As quatro pessoas que você tem que conhecer para entender a Nova Economia

Quem vem acompanhando essa série de artigos já sabe que a nova economia coloca o indivíduo no centro da sociedade. Tudo parte dele e tudo converge para o seu benefício. É ele quem cria e usufrui de suas criações. É ele que demanda e viabiliza atividades que até então não existiam ou não lhe satisfaziam plenamente.

Por isso, para encerrar a série de artigos, não poderia deixar de falar das pessoas que fazem a nova economia. De quem rompeu paradigmas, entendeu o que o a sociedade estava pedindo e criou produtos, serviços e empresas que a estão nos transformando nessa sociedade mais transparente, participativa e cheia de novas oportunidades. Um admirável mundo novo feito por gente quase como a gente.

Uma coisa comum a várias dessas pessoas é que elas eram próximas mas externas às indústrias que revolucionaram. E que, agora vemos, precisavam desse novo olhar para saírem de um marasmo que nem elas nem nós sabíamos que nos encontrávamos. Do Travis Kalanick mudando o mercado de trabalho com o Uber, Elon Musk viabilizando carros elétricos antes das grandes montadoras, Jeff Bezos transformando o varejo ao Steve Jobs criando um suporte que destruiu, salvou e construiu várias indústrias, todos eles mostram que o impossível, como na arte, depende muito mais de como se olha do que o que se olha.

Escolhi apenas quatro das tantas pessoas que criam, operam, investem e fazem crescer a nova economia.

Elon Musk – Fundador do PayPal, Tesla, Space X, Hyperloop…

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Elon Musk é um ponto fora da curva dos que têm quebrado paradigmas, barreiras e conceitos e estabelecido novos parâmetros para uma sociedade que que ainda nem começou a se formar fora da sua cabeça. Suas iniciativas são tantas e tão diversificadas que fica clara sua preocupação primeira com o futuro. Nada do que ele anda fazendo terá um enorme impacto no agora, mas são definidoras de como pode ser o nosso amanhã seja no transporte individual, coletivo ou espacial, seja em meios de pagamento, seja na educação ou geração de energia.

Com 44 anos, Musk nasceu na África do Sul e é um daqueles gênios precoces que aprenderam sozinhos a programar nos primeiros computadores pessoais e que com doze anos criou e vendeu um vídeo game chamado Blastar, que você pode jogar aqui. Formado em física e economia, seu primeiro negócio foi uma boate clandestina no campus de Universidade da Pennsylvania. O segundo foi a Zip2, empresa de conteúdo web que ele vendeu para a Compaq por modestos USD 307 milhões em dinheiro.

Com essa grana ele começou a montar um portfólio de empreendimentos que começa com a PayPal, de pagamentos on-line que hoje é do Ebay, inclui a Tesla da qual ele é CEO com salário de USD 1 por mês que fabrica carros elétricos, a SpaceX de foguetes e viagens espaciais, a SolarCity de painéis fotovoltaicos para residências e, entre outras, termina com a Ad Astra, a escola onde estudam seus cinco e os filhos de alguns funcionários da Tesla. Claro que a escola não tem um formato nem um currículo comum, tem o que Musk entende ser relevante na educação das crianças para o futuro que ele imagina.

Considerado um Tony Stark –  o Homem de Ferro – da vida real, Elon Musk acredita que sem errar é impossível inovar o necessário. Quem faz foguetes não poderia pensar diferente, certo?

Se quiser conhecer melhor essa figura que hoje pode não ter grande influência na sua vida, mas que em breve terá, ele já tem uma biografia publicada e com muito boas avaliações.

Steve Jobs – Fundador da Apple

steve-jobs-holding-iphoneÉ muita pretensão minha fazer uma mini bio de um dos maiores criadores da história moderna, mas ao mesmo tempo é impossível não incluí-lo nessa lista, pois muitos dos negócios e pessoas que citamos na série de artigos não existiriam ou no mínimo teriam mais dificuldade de existir se não fosse por causa dele.

Antes de criar um aparelho que revolucionou não só a indústria de telecom, mas criou toda uma nova economia, Steve Jobs acertou e errou muitas vezes, reinou e foi destronado outras tantas, mas nunca se acomodou, nunca parou de olhar para frente, para além do que parecia possível em cada momento. A Apple foi como uma tela em branco onde ele pôde desenvolver produtos e negócios inéditos e de enorme valor para a companhia e seus consumidores que se assemelham mais a seguidores, torcedores e fãs do que clientes.

Claro que nem tudo foram flores, muita coisa deu errado, a empresa quase quebrou, mas isso parece ser o caminho natural de quem está sempre em busca do novo, do impossível, daquilo que nem os consumidores sabem que desejam. O iTunes e o iPhone são só dois dos grandes momentos da sua carreira.

O iTunes revolucionou a indústria da música que estava desesperada e desorientada com a pirataria digital que dominava o mercado, e o iPhone a indústria de celulares que estava acomodada e dependente da inovação que Nokia e RIM desejassem desenvolver. Precisou de alguém de fora desses dois mercados, com um olhar fresco e sem vícios para virá-los do avesso, recriá-los e transformá-los em algo totalmente novo. Algo que fez da Apple uma das empresas mais valiosas do mundo.

Para a Nova Economia, o iPhone e todos os sistemas operacionais, lojas de aplicativos e aparelhos que surgiram depois dele criaram uma nova indústria principalmente de serviços que até então praticamente não existia ou era irrelevante. E não estamos falando apenas da tecnologia, estamos falando e todo um eco sistema de negócios com modelos comerciais, planos de celular, investimentos, trabalho, etc. que surgiu à sua volta. Tudo saiu da cabeça de um gênio que via oportunidades onde ninguém mais via, mas, acima de tudo, estava disposto a errar quantas vezes fossem necessárias.

Steve Jobs tem, além de filmes, várias biografias publicadas. A melhor é essa aqui escrita por Walter Isaacson.

Travis Kalanick – Fundador do Uber

17-travis-kalanick.w750.h560.2xFundador do Uber é pouco para descrever o impacto global que Kalanick cometeu na economia. Se não foi ele que de fato criou a economia do compartilhamento, sua empresa tornou-se o principal exemplo dela.

Antes de revolucionar o transporte urbano individual com o Uber, o americano que fará 40 anos no próximo dia 6 de agosto, já tinha quebrado uma empresa e vendido outra, ambas de compartilhamento P2P de arquivos, o que lhe deu não só algum dinheiro, no caso da venda, mas principalmente uma casca grossa para encarar problemas regulatórios e grandes interesses consolidados da velha economia, no caso da que quebrou. Cursou sem completar a faculdade de engenharia da computação na Universidade da Califórnia, e segundo a revista Forbes é o 290° mais rico dos EUA com uma fortuna estimada de USD 6 bilhões.

Disruptor, gênio, visionário e babaca são adjetivos comumente usados para descrever Travis Kalanick que criou muito mais do que apenas uma empresa que em pouco mais de quatro anos está perto de valer tanto quanto a Volkswagen. Ele criou todo um novo modelo de negócios nunca antes visto, um verbo que se tornou mantra dos empresários que buscam uberizar atividades e negócios e acordou um mercado de trabalho que era mantido adormecido por interesses e leis arcaicas. Além disso despertou um sem número de empreendedores que criam milhares de empresas pelo mudo com o objetivo de ser o próximo “Uber dos ……”. Na minha opinião ele tem direito de cobrar royalties dessas empresas.

Jeff Bezos – Fundador da Amazon

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Não é toda hora que a gente vê um fazendeiro de tornar-se um magnata do e-commerce, certo? Mas foi exatamente o que aconteceu com Jeff Bezos que saiu da fazenda de seus avós no Texas para fundar entre outras empresas a maior loja on-line do mundo, passando primeiro por Wall Street onde percebeu o potencial da Internet como plataforma de comércio.

Depois de se formar com honras em Princeton e trabalhar em algumas corretoras e hedge funds, Bezos fundou em 1994 a Amazon inicialmente como uma livraria on-line instalada, segundo a lenda, na garagem de sua casa. No ótimo livro A Loja de Tudo de Brad Stone, ele é descrito como dono de uma gargalhada única e de uma obsessão doentia por detalhes.

Como tantos outros empreendedores, ele entrou em um mercado no qual não tinha nenhuma experiência. Quando se pensava em livraria, pensava-se em Barnes & Noble e Borders que dominavam amplamente o mercado B2C. Da sua garagem Bezos criou um negócio que vendia mais barato, mesmo perdendo dinheiro, tinha uma oferta de livros praticamente infinita – o sonho dele até hoje é ter à venda pelo menos um exemplar de todos os livros publicados – e oferecia um atendimento ao consumidor que é inigualável até hoje.

Enquanto dominava o mercado de livros obrigando a concorrência a fechar ou pedir concordata, a Amazon, sempre sob o pulso forte e determinado de Bezos, paulatinamente ia entrando em outros segmentos até se tornar concorrente do maior varejista dos EUA, o Walmart de quem ele copiou e aperfeiçoou diversas práticas comercias. Jeff Bezos nunca teve problemas em copiar e melhorar o que dava certo e sempre contratou os melhores e mais experientes profissionais das áreas nas quais a Amazon tinha carência.

Hoje a Amazon é líder mundial no comércio eletrônico e ele tem uma fortuna avaliada em USD 50 bilhões sendo o quinto homem mais rico do mundo segundo a Forbes.

Como se não bastasse, através da sua empresa de investimentos ele tem participações em muitas empresas que constroem a nova economia como Airbnb, Uber e Facebook e até na velha economia com o controle do jornal The Washington Post.

Como Elon Musk ele também investe na corrida espacial com a Blue Origin e como Steve Jobs ele também foi adotado. Seu pai é um cubano de quem ele herdou o sobrenome.

De fato, não fracassei ao tentar, cerca de 10.000 vezes, desenvolver um acumulador. Simplesmente, encontrei 10.000 maneiras que não funcionam.

– Thomas Edison –

Desnecessário dizer que não são apenas esses quatro os que têm movido a Nova Economia, longe disso. Sem empresas de investimentos e capitalistas de risco que investem nas ideias desses gênios e de tantos outros não tão gênios, mas igualmente empreendedores, pouco disso teria acontecido. Por isso, entre tantas outras características comuns, saber vender uma ideia é tão importante quanto tê-la e esses quatro além de tudo, souberam muito bem fazer isso.

Gente inquieta, criativa, com uma certa dose de arrogância, uma cabeça que aceite o erro como parte do processo e algum dinheiro foi capaz de iniciar mudanças que acontecem numa velocidade poucas vezes vistas na história. Nós temos o privilégio de conviver com elas, sentir o impacto de suas realizações nas nossas vidas e imaginar como tudo isso irá evoluir tendo como nunca e cada vez mais o ser humano comum como centro de tudo.

Obrigado a todos que acompanharam essa série de artigos com comentários sempre pertinentes e gentis. Foi um enorme prazer dividir isso com vocês.

3 comentários sobre “As quatro pessoas que você tem que conhecer para entender a Nova Economia

  1. Pingback: A Nova Economia e a Nova Sociedade – o resumo | Panora

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