O varejo não é mais aquele que passou

Houve um tempo quando shoppings só eram viáveis se grandes lojas como Mesbla, Mappin  e Lojas Americanas estivessem presentes com sua enorme oferta de produtos, marketing e, claro, tráfego de clientes. Pequenos varejistas só entravam se esses gigantes já tivesssem garantido suas presenças no empreendimento. Mas o varejo como nós conhecemos está mudando. Desses três citados apenas as Lojas Americanas ainda existem e num formato bem diferente, muito mais enxuto e de operação muito mais barata. Os outros dois não conseguiram se adaptar e desapareceram.

Uma das razões de terem desaparecido ou encolhido foi que o e-commerce colocou nas mãos do consumidor o poder de pesquisar, comparar e comprar on-line no mundo inteiro sem tem que sair de casa. Outra razão é o custo de se operar um varejo off-line gigante. Grande área de vendas deixou de ser sinônimo de diluição de custos.

Nos centros metropolitanos onde está a maioria dos consumidores, o metro quadrado é cada vez mais disputado e caro e os novos empreendimentos comerciais já não podem mais contar com aquelas lojas-âncora necessárias em outros tempos. Então o que vem acontecendo com os espaços antes ocupados por essas grandes superfícies varejistas nos centros comerciais onde elas já estiveram instaladas?

Embora cada vez mais influenciado pelo mundo on-line, o varejo off-line leva mais tempo para identificar tendências, mudar e se adaptar às novas demandas do mercado consumidor. É também bem mais cuidadoso pois erros de avaliação costumam ser mais caros e difíceis de serem corrigidos. Por isso leva mais tempo para que fiquem claros os caminhos a serem tomados para atualizar o mix de lojas dos shopping centers. Mas há três indústrias que já despontam como promessas confirmadas de pelo menos terem a intenção de literalmente ocupar esses espaços com tipos de consumidores bem diferentes.

Academias de ginástica – o que antes era dominado por muitos pequenos negócios tocados por profissionais de educação física hoje é uma das indústrias que mais cresce no mundo e em muitos centros comerciais elas estão substituindo o varejo tradicional como geradores de tráfego de consumidores. Aqui no Brasil o que se observou foi que o papel das academias se inverteu, o que antes era uma conveniência passou a ser um motivo para que consumidores potenciais visitem o shopping uma ou duas vezes por semana.

Centros médicos – Essa já é uma tendência antiga no Brasil que vem sendo confirmada e ampliada. Em sintonia com o crescimento do mercado de fitness, a indústria da saúde também se tornou um pólo gerador de tráfego para o varejo dos centros comerciais. O Centro Médico do Barrashoping no Rio de Janeiro  nasceu em 1994 como uma necessidade para quem morava na região e hoje é referência para outros empreendimentos que viram o potencial de circulação que esse tipo de atividade traz. Além disso, o valor do aluguel cobrado nesses centros médicos é superior ao valor que um lojista está disposto a pagar pelo seu varejo.

Lojas de tecnologia – aqui é apenas o novo varejo que se adaptou ao mercado e com isso passou a ocupar espaços deixados pelo velho varejo. Com ticket médio alto, grandes verbas de marketing e um operação mais enxuta, lojas e showrooms de produtos tecnológicos são uma nova tendência nos EUA que aqui ainda não se estabeleceu. Empresas como Google, Microsoft, Tesla, Amazon e Apple estão usando o varejo off-line para apresentar e vender seus produtos diretamente ao consumidor cada vez mais interessado em tecnologia.

Mídia e varejo são duas área intensamente impactadas pelos novos negócios viabilizados pela tecnologia. Por serem também das mais antigas e sólidas não é à toa que parecem estar sofrendo mais do que outras indústrias. E é exatamente por isso que delas se esperam enormes mudanças nos próximos anos.

Para sentir que a realidade pode ser bem pior do que imaginamos, veja esta série de fotos de shopping centers abandonados nos EUA.

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