Descomplica resume a educação e o perfil investidor brasileiros

Quando em 2010, depois de 15 anos em sala de aula, o professor de física Marco Fisbhen publicou seus primeiros vídeos com aulas e dicas, a ideia era cobrir um deficiência de tempo sua, já que não conseguia atender a todas as dúvidas de seus alunos pessoalmente. Com a enorme audiência que teve ele pensou em expandir o que não era ainda nem um negócio e lançou o Descomplica, com vídeos de aulas de todas as matérias.

Hoje o Descomplica é a maior sala de aulas online do Brasil e referência para estudantes que vão prestar vestibular e fazer provas do ENEM. Possui uma biblioteca de 15.000 vídeos sobre doze disciplinas e transmite oitos horas de aulas ao vivo por semana para 8 milhões de estudantes por mês. Esses estudantes pagam entre R$ 20 e R$ 30 mensais e obtêm resultados 78% superiores à média nacional nos testes e provas dos quais participam.

Num país onde as universidades públicas são ocupadas por alunos que vêm da melhores escolas particulares e que podem pagar entre R$ 500 e R$ 1.000 por mês por um curso preparatório, o Descomplica se tornou uma oportunidade para que estudantes com menor poder aquisitivo ou sem tempo de frequentar uma escola formal, possam competir em melhores condições com os demais.

O modelo de negócios do Descomplica é conhecido pela sua sigla MOOC ou Massive Open Online Course ou ainda Curso Online Aberto e Massivo. São plataformas na web que distribuem cursos em vídeo, texto, streaming, e outros formatos de forma gratuita ou não para uma enorme audiência global. Para vocês terem uma ideia do alcance dos MOOCs, uma aula de física do Descomplica já teve 250.000 alunos simultâneos assistindo. Edx, Coursera e Udacity são os principais expoentes desse mercado.

Os serviços do Descomplica não se resumem a apenas apresentar vídeos e aulas ao vivo e incluem correção de redações e mentoria personalizada. Tudo online.

Descomplica1

Então o Descomplica, além de ser uma iniciativa bacana em termos de empreendedorismo, educação e de oportunidade de acesso ao ensino superior, mostra que é possível atingir bons resultados acadêmicos em larga escala, criar um evidente benefício social com pouco ou nenhum apoio do governo e ainda por cima ganhar dinheiro com isso.

Mas toda história de sucesso tem um lado triste. Com exceção do Instituto Natura que contratou o Descomplica para oferecer gratuitamente seu conteúdo para alunos de escolas estaduais em 2011, todos os demais investidores institucionais do projeto são fundos de venture capital americanos que colocaram cerca de US$ 13.5 milhões no negócio. Nenhum fundo brasileiro se interessou em investir num negócio que não copiava fórmulas de outras iniciativas de sucesso como Uber e Warby Parker, nem mesmo sendo educação uma área de grande interesse de investidores locais nos últimos anos. Claro que dessa forma os resultados financeiros do Descomplica não ficarão inteiramente aqui.

A tristeza com a miopia dos investidor brasileiro é compensada pelo crescimento do Descomplica que com o dinheiro arrecadado na última rodada de financiamento poderá continuar a produzir cerca de 1.000 novas aulas em vídeo por mês, ampliar seu alcance e distribuir conteúdo de qualidade de forma a atingir resultados acadêmicos e financeiros ainda melhores.

Marco Fishben acredita que educação e lucro podem andar juntos criando negócios e oportunidades saudáveis para investidores e usuários, principalmente em um país onde educação de qualidade para todos não passa de um slogan de governo.

Com o Techcrunch

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