Política e Dinheiro. Com quem está o Poder na Nova Economia?

Se há alguém que se sente muito prejudicado pelos impactos da Nova Economia é aquele governo que não cumpre o seu papel de líder incentivador, que deixa de perceber e atender ao novo cidadão e que prefere negar a inovação e manter feudos e concessões por razões políticas. Sem conseguir acompanhar as necessidades da nova sociedade e entendendo que a nova economia reduz a arrecadação de impostos, quando na verdade acontece o contrário, e consequentemente seu poder, legisladores muitas vezes escolhem proibi-la de existir ou funcionar a se apropriar dela e amplificar seus benefícios. Isso não acontece por desconhecimento sobre como funcionam os novos negócios, mas por puro medo de perder o poder e o controle sobre o dinheiro dos cidadãos e trabalhadores. Este é o quarto artigo da série sobre a Nova Economia e seus impactos na sociedade. Leia abaixo os artigos anteriores.

4 | O Novo Governo

Como já vimos nos artigos sobre Consumo e Trabalho, a nova economia tem quebrado alguns monopólios históricos, oferecido novas oportunidades a muita gente, simplificado o acesso a serviços e produtos e, principalmente, a novas formas de oferecê-los e consumi-los. E quando muita coisa começa mudar à sua revelia, uma luz vermelha acende numa das partes mais interessadas: o governo. Perigo, perigo, perigo!

Governos em geral são paquidérmicos para perceberem mudanças na sociedade. Sempre foi assim, mas isso se torna ainda mais evidente com a velocidade que essas mudanças estão acontecendo nas últimas décadas.

Alguns governantes ainda acreditam que são eles que definem o rumo que a sociedade deve tomar, quando e quais serão as mudanças necessárias para que tudo continue como está. Muitos ainda não perceberam que o poder está mudando de mãos, que os cidadãos e empresas estão mais conectados não apenas no sentido internético do termo, mas mais organizados, atentos e preparados para assumir as rédeas do seu próprio destino, controlando mais de perto políticos e administradores públicos.

Mas não só o poder está sendo mais amplamente distribuído na nova economia, o dinheiro também. E não estamos falando somente das novas oportunidades profissionais que vêm sendo criadas o do consequente aumento de renda das pessoas, estamos falando principalmente sobre como essa renda volta ao mercado e como ela é convertida no combustível de governantes, políticos e administradores públicos: em impostos. Já imaginaram o que sente um governo quando se vê com menos poder e menor controle sobre a arrecadação?

A nova economia ainda é jovem e vai continuar assim por bastante tempo. Apesar de muitas vezes romper barreiras históricas, ela continua submetida às regulações e leis vigentes por mais arcaicas que sejam. Grandes mudanças estruturais levam tempo. Mas apesar do impacto ainda baixo, já dá para fazer algumas projeções:Fluxo2

  • com formas de contratação de serviços e mão de obra mais flexíveis, diminuem os custos trabalhistas bem como a quantidade de trabalhadores sindicalizados e suas obrigatórias contribuições sindicais. O efeito imediato disso é que o trabalhador terá mais dinheiro no bolso, pois a empresa poderá pagar-lhe mais por não ter que cumprir com obrigações trabalhistas ou sindicais, e assim ele poderá decidir onde gastar ou investir esse dinheiro que antes era gerido pelo Estado e seus organismos.
  • com a economia do compartilhamento funcionando a pleno vapor, investir em um bem com um carro não será mais fundamental; compartilhar é o novo comprar. Um carro por exemplo, poderá servir a diversos usuários. Isso potencializa o poder do consumidor que poderá pulverizar o valor daquele investimento em diversas outras opções. Mais dinheiro em circulação.
  • o crowdfunding e as diversas novas formas de se obter dinheiro para investir em desenvolvimento de produtos e empresas diminuem o risco desses investimentos, consequentemente os juros cobrados por quem empresta, o que faz o dinheiro mais barato e acessível.
  • o consumo em geral aumenta, pois há mais dinheiro livre em circulação, o que acaba aumentando a arrecadação de impostos. A grande diferença é que esses impostos agora vêm de transações voluntárias realizadas pelo cidadão e não mais de contribuições obrigatórias.
  • com a diminuição das contribuições obrigatórias, o Estado perde o controle absoluto sobre muito do dinheiro em circulação e consequentemente o poder que esse dinheiro proporcionava. O poder agora será dado pelo cidadão baseado na competência administrativa em oferecer e gerir serviços públicos de qualidade.

Com mais oportunidades de renda, mais dinheiro no bolso e mais conectados entre si, os cidadãos ganham uma posição de poder até então inédita na sociedade. Governos que entenderem isso como uma enorme oportunidade e não como ameaça poderão se tornar os os dirigentes que a nova sociedade demanda.

Exemplos de que a nova economia é inevitável e amplia poderes não só dos cidadãos mas também dos governos já começam a acontecer.

Em Londres o Uber se associou aos taxistas e criou o UberTaxi. No estado do Colorado, nos EUA, e na Cidade do México o Uber foi totalmente enquadrado na legislação como mais um serviço de transporte público. Já a prefeitura de Boston está usando os dados dos trajetos feitos por passageiros do Uber para melhorar o planejamento urbano. O governo catalão é o primeiro na Espanha a criar uma regulamentação para que qualquer um possa alugar quartos temporariamente utilizando plataformas como AirBnB e Homeaway.

Infelizmente no Brasil há poucos legisladores e governantes preocupados em abraçar a nova economia. Insistem em proibi-la ou forçá-la para dentro de um ambiente controlado e regulamentado pelo governo. Esquecem que nela a regulamentação é muito mais eficaz pois é feita pelo usuário e pelo prestador do serviço. Os onipresentes Uber e AirBnB estão encontrando enormes barreiras oficiais para se estabelecerem formalmente. Nem empresas como o Netflix e Whatsapp estão imunes a miopia e a sanha protecionista, arrecadatória e controladora dos governantes que têm nas inúmeras taxas e impostos obrigatórios que pagamos sua base de manutenção no poder.

Na nova economia dinheiro também é poder, mas nela o poder muda de lado com o dinheiro que fica mais abundante, livre e barato na mão do cidadão e do trabalhador. Todos ganham, até quem perde.

No próximo artigo iremos falar de uma área que sofre enorme impacto positivo com a nova economia mas que ao mesmo tempo vem demonstrando baixa capacidade de entendê-la e aproveitar seus benefícios, a mídia.

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Este é o quarto artigo da série sobre a Nova Economia e seus impactos na sociedade. Leia abaixo os artigos anteriores.

1 | Introdução

2 | O Novo Consumo

3 | O Novo Trabalho

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Se você quiser levar a discussão sobre a Nova Economia e seus impactos na sociedade e nos negócios para um grupo, escola ou empresa, entre em contato: contato@setze.com.br.

6 comentários sobre “Política e Dinheiro. Com quem está o Poder na Nova Economia?

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