A Nova Economia e a Nova Sociedade

Não, essa série de artigos não irá tratar das mudanças econômicas necessárias para o Brasil voltar aos trilhos, tampouco irá falar economês ou discutir políticas econômicas. A Nova Economia, também chamada de Economia do Compartilhamento, está abaixo disso. É um fenômeno econômico e social muito mais próximo, muito mais pé no chão, muito mais de resultados práticos e cada vez mais presente no nosso cotidiano. É dela e dos seus impactos no dia-a-dia que iremos tratar nessa série de artigos semanais que começa hoje.

A Wikipedia define a nova economia como o “resultado da transição de uma economia baseada na indústria para uma economia baseada em serviços.[1]” Outros dizem que é a amplificação de novas indústrias como a biotecnologia ou a Internet, que são caracterizadas pela tecnologia de ponta e alto crescimento. Já eu entendo que a nova economia acontece com a convergência de fatores principalmente tecnológicos que possibilitam a criação de produtos e serviços inéditos e em larga escala com enormes impactos econômicos, políticos e sociais, criando assim uma nova sociedade.

Nada disso importa se não entendermos o impacto dessa nova economia na vida do cidadão comum, por isso resumo assim meu ponto de vista sobre o que é a Nova Economia:

Uma economia suportada por negócios disruptivos viabilizados pela tecnologia (internet, nuvem, smartphones, apps…) que utilizam novos ou antigos modelos comerciais, criam novos tipos de relações de trabalho, comerciais, econômicas e sociais e, consequentemente, uma nova sociedade com o indivíduo em seu centro.

Negócios Disruptivos

Há alguns tipos de negócios disruptivos. Podem ser aqueles que com o apoio da tecnologia melhoram, transformam, tornam mais acessíveis e transparentes antigos negócios. Aqueles que se encontram estagnados, cristalizados devido a fatores como legislação arcaica, altas barreiras de entrada geralmente onde os serviços públicos e privados são falhos ou os privados são caros e ineficientes. Os exemplos mais conhecidos desses negócios são o Uber e o AirBnB.

Disruptivos também são negócios que tornam mais simples e fáceis o acesso a serviços já existentes como contratação de mão de obra temporária, transporte de pessoas, cargas ou pequenas encomendas – 99Taxis, Truckpad, Postmates – ou que criam negócios onde antes existiam apenas atividades tipo free-lance ou hobbies como no EatWith. Ou ainda novos negócios que destravam, compartilham e rentabilizam o valor de bens e recursos sub utilizados como vagas de estacionamento, ferramentas, espaço, carros e até tempo. Ezpark, Tem Açúcar, AirBnB e Bliive são alguns exemplos. Principalmente esse último grupo leva ao pé da letra a economia do compartilhamento, expressão que ganhou evidência na nova economia e pode englobar os mais conhecidos exemplos de empresas que estão mudando a forma dos negócios nesses tempos, mas está longe de resumir o que realmente está acontecendo.

Em geral esses novos negócios disruptivos têm abrangência global, pois só fazem sentido financeiro quando desenvolvidos em larga escala, mas se moldam para atender necessidades locais. É o antigo pense global, aja local elevado à máxima potência.

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Esses novos negócios estão sendo desenvolvidos em diversas áreas e causando impactos na sociedade como um todo. Nos próximos artigos dessa série vamos detalhar um pouco mais esse impacto em áreas como Educação, Consumo, Trabalho, Governo, Dinheiro, Mídia e Negócios Sociais.

Nas próximas semanas iremos mostrar alguns exemplos de como a nova economia está em todo lugar, já mudou muito alguns dos nosso comportamentos cotidianos e como ainda poderemos ver inúmeras e constantes mudanças em diversas áreas.

O Novo Consumo

Mudanças nas formas de consumo talvez tenham sido as mais importantes e percebíveis proporcionadas pela nova economia, por isso vamos começar analisando como o consumo mudou na nova sociedade. Com a compra e propriedade sendo substituidas pelo compartilhamento e pelo uso on demand, novas formas de consumo têm surgido, tornando a vida mais barata e fazendo o dinheiro circular de forma mais direta e transparente. Tudo isso não mais sob controle do fornecedor, agente ou atravessador, mas sim do cliente que consome o que quer somente na hora que quer ou precisa.

A Nova Educação

Os impactos da nova economia na educação têm sido enormes. Desde os MOOCs democratizando o acesso a cursos on-line das melhores universidades do mundo a sistemas que montam programas de aulas de acordo com o perfil de interesse e aprendizado dos alunos, as mudanças não foram poucas. Talvez a maior de todas se deu com o aumento exponencial no acesso à educação através da internet. Num próximo artigo vamos discutir os resultados dessas novas iniciativas em educação e como elas têm sido adotadas ou não pelo mundo.

O Novo Trabalho

Junto com as novas formas de consumo, as relações de trabalho sofrem muitas mudanças na nova economia. Com o consumidor indo diretamente ao fornecedor do serviço, sem intermediários, a quantidade de novos empreendedores por conta própria aumenta enquanto as contratações com “carteira assinada” diminuem. Junto com o aumento real do salário mínimo da automação e robotização de atividades repetitivas, uma nova classe de trabalhadores está surgindo, muito mais especializada, livre e com mais dinheiro no bolso. Recomendação e reputação são as novas cartas de referência.

Governo

Talvez o maior “prejudicado” pela nova economia tenham sido os governos. Sem conseguir acompanhar as necessidades da nova sociedade e entendendo que a nova economia reduz a arrecadação de impostos, quando na verdade acontece o contrário, legisladores muitas vezes preferem proibi-la de funcionar do que se apropriar dela e amplificar seus benefícios. Exemplos não faltam e vamos discutir vários deles aqui.

Dinheiro

Nunca  a máxima que diz que é o dinheiro que move o mundo foi tão testada como agora. O formato do dinheiro e das maneiras como ele muda de mãos estão sendo profundamente alterados na nova economia. Das várias formas de pagamentos digitais à eliminação completa das cédulas, o dinheiro como conhecemos em breve não irá mais existir. Isso exigirá um enorme esforço tecnológico e também de comportamento que tornará as transações comerciais mais transparentes e seguras, reduzindo enormemente a sonegação de impostos e o uso ilegal do dinheiro. A nova sociedade será mais honesta querendo ou não.

A Nova Mídia

Coitada da velha mídia. Perdida no limbo que ela mesma criou, vagueia pelo analógico mesmo sabendo que a viagem para o digital é inevitável. Produtores e distribuidores de notícias, livros, música e TV tentam encontrar seus novos lugares na arquibancada enquanto assistem o consumidor assumir o controle do que consome. Criar novos modelos comerciais que garantam no digital a receita que sempre tiveram no analógico é seu grande desafio . Algumas empresas conseguem, outras preferem continuar negando a mudança.

Negócios Sociais

Se fosse para escolher onde a nova economia tem maior impacto, eu escolheria os negócios socias. Sem piscar. Negócios sociais são aqueles que ao mesmo tempo dão lucro e geram impacto social relevante. Esses negócios estão em áreas como saúde, educação e finanças, em geral substituindo ou complementando com melhor qualidade e eficiência algum serviço público. Nos próximos artigos também vamos falar dessee tipo de inciativas nas quais todos ganham e que sem a tecnologia não teriam sido possíveis.

Espero que ao final dessa série a gente entenda que gerir a economia de uma casa, empresa ou país não é nada fácil e fica ainda mais difícil quando não se entende, ou pior, nega-se por ideologia ou incompetência ver que mudanças inevitáveis na economia estão acontecendo fora do nosso controle e que seus impactos na sociedade serão mais profundos quanto menos nos incluirmos e participarmos desse momento único e intenso.


[1] Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_economia

5 comentários sobre “A Nova Economia e a Nova Sociedade

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