Sindicalismo estudantil e autopirataria educacional

Meses atrás, durante uma greve de professores no Rio de Janeiro, um cartaz na grade do Colégio Pedro II, uma das melhores escolas públicas do estado, me chamou muito a atenção. Ele pedia por “menos empresários e mais educação” como se fossem coisas excludentes, como se os dois não pudessem co-existir, como se não fossem os empresários responsáveis pela educação de uma enorme parcela da população.

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Dias atrás outra imagem me chamou novamente a atenção. Numa das inúmeras manifestações que vêm acontecendo contra e a favor do governo, a presidente da UNE usava uma camiseta dizendo “Fim das 10982694_10207476311855270_1858584488520697295_ndisciplinas online” como se o ensino online não fosse hoje responsável por viabilizar o acesso à educação a uma enorme parcela da população, com o fortes investimentos privados dos empresários execrados no cartaz anterior.

A camiseta não propõe, e a UNE muito menos, como seria possível colocar em salas de aula a quantidade de gente que assiste aulas online pelo Brasil.

A jovem mostra uma total desconexão com a realidade e com as necessidades da educação brasileira que a tecnologia pode muito bem ajudar a resolver.

Mas o que já é ruim, sempre pode piorar.

Estadao EducacaoDepois de analisarem os resultados do ENEM 2014, repórteres descobriram que escolas que “não existem” ocupam 80% dos primeiros lugares do exame nacional. Essas escolas foram criadas há muito pouco tempo, têm no máximo sessenta alunos escolhidos entre os que mais pontuam em exames internos de uma grande escola com o mesmo nome mas diferente CNPJ.

Esses melhores alunos são então transferidos para uma nova entidade que muitas vezes tem o mesmo endereço da escola principal e é a que aparece na inscrição e nos resultados do ENEM. Isso é feito para que na sua propaganda essas escolas possam dizer que foram as primeiras no ENEM e/ou para vender seus sistemas de ensino a outras instituições. Resumindo, eles piratearam a própria marca para venderem mais.

Leia a reportagem no Estadão.

Vamos combinar que com empresários, governos, estudantes e sindicalistas estudantis desse quilate, fica difícil construir o novo modelo educacional tão necessário para o nosso país, certo?

Do governo e sindicatos estudantis pouco podemos esperar, ambos estão mais preocupados em politizar e ideologizar nosso ensino do que melhorar e ampliar o acesso à educação. E os estudantes são os que mais sofrem com isso pois exatamente no momento de formação pessoal são bombardeados não por conhecimento e informação, mas por mensagens que pregam luta de classes, segregação social e nenhum incentivo ao empreendedorismo que acaba sendo percebido como “coisa da burguesia”. Melhor exemplo que o cartaz do Pedro II, impossível.

Então sobram os empresários do ensino, responsáveis por quase 20% dos 48 milhões de estudantes matriculados até o nível médio em todo o Brasil. Serão eles capazes de reverter essa situação, propor e executar novos modelos acadêmicos e educacionais que levem a uma melhor formação dos nossos jovens – e consequentemente melhores resultados em testes aqui e lá fora –  ou vão seguir o exemplo desses poucos colegas, enganar pais e alunos, mirar apenas os resultados do ENEM e fazer de tudo para crescer no mercado? Ou tudo isso é consequência da política educacional adotada pelo governo?

As oportunidades de negócios na educação brasileira são enormes e exemplos como desses empresários, ainda que escassos, têm grande impacto e acabam manchando uma indústria baseada na confiança entre pais, professores e administradores.

Aqui mesmo no Panora já divulgamos diversos exemplos de como empresários brasileiros estão mudando o ensino, melhorando a vida das pessoas, ampliando o acesso à educação com o uso da tecnologia e ganhando dinheiro sem a necessidade de agir dissimuladamente. Sindicalismo estudantil e ideologia política já atrapalham bastante. Não precisamos de mais ninguém nesses papeis.

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