virá no máximo de um subúrbio. Alguns peixes e frutas também. Claro, também, com uso intenso de diversas tecnologias.

Um dos maiores custos dos alimentos, naturais ou processados é o transporte até onde estão os consumidores. Então, produzir esses alimentos mais perto do cliente, mesmo tendo que investir em tecnologia, faz algum sentido. É isso que empresas como a suíça Urban Farmers e a americana Vertical Harvest se propõem a fazer.

A primeira tem uma iniciativa em SP e produz 5 toneladas de vegetais e 850 kg de peixes em uma fazenda de 250 m2 na Basiléia. A segunda vai produzir em 1.200m2 com a técnica hidropônica a mesma quantidade de vegetais que precisariam de 20.000m2 para serem produzidos com a técnica tradicional.

O Guardian fez uma lista de projetos de fazendas urbanas pelo mundo, um outro também em São Paulo.


DE LONGE NEM TUDO É NORMAL

Consumo | Varejo

 

Na primeira edição desta newsletter falamos sobre uma agência digital que está abrindo uma cafeteria com diversos sistemas e sensores digitais integrados para entender melhor seus consumidores e poder oferecer dados e insights aos seus clientes.

Isso mostra como o varejo físico em geral está se tornando cada vez mais complexo, principalmente para grandes redes que foram lentas na adoção de ferramentas e sistemas digitais com o objetivo de conhecer e antecipar o comportamento do novo consumidor. Um pouco de soberba e alguma miopia que ficam evidentes até em imagens de satélites.

Uma empresa da Califórnia  vem usando essas imagens para medir o pulso de mais de 90 grandes varejistas americanos analisando apenas os padrões de ocupação de 250.000 estacionamentos comerciais ao longo do tempo. No caso da J.C.Penney, tradicional cadeia americana que anunciou o fechamento de 39 lojas esse ano, a queda na ocupação dos seus estacionamentos acompanha de forma espantosa a queda no preço de suas ações. Veja o gráfico comparativo aqui.

Os dois exemplos mostram tanto como o varejo tradicional precisa cada vez mais da tecnologia como aliada para sobreviver quanto como a análise de dados se tonou uma atividade fundamental para qualquer negócio.


MÁQUINAS NATURALMENTE INTELIGENTES

AI | Big Data | Poker | Medicina

 

A quantidade de dados coletados por empresas como as mencionadas acima é tão gigantesca que fica impossível transformá-los e em algo que acrescente valor sem a ajuda de sistemas inteligentes. Tão inteligentes que estão se sobrepondo aos seus criadores em áreas tão distintas quanto poker e diagnósticos médicos.

Na saúde, duas iniciativas com públicos, meios e profundidades diferentes mostram que as possibilidades quando big data e inteligência artificial se unem. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido está testando um bot via chat como alternativa de atendimento. O sistema faz perguntas sobre os sintomas que o cidadão está sentindo e de acordo com as respostas o aconselha ou não a procurar o serviço médico. Durante a “consulta” o bota cruza as informações de um enorme banco de dados e depois de até doze interações toma a decisão sobre o que dizer ao paciente.

Também no Reino Unido, o Imperial College de Londres criou um sistema de inteligência artificial que diagnostica hipertensão pulmonar com 80% de acerto enquanto cardiologista com coração pulsante acertam 60% delas.

Mas talvez o exemplo mais impressionante não salva vidas. É o Libratus, jogador artificial de poker criado pela Universidade Carnegie Mellon, que derrotou os melhores profissionais do jogo e tirou US$ 1.7 milhão deles. Essa vitória está sendo considerada mais importante do que o Big Deep Blue da IBM que derrotou Garry Kasparov no xadrez em 1997 pois no poker o Libratus teve que lidar com informações ocultas, blefes e desinformação praticadas pelos oponentes.
O Wall Street Journal conta essas histórias e como a Inteligência Artificial vai mudar tudo.


INVESTIMENTO DE RISCO, MAS NEM SEMPRE

Energia | Musk | Tesla

 

Enquanto por aqui a gente faz licitação para construção de usinas termoelétricas, aquelas que queimam algum produto orgânico como gás, carvão, óleo e até lixo para gerar energia, na Austrália o mega-empresário Elon Musk propôs, como sempre como um desafio, terminar com os apagões na parte sul do país construindo uma fazenda de baterias para armazenar energia. Na sua proposta ele diz que, se não entregar a instalação de 100 MW pronta em 100 dias, não cobra os US$ 100 milhões que custa a obra.  Venture capital é isso.

Outra do Musk, dessa vez com a Tesla, sua fábrica de carros elétricos que não faz propaganda, foi aceitar a sugestão de uma adolescente e fazer um concurso que irá premiar os melhores vídeos produzidos e publicados por proprietários de Teslas elogiando o carro. Investir dinheiro em propaganda tendo os clientes mais felizes do mercado pra quê? Se você tem um Tesla e quer participar, clique aqui.

Não é a primeira sugestão de cliente que Musk implementa com rapidez.


UMA LIBANESA RARA

Arquitetura

 

Acompanhei de perto a carreira da Zaha Hadid, que faleceu há um ano. Arquiteta com traço único e projetos que só puderam ser viabilizados com a enorme evolução da tecnologia dos softwares de desenho e das técnicas e materiais construtivos, foi vencedora de um prêmio RIBA e do Pritzker. A libanesa só teve seu primeiro projeto importante construído onze anos depois de abrir seu escritório em 1980, foi essa estação de bombeiros na fábrica de móveis Vitra, abaixo. Hoje ela é considerada entre os grandes arquitetos do século.

A revista W fez um slideshow com algumas das suas principais obras. Não deixe de ver.

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Abraço,
Paco Torras


Um comentário sobre “PanoraMix #03

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