Curadoria e algoritmos na distribuição de conteúdo

A gente anda lendo bastante sobre a substituição de humanos por máquinas em algumas atividades, o desaparecimento de algumas profissões e negócios e a pouca relevância que publicações impressas hoje têm na distribuição de notícias. Tudo isso causado pela ubiquidade do acesso à internet, do desenvolvimento de negócios viabilizados pela tecnologia e também pela falta de atualização de antigos negócios aos novos tempos.

Do o sinal de fumaça e do badalar de sinos até a notificação na tela do celular, produção e distribuição de informação e conteúdo talvez seja um dos mais antigos negócios do mundo. E já quando as notícias eram poucas e localizadas, editores de jornais faziam uma seleção do que seria ou não publicado no dia seguinte de acordo com o que eles entediam que seus leitores esperariam encontrar nas bancas. Com a informação globalizada, essa tarefa fica bem mais difícil. Além de um volume muito maior de notícias, o leitor também tem acesso a uma quantidade de conteúdos nunca antes vista. E nem precisamos comparar com muito tempo atrás. Hoje recebemos cinco vezes mais informação do que em 1986 e mesmo assim muita coisa nem chega a nós pois é filtrada automaticamente por algoritmos que entendem nosso perfil de interesse e adapta o conteúdo oferecido a ele. Tudo feito por máquinas com uma pequena ajuda inicial nossa.

Iniciativas como Flipboard, Zite, Storyfi e Paper.li ajudam os consumidores de conteúdo a descobrir e organizar sua leitura e a produtores encontrar leitores interessados no conteúdo publicado. Sempre de forma ativa e baseada em algoritmos, essas plataformas fazem uma curadoria do que é publicado e sugerem novos provedores de conteúdo baseando-se nos hábitos do consumidor.

Esse assunto se tornou não relevante que empresas como Apple, Twitter, Snapchat, Instagram e Linkedin lançaram, ou estão em vias de lançar ou aprimorar seus próprios aregadores de notícias, mas agora com um twist: A curadoria de conteúdo vai ser feita por seres humanos e não por máquinas e algoritmos.

No caso da Apple, que está lançando o Apple News e o seu novo serviço Apple Music de streaming de música, editores serão responsáveis por filtrar e agregar conteúdo e música para poder oferecer produtos mais alinhados com os consumidores, seja em um feed de notícias ou numa rádio on-line.

O Twitter, uma das maiores plataformas de distribuição de conteúdo do mundo tem o Projeto Lightning que pretende trazer conteúdo baseado em eventos específicos e com curadoria humana para o feed dos usuários.

No Snapchat, mais de quarenta pessoas são responsáveis pela curadoria das Live Stories distribuídas pela plataforma aos seus milhões de usuários. Eles agrupam conteúdos de diferentes usuários para cobrir um único fato. Quase 1 bilhão de histórias são vistas todos os dias. Além disso, a plataforma também divulga conteúdo produzido exclusivamente para o Snapchat, de veículos de comunicação como a ESPN, CNN, Cosmopolitan, Daily Mail, entre outros.

Pelo perfil das propostas fica claro que a curadoria feita por humanos é melhor do que a feita por algoritmos para notícias quentes, pois somos melhores e mais rápidos do que máquinas para identificar a relação entre acontecimentos.

Algoritmos talvez funcionem melhor quando há uma quantidade enorme de informações a serem classificadas como no caso do Google News que é 100% feito com base matemática, pois seria humanamente impossível filtrar manualmente a quantidade de dados que a gigante de buscas processa diariamente.

Já o Facebook encontrou um meio termo, usa algoritmos para decidir o que cada um dos seus 1,4Bi de usuários vê nas suas timelines mas criou o Instant Articles para que veículos de mídia possam publicar conteúdos interativos, produzidos ou com curadoria de seres humanos, dentro do Facebook. Um detalhe: por enquanto o Instant Articles está disponível apenas para usuários de iPhone, o que mostra bem o público alvo que a inciativa pretende atingir.

O fato é que o consumidor não tem condições de assimilar a quantidade de informações que chega até ele e tem que contar com a ajuda de editores reais ou digitais para filtrar, classificar e apresentar os assuntos que interessam no momento que ele solicita.

Monetizar conteúdo na internet ainda é um grande desafio que poucas empresas conseguiram vencer. Organizar a informação é uma demanda clara dos consumidores digitais que já não parecem tão satisfeitos com feeds genéricos ou desatualizados. Quem sabe se dermos um passo atrás, colocarmos outra vez gente de verdade e principalmente de confiança para editar e fazer curadoria de conteúdo, agora de acordo com as novas condições e velocidade demandadas pelo mercado, não encontramos um caminho que recoloque os veículos de informação de volta ao protagonismo de quando o papel era rei?

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