PanoraMix #02

Você sabia que já querem taxar uma TV que nem existe, robôs geram empregos, há investidores sadô-masô, vintage tech e um dinossauro com 67 anos? É, o mundo não está fácil de entender, por isso estamos aqui. São só oito minutos de leitura. Depois me conta o que achou.

– por Paco Torras

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A SEGUNDA TELA NÃO É MAIS AQUELA (2)

Mídia | TV | Netflix | Youtube

Como diz a chamada da Band News FM, em 20 minutos tudo pode mudar. E mudou. No mesmo dia em que publicamos a primeira edição desta newsletter, onde falamos sobre como o consumo de TV está mudando de canal (ui!), o Youtube anunciou que vai começar a distribuir a programação ao vivo de diversos canais de TV aberta e a cabo americanas. Isso pode ser o início de uma enorme disrupção no mercado, principalmente no publicitário, pois os anúncios dessa nova TV via web deixam de ser de massa e passam a ser personalizados, de acordo com as buscas no Google e o consumo de vídeo de cada usuário. O melhor dos dois mundos. O Wall Street Journal detalha o que pode acontecer.

E o Atletiba, hein? O clássico do futebol paranaense acabou sendo jogado na quarta-feira passada e transmitido pelo Youtube e Facebook mas não pela TV como conhecemos. Teve mais de 3,5 milhões de visualizações. De graça.

E como nosso governo só pensa naquilo e não aguenta ver o mercado se soltando e se auto regulando, a ANCINE, agência que regula a produção e distribuição de filmes e séries, com a bizarra justificativa de que “49% dos usuários de banda larga estão vendo VOD (vídeo on demand) ” e por isso “merecem atenção do Estado”, quer arrumar uma maneira de taxar serviços como a Netflix e arrecadar R$ 300 milhões até 2022. Ricardo Feltrin detalha essa atenção toda, não conosco, mas com a na nossa carteira.


E POR FALAR EM CARTEIRA…

Dinheiro | Fintech

A sua vai estar cada vez mais vazia, e não é só por causa das fisgadas do governo.


QUEM DIRIA QUE ROBÔS PODEM GERAR EMPREGOS?

Trabalho | Automação

O trabalho no futuro é um assunto recorrente no Panora, e a substituição de mão de obra humana por robôs ou sistemas automatizados é uma realidade agora. Enquanto esses sistemas eram caros e inacessíveis e a mão de obra barata, essa substituição foi lenta e restrita a ambientes industriais, longe do público em geral. Mas com o aumento real de salários, redução dos custos tecnológicos e a evolução desses sistemas, muitas iniciativas desse tipo estão se tornando viáveis, acontecendo agora e cada vez mais perto do consumidor.

A Wendy’s, uma das maiores cadeias de fast-food dos EUA, pretende instalar esse ano mais de 1.000 quiosques self-service automatizados dos seus restaurantes. Numa indústria onde 73% das tarefas pode ser automatizada, qualquer aumento de custos trabalhistas pode ser revertido com automação.

Mas, ao contrário do que se possa pensar, num primeiro momento essa automação pode até gerar um crescimento do número de empregados no back office devido ao aumento da quantidade de pedidos gerados pelos sistemas autônomos mais eficientes. Pelo menos por enquanto robôs podem vir a gerar empregos, por mais paradoxal que isso pareça. Fico pensando que com os altíssimos custos trabalhistas no nosso país, mesmo com baixos salários, quanto tempo falta para nos tornarmos o paraíso da automação. Ou não.

Mas como não sou funcionário de fast food, tenho medo mesmo é dos robôs da Boston Dynamics, empresa do Google. Assista ao vídeo até o fim.


A OFENSA PÚBLICA INICIAL DE AÇÕES DO SNAPCHAT

Tecnologia | Negócios | Dinheiro

Você investiria US$ 3.4 bilhões por 15% de uma empresa sem ter direito a voto, sem poder participar das decisões? Talvez? OK. E se além disso essa empresa nunca tenha dado lucro e declare oficialmente que não sabe quando nem se um dia vai dar? Parece pegadinha, mas não é. O IPO do Snapchat estabeleceu um novo parâmetro para a abertura de capital de empresas de tecnologia nos EUA, oferecendo exatamente essas condições. E foi um sucesso.

Dirigida por um jovem de 26 anos que recusou a oferta US$ 3 bilhões do Facebook anos atrás quando tinha seis funcionários, hoje tem 2.000, a Snap não se posiciona como um app, mas como uma “empresa de câmeras”, tipo Nikon. No lançamento das suas ações o mercado a avaliou, nessas condições que citei acima, em US$ 28 bilhões. Alguns analistas levantam a irracionalidade do mercado aceitando os termos propostos e chegam a dizer que não dá para chamar de ação o papel vendido pela empresa nessas condições.

Mas o fato é muita gente ganhou muito dinheiro. No dia seguinte ao lançamento a ação já valia mais 44% do que seu preço inicial. A melhor história de quem ganhou é a de uma escola secundária que em 2012 investiu US$ 15.000 do seu fundo de investimentos – claro que a escola é no Silicon Valley – e viu esse dinheiro se transformar em US$ 24 milhões na semana passada. Como se fosse uma câmera com zoom de 1.600x.


E SE O HELIO GANHAR UM PULITZER?

Mídia | AI | Trabalho

Que a mídia em geral, e a impressa em particular, até hoje tem muitas dificuldades em entender o digital é um fato inconteste e outro assunto largamente discutido no Panora. Obviamente isso tem um enorme impacto nos profissionais de jornalismo que estão tendo que se reinventar para continuar exercendo sua atividade. A pulverização da produção e distribuição de conteúdo tornam tudo mais complicado. Mas, como diz Murphy, se algo pode piorar, irá piorar.

Durante as Olimpíadas do Rio, o Washington Post testou uma versão atualizada do Heliograf, um sistema de inteligência artificial que produz – escreve – artigos e reportagens utilizando templates criadas por editores humanos e enormes bases de dados com informações estruturadas. O objetivo comercial do projeto do Post é que o Heliograf trabalhe para ampliar sua base de leitores produzindo e publicando conteúdos específicos para muitas pequenas audiências locais e de nicho, inviáveis de serem cobertas por jornalistas, complementando assim o conteúdo genérico para a massa produzido normalmente.

Claro que o Post diz que não há a intenção de substituir os jornalistas, mas sim tirá-los de atividades repetitivas e de busca intensa de dados e deixá-los livres para produzir matérias e análises com mais profundidade. Pode ser. A Wired conta essa história e mostra outros sistemas além do Heliograf.

Se você acha que não é possível um robô jornalista te enganar, o New York Times tem um teste para você. Faça aqui e me conte seu resultado. Acertei metade.


MOBILE WORLD BRECHÓ

Tecnologia | Música | Negócios

O MWC – principal congresso mundial de negócios e tecnologia móveis – aconteceu semana passada em Barcelona, e o relançamento de um celular Nokia do século passado dominou a cobertura do evento. Você deve ter visto o novo 3310 em diversas reportagens. Não vou falar dele aqui, vou falar de outro produto apresentado lá que usa uma tecnologia mais antiga que o aparelho da Nokia e que, como ele, ganhou uma repaginada para atender um consumidor menos nostálgico.

FireChat é um aplicativo que cria uma rede entre seus usuários utilizando o rádio bluetooth presente em qualquer celular seja dumb ou smart. Essa rede funciona totalmente independente de operadora ou wifi, nem chip o aparelho precisa ter. O único requisito é que os usuários estejam razoavelmente próximos uns dos outros para que juntos criem e compartilhem uma rede bluetooth entre seus aparelhos e por ela possam trocar arquivos e se comunicar longe da operadora de telefonia.

Por aqui quem já usa a tecnologia é o aplicativo de música PalcoMP3 que entre outros serviços irá permitir aos seus usuários compartilharem músicas e playlists quando estiverem dentro da rede criada por eles no aplicativo.  A matéria da Quartz fala mais sobre os dois apps e modelo de negócios da Open Garden, empresa criadora da tecnologia.


REENGENHARIA PARA ENGENHEIROS

Educação | Trabalho

A experiência de um jovem estudante de engenharia que trocou o ITA pela Polytechnique de Paris descrita pela Época, é um espelho do ensino superior brasileiro que forma mal, pouco e nas áreas erradas, apesar do enorme investimento estatal e privado.

Esse é um dos motivos pelo qual o déficit estimado de 150.000 engenheiros – profissão fundamental num país em crescimento – tende a não diminuir, pois apesar do aumento na quantidade de matriculas em cursos de engenharia, somente 30% delas são em instituições de melhor padrão (notas 4 e 5 no enade). Escolas como o ITA, que forma anualmente 120 bons engenheiros e mesmo assim perde 13 estudantes para o exterior todos os anos. Por isso também é que apesar da alta demanda, os salários da categoria não subiram muito além das demais. Nossos engenheiros são poucos e em geral mal formados.

O Nobel de física Richard Feynman avisou isso na década de 50.

A reportagem da Época conta outras histórias de ótimos alunos de engenharia deixando o país, porque nossas instituições de ensino técnico são tão jurássicas e o que está sendo feito para tentar melhorar o panorama. Adianto logo que a paisagem não é bonita.


NEM TODO JURÁSSICO É DINOSSAURO

Arqueologia

Não sei você, mas algumas vezes, assistindo e participando de toda essa evolução que acontece todo dia, me sinto tão jurássico quanto nossas universidades. Mas ao contrário do Mark Knoplfer, que é outro jurássico, eu ainda não tenho uma espécie de dinossauro, a Masiakasaurus knopfleri, batizada em minha homenagem como ele tem. Mas há esperanças, pois ter um dinossauro com meu nome é menos impossível de acontecer do que eu aprender a tocar a guitarra que o Mark toca. Aumenta o som.


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Procuro olhar, analisar e entender para onde nossa sociedade está indo e ajudar empresas e pessoas a estarem preparados para o que vem por aí. Gosto também de me divertir cozinhando, comendo e bebendo, quando prefiro olhar para trás e evitar modinhas e tendências de fim de semana.  – @pacotorras

Um comentário sobre “PanoraMix #02

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