O fim do dinheiro vivo está próximo

Quanto dinheiro em espécie você tem na carteira agora, neste exato momento? Independente do valor, com certeza é menos do que você tinha dez anos atrás. Mesmo descontando a crise, inflação, etc.

Com o crescimento do uso de cartões de crédito e débito, pagamentos e transferências on-line e pelo celular, usar dinheiro vivo é cada vez menos comum. O dinheiro em espécie é um animal em extinção.

Governos iriam adorar que todas as transações fossem eletrônicas pois além de não terem mais que imprimir dinheiro, faria com que fosse bem mais difícil sonegar impostos.

Para o indivíduo comum e os comércios em geral essa tendência também é boa pois traz mais segurança não só na transação como em não ter que lidar com dinheiro vivo e por isso serem alvo de assaltos. A Dinamarca já está até incentivando esse movimento e permitindo que alguns tipos de atividades não sejam mais obrigadas a aceitar pagamento em espécie.


Nos EUA os comércios perdem cerca de US$ 40 bilhões por ano em roubos de dinheiro vivo enquanto os bancos perdem US$ 30 milhões pelo mesmo motivo e apenas 15% das notas em circulação são usadas em transações lícitas. O resto é usado por quem não acredita ou confia no sistema financeiro e quem deseja burlar o fisco.


Mas nem tudo são flores num modelo sem dinheiro vivo. Com as transações eletrônicas podendo ser rastreadas, abrem-se questões importantes sobre privacidade, que já é tão discutida mesmo agora. Um dos desafios de criar um sistema financeiro totalmente eletrônico é dar segurança e confiabilidade para que o usuário se sinta confortável para utilizá-lo.

Desafio parecido com o que o e-commerce teve que lidar para se desenvolver. Poucos anos atrás comprar pela internet fornecendo o número do cartão de crédito era uma enorme questão de segurança. Hoje é corriqueiro. O mesmo vai acontecer nas transações off-line sem dinheiro vivo.

O processo de transformar uma economia em totalmente eletrônica é longo, lento e depende de muita negociação mas alguns pequenos passos já podem ser dados como abolir moedas de baixo valor (que são mais caras de produzir do que seu valor de face), tirar de circulação as notas de maior valor pois são elas as mais usadas em atividades ilícitas e incentivar o uso de tickets eletrônicos em serviços de grande uso como transporte público.

Será que num país como o Brasil onde o sistema bancário é dos mais avançados tecnologicamente do mundo mas ao mesmo tempo ainda se discute a permanência do trocador nos ônibus uma vida sem dinheiro vivo seria possível?

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Se o assunto interessa, o livro The End of Money de David Wolman é para você.

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