R.I.P. Homejoy

A gente aqui fala muito do sucesso de novos negócios que vêm surgindo e rompendo estruturas há muito tempo consolidadas. Uber e AirBnB são apenas o exemplos mais evidentes desse momento, mas há milhares de outros negócios lutando para se estabelecer numa sociedade em grande parte ainda bastante conservadora ou que não está preparada para entender a nova economia na velocidade que seria necessária para acompanhá-la. Por isso, mesmo inciativas que usam modelos que estão dando certo em outras empresas, acabam naufragando.

A Homejoy é mais uma iniciativa que oferece uma plataforma para conectar clientes com alguma necessidade a profissionais que possuem os recursos necessários para atendê-los. Nesse caso, serviços de limpeza. Como em tantas outras empresas parecidas, quem presta o serviço é um trabalhador autônomo sem vínculo empregatício com a plataforma, num modelo que ficou conhecido como gig economy, modelo esse que tem levantado críticas sobre a validade de tratar esses profissionais como autônomos e não como empregados da empresa. O Uber tem se comprtado como o boi de piranha desse tipo de negócio já tendo sido processado por trabalhadores, sindicatos e governos.

homejoy

Mas a Homejoy não é o Uber e sucumbiu aos diversos processos que está sofrendo na justiça por não contratar oficialmente os prestadores de serviços – e pagar impostos e benefícios complementares – que algumas pessoas entendem como deveria ser o correto nesse tipo de negócio. Mesmo tendo se instalado em cinco países e levantado mais de US$ 40 milhões em investimentos a CEO Adora Cheung acha que ainda há diversas questões trabalhistas a serem resolvidas e entende ser melhor fechar a empresa do que enfrentar a justiça e a desconfiança de novos investidores no modelo adotado. Dureza.

Mas como sempre, onde alguns têm problemas outros vêem oportunidades. O Google está contratando cerca de 20 profissionais da Homejoy para o seu time que está desenvolvendo uma plataforma semelhante que irá conectar clientes a encanadores, eletricistas, etc.

É uma pena ver um serviço útil, estabelecido em diversos países e em franca expansão ser derrubado por não se enquadrar nas leis vigentes, embora não viole nenhuma delas. É uma pena ver que as mesmas leis feitas para proteger o trabalhador agora acabam prejudicando quem quer trabalhar mas não quer a rigidez das condições de um empregado formal. E finalmente, é uma pena ver que legisladores, lá como aqui, algumas vezes preferem simplesmente fechar os olhos para o futuro e tratar a nova economia com uma mentalidade que já não atende à sociedade e tratar as novas relações de trabalho, que nem são tão novas assim já que trabalhadores autônomos sempre existiram, como se ainda estivéssemos no século XX. Quem sabe falta mesmo o Google entrar nesse negócio para reverter a situação.

Um comentário sobre “R.I.P. Homejoy

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s